O internacional velejador, John Kretschmer, realiza Workshop sobre travessias oceânicas, no CNH

Terça-feira, dia 10, o velejador profissional americano dará uma Palestra no âmbito da “Náutica no Bar, no CNH

Encontra-se a decorrer nas instalações do Centro de Formação de Desportistas Náuticos do Clube Naval da Horta (CNH) um Workshop sobre travessias oceânicas, com o famoso velejador e autor americano (de Fort Lauderdale), John Kretschmer.

Os destinatários desta formação são clientes internacionais, iniciativa que conta com o apoio do CNH. Refira-se que seminários, palestras, consultadoria e viagens de treino dominam a vida deste marinheiro, que tem como paixão o mar.

John Kretschmer efectuou expedições por todo o planeta, a bordo do seu veleiro “Quetzal”. Há muito que realiza acções de treino de Vela, conduzindo expedições de viagens de aventura. 

Além de marinheiro e velejador profissional, John Kretschmer, que conta com 20 viagens transatlânticas e duas transpacíficas, é autor de obras como “À Mercê do Mar”, “Namorando  com Sereias”, “Cabo Horn a Estibordo”, “Velejar num Mar a Sério” e “Bloco de Notas para os Melhores Barcos Usados”, todos clássicos de alto mar. 

É, ainda, editor e autor de diversos artigos em diferentes revistas da especialidade, tendo ganho alguns prémios.

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John Kretschmer encontra-se a realizar palestras nalguns dos mais notáveis clubes de Vela do Mundo. O CNH insere-se nesse lote

Fonte das fotografias: Google

“O que impulsiona Kretschmer não é simplesmente o desejo de viajar que se agarra como uma droga potente, mas uma teimosa insistência em dirigir o seu próprio caminho não convencional”, pode ler-se numa das muitas entrevistas concedidas.

“Uma das minhas maiores conquistas é que, até hoje, nunca tive um emprego de verdade”, revela o velejador internacional, sublinhando a propósito das suas obras: “Se houver algum conselho, qualquer pérola de sabedoria oculta nos meus livros, é algo tão simples quanto navegar a todo custo, evitando a furtiva rotina das 9 às 5 que, maliciosamente, rouba a única coisa que cada um possui na sua própria vida: o tempo”.

Apesar de tudo o que foi referido, este lobo do mar admite que esta vida nem sempre se afigura “prazerosa” e explica: “É um trabalho extremamente difícil, do ponto de vista físico e mental. E é implacável. Certamente não é romântico. É muito, muito responsável. É o apelo”.

“O que é surpreendente é que este marinheiro consumado, que publica citações de Joseph Conrad sobre a sua cabana, nunca fez uma única aula de navegação. Quando criança, ele e os irmãos aprenderam a navegar num lago frio do norte de Michigan. Aos 10 anos, leu a odisseia de Francis Chichester intitulada “Gypsy Moth Circles the World” e levantou âncora na imaginação de um menino. Dali em diante, Kretschmer foi dominado pelo pensamento de velejar para sempre em alto mar”.

“Fico feliz por ter aprendido a navegar naquela altura”, diz o homem bronzeado, de cabelos encaracolados, com um sorriso malicioso e uma constituição atlética. Com navegação por satélite, qualquer um pode navegar agora”, sustenta.

“Naqueles dias anteriores ao “Global Positioning Satellite”, Kretschmer aprendeu a navegar muito bem usando o sextante. Aquela habilidade incomum colocou-o em demanda com proprietários de iates que precisavam de levar os seus barco de um porto para o outro.

Na verdade, ele aprendeu a habilidade depois de ser reprovado na faculdade pela quinta vez, tendo comprado um veleiro sem motor de 27 pés, onde vivia a bordo.

Nesse barco, aprimorou suas habilidades de navegação oceânica e aprendeu sozinho a navegação celestial.

Para quem não gosta de viagens de longa distância, o fascínio por esse trabalho árduo e às vezes perigoso, é difícil de entender.

No entanto, ler sobre as aventuras extremas de Kretschmer, a partir da segurança da terra, é estimulante e absorvente”.

“É um trabalho intensamente gratificante”, diz o afável capitão.

Uma vez que a viagem esteja completa, basta virar as chaves e enrolar as velas e é uma sensação sempre nova”.

Há 29 anos que John Kretschmer navega a tempo inteiro, marcando cerca de 300.000 milhas náuticas, o equivalente a 10 viagens de circum-navegação clássicas. “Estive tão ao Sul no Cabo Horn, quanto ao Norte da Suécia”, afirma.

Aproveitando a disponibilidade manifestada pelo velejador, o Clube Naval da Horta organiza uma Palestra, que se realizará esta terça-feira, dia 10, no âmbito da rubrica “Náutica no Bar”. Esta será uma oportunidade para John Kretschmer falar sobre as suas aventuras e experiências nos oceanos, enquadrada na série de palestras que está a fazer nalguns dos mais notáveis clubes de Vela do Mundo, antecipando o lançamento do seu próximo livro, marcado para o mês de Setembro.

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