Festival Náutico 2017: Prova do Campeonato Regional de Canoagem de Mar

Os canoístas consideram que as condições da Prova foram espetaculares, participaram 32 atletas do Faial, Pico, Terceira e São Miguel.

“Traçámos um percurso que conseguisse tirar proveito das condições previstas pela meteorologia, tendo a Prova decorrido entre o Porto Pim e a Baía da Horta”, explica o Presidente do Clube Ar Livre da Terceira, simultaneamente Presidente da Associação Regional de Canoagem dos Açores (ARCA), Antas de Barros, que nesta Prova desempenhou as funções de Árbitro.

Este Dirigente revela que “já se sabia que o vento ia crescer e que as condições se iam alterar no sentido de se tornarem mais difíceis”. Mas, atendendo à atualização gradual da frota, que agora já dispõe de algumas embarcações de surfski, “quanto maior for a ondulação, melhor para este tipo de embarcação”. O professor Antas de Barros explica que “os surfski dispõem de um sistema que lhes permite ir esgotando a água à medida que se deslocam, pelo que a ondulação não é problema, muito pelo contrário”. Segundo os próprios canoístas, “estas condições foram espetaculares” tendo possibilitado surfar e aproveitar a experiência adquirida. “Se o mar estivesse chão teria sido uma monotonia”, sustenta este Dirigente, que realça, a propósito: “Se tudo decorrer com segurança, como foi o caso desta Prova que decorreu no âmbito do Festival Náutico, organizado pelo CNH, quanto piores forem as condições, melhor será para o plano de mar. Muitos barcos viraram, tendo os canoístas por si conseguido colocarem-se de novo dentro dos mesmos. Os surfski permitem esse auto-salvamento, digamos assim. As autoridades ainda não perceberam o tipo de funcionamento desta embarcação e, por vezes, manifestam excesso de zelo”.

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Nos Açores, o professor Antas de Barros é o rosto da dedicação e da entrega à Canoagem

Antas de Barros sublinha, enquanto Presidente da ARCA, que este organismo está a tentar reconverter a frota antiga, mas trata-se de um processo moroso atendendo a que estas novas embarcações custam “quase o dobro do preço dos caiaques fechados, com saiote, que dificultam a navegação com a entrada da água”. Este projeto de apetrechamento de todos os clubes dos Açores que praticam Canoagem, foi um trabalho iniciado há 4/5 anos, mas que só começou a ter resultados práticos no ano passado, curiosamente ano eleitoral. E nessa altura foi possível dotar cada um dos clubes regionais (que desenvolvem a modalidade) com uma destas novas embarcações.

Só para ficarmos com uma ideia do investimento necessário, basta referir que um surfski de fibra de vidro custa 1.200 euros e um de fibra de carbono cerca de 2.500 euros, enquanto um caiaque pode ficar por volta dos 900 euros.

Os surfski são uma realidade recente em Portugal – 4/5 anos – mas muito em voga há bastante tempo em países de topo neste desporto, como é o caso da África do Sul e da Austrália.

Como ainda há 50% de barcos antigos, a prioridade é conseguir a reconversão total da frota, o que poderá levar algum tempo, se tivermos em conta os custos da nova embarcação e a situação financeira de certos clubes regionais que, apesar dos constrangimentos a que se veem sujeitos – decorrentes das políticas que têm vindo a ser adotadas – continuam a ser um exemplo no que à Canoagem diz respeito e a demonstrar que mais faz quem quer e tem gosto do que quem pode e julga que sabe.

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