José Fraga: “Não tenho dúvidas de que o Windsurf nos Açores se iniciou no Faial, tendo sido eu o pioneiro”

O Windsurf marcou um tempo e uma geração na ilha do Faial, tendo sido a primeira dos Açores a praticar este desporto. Feitas as descobertas e as explorações, os pioneiros deram outros rumos à sua vida, mas a verdade é que passados 30 ou mais anos, continuam a sentir a adrenalina de outrora.

Por isso, o “Treino dos Veteranos” que o Grupo de Trabalho da Secção de Windsurf do Clube Naval da Horta (CNH) organizou no passado mês, terá de ser continuado ou reinventado, já que veio aflorar memórias adormecidas. José Fraga, o número 1 da modalidade no Faial e nos Açores, foi convidado a resgatar esse passado pioneiro e glorioso, partilhando com todos nós os tempos iniciais.

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“Claro que tivemos que recorrer a revistas estrangeiras para aperfeiçoar a modalidade”

“Em 1978 o meu irmão João Carlos, entusiasta dos desportos radicais, era praticante de surf, com uma tentativa de introdução do skate, não muito bem sucedida por dificuldade de material. Uma vez que não existia no mercado, ele teve necessidade de improvisar, desenhando e construindo um, utilizando para o efeito uma tábua de caixote e umas rodas de patins. Como é evidente, era de todo impossível manobrá-lo!

Depressa desistiu e continuou a praticar Surf. Nesse ano adquiriu uma prancha de Windsurf e rapidamente me iniciou nesse desporto. Com eu já fazia Surf e praticava Vela desde criança, foi o associar das duas modalidades que constituiu o grande desafio. Claro que tivemos que recorrer a revistas estrangeiras para aperfeiçoar a modalidade. Não posso considerar que tenha sido difícil, mas obrigou a algumas cambalhotas e muita persistência. Contudo, a adrenalina de juntar a uma modalidade nova as outras duas que já praticava, foi o factor dominante.

Não tenho dúvidas de que o Windsurf nos Açores se iniciou no Faial, tendo sido eu o pioneiro, pelos motivos acima explanados.

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“Organizaram-se regatas, sobretudo com os chamados “triângulos olímpicos”

Em 1980, um francês de nome Le Moin, trouxe para o Faial algumas pranchas mais leves, de desenho mais atual que a windsurfer, e, em colaboração com o Clube Naval da Horta, catapultou o Windsurf para a linha da frente.

Surgiram outros entusiastas e deu-se início à competição. Organizaram-se regatas, sobretudo com os chamados “triângulos olímpicos”.

No mesmo ano, com a massificação do desporto a nível nacional e o surgimento no mercado de novas pranchas/marcas, decidi evoluir e entrei em contato com o representante da marca “Mistral”, em Portugal (José Monteiro, amigo do João). Esse contacto facilitou a vinda para o Faial de várias pranchas da marca “Mistral”, inclusive a minha “Mistral Tarifa”, a primeira em Portugal. Era uma prancha com características  diferentes das existentes na altura, com desenho diferente, sendo mais curta, mais leve e mais radical. Era, também, mais rápida e mais fácil de manobrar, só usando os footstreps e surfando. A vela era só o meio propulsor.

Estava dado o primeiro passo para o evoluir da modalidade desde então até aos nossos dias. Acabaram-se os triângulos olímpicos e criaram-se percursos próprios para as pranchas em causa.

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“No Faial houve vários jovens que se distinguiram”

Nesta modalidade e a nível de competição/organização, no Faial houve vários jovens que se distinguiram, tendo já sido referenciados pelo António Luís, Amigo de muitas e bem sucedidas jornadas náuticas!

O meu percurso a nível de desportos náuticos iniciou-se na Vela Ligeira (Lusitos, Snipe, Vouga e Vaurien), no Surf, passando pelo Windsurf e pelo pequeno catamaran “Fero”, propriedade do senhor Victor Azevedo, antigo Presidente do CNH, que me  proporcionou e iniciou no Faial outra forma de navegar – refira-se que a navegação em multicasco é diferente da navegação à vela tradicional – fazendo com que mais tarde, nos anos 90, adquirisse um trimaran de 9 metros chamado “Verdelhão”, que exigia bons conhecimentos de vela para poder optimizá-lo.

Ao longo dos anos, todas estas modalidades fizeram parte de uma evolução natural em termos de percurso, que me marcaram, e aconteceram sempre na busca de novos desafios.

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“Foi com agrado que assisti ao “Treino dos Veteranos”

É de salientar que o Clube Naval da Horta teve e tem um papel importantíssimo na implementação desta modalidade nos Açores. Neste momento, a Secção de Windsurf do CNH, através do seu Grupo de Trabalho, tem vindo a reavivar a modalidade, o que me apraz registar.

Foi com agrado que assisti, no passado mês de Setembro (infelizmente não pude participar), ao evento organizado por esta Secção, denominado “Treino dos Veteranos”. Embora não esteja a residir na ilha, fico a aguardar o convite para um próximo encontro”.

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