A Figura do Mês – José Macedo: “Gosto de fotografar viajando e estando no mar”

Não se assume como fotógrafo, mas é através da fotografia que se sente realizado

O Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) inicia hoje uma nova rubrica intitulada “A Figura do Mês”, onde serão dadas a conhecer pessoas cujo percurso esteve ou está relacionado com esta instituição, que em Setembro último completou 70 anos de existência. São Voluntários que, por carolice, amor à camisola ou outra boa desculpa, dão de si e do seu tempo – o bem mais precioso – a favor desta casa, que funciona como um Centro de Formação, uma Escola de Valores, um Cartão-de-Visita e uma Instituição que honra os Faialenses projectando o Faial dentro e fora de portas.

O primeiro convidado é José Macedo, que faz da fotografia um ‘hobby’ de eleição. Foi a reforma – alcançada há precisamente 20 anos, depois de uma vida de trabalho repartida entre os CTT, os Serviços Municipalizados de Electricidade, onde foi Chefe no tempo do Presidente Camarário Vítor Macedo, e subsequente integração na EDA – que lhe deu todo o tempo do mundo para se dedicar a esta arte. Antes disso, fazia “umas brincadeiras, já que não era permitido fotografar”. Nesse tempo – que parece tão próximo, mas que era tão diferente – lidava-se com a fotografia analógica, o que implicava comprar rolos e revelar as fotografias, “o que saía caro”. “Comprava-se um rolo de 36 e andávamos sempre a contar para sabermos quantas faltavam para chegar ao fim. Hoje, tiramos 500 fotografias, ficamos com 5 e custa sempre o mesmo preço”, desabafa o nosso fotógrafo.

José Macedo revela que 2/3 anos após ter entrado nesta condição, que faz dele patrão de si mesmo, deu o salto para a fotografia digital, “que veio revolucionar tudo”.

Antes, tinha 2 máquinas analógicas e agora tem 4 digitais. Uma das analógicas – ‘Nikon’ – tinha pertencido a um iatista que queria regressar a casa, mas como não dispunha de dinheiro para pagar o bilhete aéreo, viu-se forçado a desfazer-se da sua câmera. “Era uma máquina rodada, mesmo boa. Na altura nem havia disso aqui à venda”.

Mas se as máquinas são dispendiosas, o que dizer das objectivas? “Essas é que são caríssimas”, sustenta José Macedo, que tem grande prazer em fotografar viajando embalado pelas ondas. É no mar que consegue captar imagens de sonho, de que são exemplo as inúmeras provas das mais variadas modalidades ou, em contraste, registando o regresso das ganhoas a terra quando lá fora não encontram alimento.

O desporto dá-lhe vida, assim como as fotografias que tira nesse meio, e que podem ser de Ralli, Ciclismo, Motocross ou Náuticas. “Gosto destas actividades e como também me pedem para fotografar, colaboro e dou tudo!” E por tudo, entenda-se o transporte, o trabalho e os meios, porque o fotógrafo de serviço prima por agradar a toda a gente.

Embora esta seja a sua praia, se estivermos a falar de desfiles ou de outras brincadeiras, também alinha, mas se o convite for para fazer fotografias em casamentos ou baptizados, aí a resposta não vai ser a mesma, pois não aprecia andar no meio das pessoas. “É preciso ter muito jeito. Dizem sempre que estou com muito pormenor e nem sequer querem ter trabalho a organizar-se para a fotografia. E depois uns ficam de olhos fechados e outros a olhar para o lado e é por isso que não gosto. Naturalmente que já tirei quando se trata de família ou de pessoas amigas, mas nestes ambientes a fotografia não me dá gozo”.

“De Velejador a Fotógrafo, passando pela Pesca”

José Macedo é uma presença habitual no Clube Naval da Horta desde há várias décadas. Começou por fazer Vela nos Lusitos e Snipes da Mocidade Portuguesa, onde se manteve ao longo de temporadas até, porque, a diversidade não era a de hoje. As únicas regalias que tinha por pertencer à Mocidade Portuguesa era frequentar o Centro da Vela e participar nos Acampamentos realizados nas férias de Natal e da Páscoa.

Foi no Liceu que se cruzou com José Decq Mota e em 1964 nasceu uma amizade, que haveria de ser para a vida. Nessas andanças, recorda aquela vez em que estavam a acampar junto ao moinho, perto da Escola Primária (onde hoje funciona a Escola de Artesanato Conselheiro Terra Pinheiro), no Capelo, e ter começado a chover torrencialmente, o que fez com que a malta se tenha abrigado na Escola, enquanto ele passou a noite em casa do amigo, no Varadouro. 

“Lembro-me de que havia Lusitos, 1 Snipe chamado “A Gaivota”, e 2 Vougas, e que tínhamos como instrutor o piloto João Lucas e certa vez – já tinha 17 ou 18 anos – eu e o António Fraga fomos arrastados no “Gaivota” até à Espalamaca, porque o brandal rebentou e o mastro partiu-se. O senhor Amaral é que foi rebocar-nos na lancha “Elite”, que pertencia à Bensaúde, e que hoje se encontra nas Lajes das Flores”.

Foi para a tropa aos 21 anos e já antes disso era Sócio desta casa – quando a 1ª sede funcionava no edifício onde hoje está instalado o Centro de Formação para Desportistas Náuticos – tornando-se o associado nº 123.

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Edifício onde funcionou a 1ª sede do CNH

Na qualidade de pescador, nos anos 80 José Macedo orgulhou a Secção de Pesca Desportiva de Costa do CNH, tendo-se distinguido como Campeão Açoriano, título que foi alcançado na Lagoa do Fogo, em São Miguel, numa pescaria às trutas. E traz à memória os companheiros que foram com ele diversas vezes a São Miguel representar o Clube Naval da Horta: José Alberto, José Silva, Manuel Medeiros e Vítor Jorge, entre outros.

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José Macedo: 20 anos de dedicação à Pesca e uma vasta colecção de Prémios

As muitas taças conquistadas ao longo de 20 anos como pescador desportivo no CNH, ocupam uma divisão da casa deste caçador de prémios, como atestam as fotografias.

Quando achou que o palmarés de troféus já era mais do que suficiente, trocou os aparelhos de pesca pelas máquinas fotográficas e, mesmo sem receber medalhas ou taças, continua no pódio, já que se sente feliz com o que faz.

Apesar de recusar o título de fotógrafo, a verdade é que a fotografia o realiza e o facto de saborear a adrenalina contida nas aventuras que por vezes um bom plano implica, é bem a prova disso. As imagens únicas e enquadradas que consegue dão a conhecer o profissional humilde que se esconde atrás do rótulo de simples amador.

A dedicação de quem ousa transportar uma mochila carregada de material moderno e actual, correndo monte acima como se estivesse em jogo a reportagem fotográfica de uma carreira, fala mais alto do que qualquer explicação, demonstrando o deleite de quem faz o que gosta e sabe fazer. E como corolário da qualidade há a salientar o facto de vestir a camisola de Voluntário empenhado, sempre presente e disponível, colaborando de forma totalmente gratuita. Naturalmente que o fotógrafo amador mais profissional que por aqui anda não está à espera de condecorações, mas um agradecimento público é justo e merecido.

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Por detrás destes Troféus, está um grande investimento

Voluntário por amizade

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José Macedo deliciou-se com a viagem realizada a Santa Maria, este Verão, a bordo da “Walkiria”

A sua ligação ao actual Presidente da Direcção – José Decq Mota, que vai já no 4º mandato consecutivo – vem desde os tempos liceais e foi em atenção a isso que se deixou convencer para colaborar na área da fotografia, integrando, ainda, este elenco directivo.

Naturalmente que o fascínio que sente pelo mar também o seduziu a embarcar nas viagens que a “Walkiria” tem realizado nos Açores, assumindo, por vezes, funções de Mestre na lancha baleeira que ganhou o cognome de “Rainha dos Mares dos Açores” e que é operada pelo Mestre Vítor Mota, ao abrigo de um Protocolo celebrado entre o CNH e a Autarquia Faialense. “As minhas melhores horas de vida marítima foram passadas na “Walkiria” em viagens para o Pico, Flores, São Miguel e Santa Maria. É uma lancha que está sempre boa. Tem a fama e o nome”, realça este aventureiro.

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É no mar que José Macedo revela o seu potencial para a fotografia 

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