XVIII Convívio de Pesca Desportiva de Mar dos Açores

35 pescadores de Peniche no Convívio do Faial, organizado pelo CNH.

A chuva marcou a pescaria mas foi a boa disposição que levou a melhor “As pessoas do CNH são excepcionais, existindo um relacionamento de proximidade”

Têm em comum o gosto pela pesca, que os tem levado a percorrer os Açores de lés a lés, Madeira e Portugal continental.

São amigos, colegas profissionais e amantes da natureza. Falamos do Grupo de Pesca Desportiva do Centro Social do Pessoal da Câmara de Peniche, uma comitiva de 40 pessoas – 35 pescadores – que esteve no Faial nos dias 1, 2 e 3 do corrente, a  fim de participar no XVIII Convívio de Pesca Desportiva de Mar dos Açores, que decorre até ao dia 11.

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A zona de lazer da Fajã foi o cenário para a aguardada pesagem do pescado

Na ilha do Faial aconteceu – este domingo, dia 3 – o 1º Convívio dos três programados para este périplo, cuja organização esteve a cargo da Secção de Pesca Desportiva de Costa do Clube Naval da Horta (CNH).

O segundo terá como palco as Flores, na quarta-feira, dia 6; e o terceiro o Corvo, no dia 8 deste mês.

O convívio, a tranquilidade e a abundância de peixe, são, no dizer de Francisco Silva, Organizador desta actividade, as razões que levam o Grupo a vir aos Açores, o que acontece há 23 anos.

O primeiro intercâmbio com o Clube Naval da Horta realizou-se no recuado ano de 1995, já depois de Francisco Silva ter visitado o Faial, já lá vão 25 anos. Aliás, foi na sequência desse passeio e do conhecimento travado, que este engenheiro de profissão lançou o desafio que esteve na base desta profícua relação de amizade, sim, porque actualmente os pescadores de Peniche (também há elementos de Torres Vedras, Lisboa e não só) têm amigos em todas as ilhas.

Podemos dizer que 50 por cento dos pescadores pertencem ao Grupo do Centro Social do Pessoal da Câmara de Peniche – sendo funcionários camarários – e os restantes são convidados.

De realçar que este Centro Social desenvolve um variado leque de actividades desportivas e culturais.

E a prova de que cada ilha, apesar de pertencer ao mesmo arquipélago, tem as suas especificidades e encanto próprio, reside no facto de as Flores ser, no conjunto das 9, aquela que ganhou o cognome de “especial”, atendendo à sua tranquilidade e à quantidade e variedade de espécies que encerra. É que, apesar de todos dizerem que a questão dominante é o convívio, a verdade é que não nenhum pescador gosta de ficar para trás, reinando a luta pela chegada ao pódio, numa prova em que a pescaria é mista, o mesmo é dizer, que tudo (ou quase tudo) o que vier à cana, é pontuável.

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A pesagem implicou muito tempo, atirando o almoço para as 3 da tarde

O segundo intercâmbio decorreu nas Berlengas, em 1996, e de lá até hoje pesca e turismo continuam parceiros.

Francisco Silva refere que o convite para pescar nas diferentes zonas do país é feito aos clubes que, internamente organizam a sua participação. Nesse sentido, os pescadores do CNH foram convidados a acompanhar a comitiva de Peniche na deslocação às Flores e ao Corvo, mas questões de ordem financeira impediram essa agradável viagem.

E, a propósito de financiamento, este organizador explica que o Grupo realiza várias actividades ao longo do ano com o objectivo de angariar fundos que permitam estas deslocações. Uma delas é a Prova de Pesca Desportiva de âmbito nacional, que reúne cerca de 150 pescadores. Os patrocínios são outro contributo neste contexto.

Para o Campeonato Nacional não contam as pescarias realizadas na Madeira e Açores. Contudo, todas as provas são encaradas com o mesmo espírito: ganhar.

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É preciso contar o número de exemplares de cada pescador e a seguir pesar

Questionado sobre a razão que leva este Grupo – que ao longo dos anos tem vindo a sofrer alterações na sua composição – a vir anualmente à Região, Francisco Silva destaca: “Porque os Açores são o ‘ex-líbris’ do País e enquanto se mantiver este turismo de natureza, não podemos pedir mais”.

Estes 11 dias de pesca, passeio e muito convívio representam perto de 700 euros por cada pescador. O périplo por várias ilhas foi uma forma de quebrar a monotonia mais tendencial na visita a uma só ilha, o que imprime “um salto qualitativo” a esta viagem, que junta 40 homens.

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As indumentárias envergadas ilustram bem as condições meteorológicas registadas este domingo

“Pessoas do CNH são excepcionais”

Francisco Silva e os companheiros sentem-se em casa no Faial, ilha que teve como cicerone Carlos Medeiros, Director da Secção de Pesca Desportiva de Costa do Clube Naval da Horta.

“As pessoas do CNH são excepcionais, existindo um relacionamento de proximidade. Aqui, o que se evidencia é a afectividade e não o lado competitivo”, vinca Francisco Silva.

Desta Secção participaram 5 pescadores, embora o número de inscritos tenha sido superior. Neste ambiente, marcadamente masculino, faltou Juliana Nóbrega, uma veterana no que à pesca diz respeito e a única presença no feminino no CNH.

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Francisco Silva, Organizador desta actividade pelo Grupo de Pesca Desportiva do Centro Social do Pessoal da Câmara de Peniche; e Carlos Medeiros, Director da Secção de Pesca Desportiva de Costa do CNH, Responsável pelo Convívio no Faial

Carlos Medeiros, que não deixou os seus créditos por mãos alheias, fazendo jus aos desempenhos a que já nos habituou – foi 2º classificado na geral, integrando o 3º lugar do pódio por equipas – congratula-se pela forma como decorreu o evento. Quanto à pescaria, afirma: “Foi boa mas cansativa”. E explica: “O facto de a prova ser realizada num pesqueiro sem limites, obriga a andar muito”.

Qualquer actividade implica vocação e ser pescador não é diferente. Calcorrear quilómetros à procura do melhor lugar para pescar, carregando o material e a seguir o pescado, e ainda ter de enfrentar a chuva, que dificulta a mobilidade, tornando-a, por vezes, perigosa, é um quadro que fala por si.

Se dissermos que esta prova decorreu na Fajã da Praia do Norte e que muitos optaram por atravessar a praia, movendo-se a custo na pesada areia que dificulta a caminhada já de si penosa atendendo às condições atmosféricas registadas, ficamos com o retrato completo deste panorama.

Cumprindo o estabelecido, aos magotes ou de forma individual, todos foram chegando ao local da pesagem, comentando a falta de cooperação de São Pedro, que tinha sido tão amigo nos dois dias anteriores.

Mais molhados do que secos e com o estômago a acusar o tardio da hora, o almoço só foi uma realidade já passava das 3 da tarde, mas a ementa compensou, embora só tenha sido uma realidade depois da pesagem, que decorreu debaixo de chuva, mas sempre com grande boa disposição. Foi nesta altura que se confirmaram as expectativas e dissiparam as dúvidas. Uns queriam mais, enquanto outros se manifestavam visivelmente satisfeitos.

Foi com grande recepetividade que todos se organizaram para a fotografia de família, tirada debaixo do guarda-chuva. As seguintes seguiram o mesmo modelo, demonstrando o ambiente dominante.

Chegados ao “Restaurante Rumar”, foi tempo de retemperar forças e confortar o estômago, que já reclamava, e com razão.

Distribuídos por grupos ao longo de várias mesas, os pescadores comentavam os resultados e apreciavam os Prémios, trazidos por Carlos Medeiros e patrocinados pela Câmara Municipal da Horta (CMH).

Terminado o almoço, foi tempo de entregar os Prémios (os especiais, diga-se, foram os melhores, onde predominaram exemplares locais, em miniatura, claro, mas bem característicos, como o inhame e a batata).

Na sua breve intervenção, Francisco Silva agradeceu a forma como o Clube Naval da Horta recebeu a comitiva de Peniche, agrandecendo ao patrocinador dos Prémios. O agradecimento foi extensivo ao Rui e família pelo “almoço divinal”, e ao peixe-porco, que “é amigo do homem” (largamente pescado nesta prova). E rematou, dizendo que tinha sido “um prazer estar com todos”, revelando o facto de o Grupo contar com três novos amigos que vieram pela primeira vez e de um (o Heitor) ter regressado após vários anos de ausência.

Este Responsável entregou lembranças (galhardetes e exemplares de troféus) ao CNH e à CMH.

Por seu turno, Carlos Medeiros, em nome do Presidente da Direcção do CNH, agradeceu a presença de todos e fez votos para que no próximo ano o peixe-porco não figure na competição (risos!).

Este Dirigente desejou que os pescadores de Peniche façam grandes provas nas Flores e Corvo – lamentando o facto de o CNH não poder, também, disputá-las – augurando um bom regresso a casa.

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Os Prémios foram patrocinados pela Câmara Municipal da Horta

Todas as mesas denotaram grande animação, mas algumas primaram mesmo pelo entretenimento geral, norteado por repertórios bem estudados, recheados de histórias passadas e anedotas misturadas com piadas. O amigo Baptista, Campeão de Papagaios – e grande conhecedor das várias espécies, com quem tem um relacionamento especial – é um animador nato que, por estar habituado a papaguear, foi partilhando peripécias aprontadas pelos colegas que os rodeavam, e outros, disfarçados de “natural pacatez e tranquilidade”, mas sempre prontos e engenhosos na forma de tramar o Baptista que, diga-se de passagem, também se vinga quando pode.

Depois, o amigo Carinhas, igualmente chamado Francisco e também engenheiro de profissão, quis entrevistar a jornalista de serviço, mas a verdade é que se revelou um belíssimo entrevistado, contando memórias que o orgulham das suas raízes, enaltecendo a figura da sogra – vejam só! – e disponibilizando os seus préstimos para quando o destino for Peniche ou arredores.

Houve ainda um simpático que fez questão de oferecer uma ‘t-shirt’ alusiva ao XVIII Convívio (2018) de Pesca Desportica de Mar dos Açores: Faial/Flores e Corvo, e, no fim, as despedidas com votos de que para o ano nos voltemos a reunir. Sentimos que já fizemos novas amizades!

Sob o olhar amigo de Carlos Medeiros, a comitiva partiu na manhã desta segunda-feira, dia 4, rumo às Flores, onde certamente as pescarias os deixarão gloriosos.

Prémios individuais – do 1º ao 10º:

10º - Nuno Almeida (13.140 pontos)

9º - Paulo Sousa (14.120 pontos)

8º - Francisco Silva (17.220 pontos)

7º - Francisco Borges (17.700 pontos)

6º - João Lemos (17.880 pontos)

5º - Carlos Sousa (22.050 pontos)

4º - José Amâncio (22.150 pontos)

3º - António Mamede (23.380 pontos)

2º - Carlos Medeiros (23.710 pontos)

1º - Paulo Santos (28.920 pontos)

 

Maior Exemplar:

Nuno Daniel (1.610 pontos)

 

Maior Número de Exemplares:

Paulo Santos: 66 peixes

 

Por Equipas:

 3ª Equipa, com 33.550 pontos, composta por:

Carlos Medeiros

Carlos Russo

Orlando

2ª Equipa, com 33.800 pontos, composta por:

Hernâni Sousa

Carlos Sousa

Sebastião

1ª Equipa, com 64.020, composta por:

Francisco Silva

Paulo Santos

João Lemos

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