CNH assinala 71 Anos

José Decq Mota: “O CNH não poderá continuar a ter o papel que tem tido nos últimos 15/20 anos, se não for levado a sério o problema das suas instalações”

Em dia de aniversário (71º) do Clube Naval da Horta (CNH) – quarta-feira, 26 de Setembro – José Decq Mota, Presidente da Direcção, traça uma perspetiva global sobre a situação desta instituição náutica (a única do Faial). Nesta entrevista, o Dirigente há 6 anos consecutivos nestas funções, salienta as principais dificuldades do CNH – (antigas e sobejamente conhecidas) e os pontos fortes (que são muitos e dignos de serem sempre enfatizados), apelando a que os Sócios se unam no sentido de prepararem um elenco diretivo capaz de dar continuidade (e se possível aumentar) o importante trabalho que tem vindo a ser feito na promoção do desporto e da ilha do Faial.

Programa comemorativo de Aniversário

“Tradicionalmente neste mês do Aniversário do Clube Naval da Horta, todas as Secções do Clube organizam provas desportivas, o que irá prolongar-se ao longo de parte do mês de outubro, atendendo a que algumas tiveram de ser adiadas devido à passagem da tempestade tropical “Helene”. 

Como vem sendo habitual, o Aniversário será comemorado com um Jantar aberto a todos os Dirigentes, Sócios, Desportistas e Colaboradores do Clube, e que este ano será realizado no dia 20 de outubro. Com esse mega-jantar, termina o ciclo das Comemorações do 71º Aniversário do CNH.

Actividade intensa

O Clube Naval da Horta tem uma actividade muito intensa, que se estrutura em três vetores essenciais: a actividade desportiva propriamente dita, a divulgação do Faial e dos Açores no mundo náutico e a vertente associativa.

Relativamente à actividade desportiva, sobressaem como modalidades mais massivas a Vela (Ligeira e de Cruzeiro), a Canoagem, a Natação e os Botes Baleeiros. Para além disso, existem outras modalidades também muito importantes na vida do Clube, como é o caso da Pesca Desportiva de Barco e de Costa, os Mini-Veleiros, o Windsurf, a Motonáutica, a Apneia e outras atividades subaquáticas.

Estas 11 Secções envolvem centenas e centenas de praticantes de desportos náuticos de todas as idades, de ambos os géneros e de todas as origens sócio-profissionais. O CNH mantém uma velha filosofia de não vedar a quem quer que seja a prática do desporto, pelo que todos são muito bem-vindos!

Concretamente nestes últimos 6 anos, a actividade do CNH expandiu-se muito no plano desportivo.

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José Decq Mota: “Posso afirmar, sem qualquer fanfarronice, que actualmente o CNH tem uma dimensão grande para o sítio onde está implantado”

Divulgação do Faial e dos Açores

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“O CNH dá um contributo muito sério para que o Porto da Horta e a Ilha do Faial estejam cada vez mais envolvidos na Náutica Internacional de Recreio, mas também na Vela de Altíssima Competição Internacional”

A segunda vertente da actividade do CNH prende-se com a divulgação do Faial e dos Açores no mundo náutico. Enquanto co-organizador e apoiante de Regatas e Ralies Náuticos Internacionais, o Clube Naval da Horta dá um contributo muito sério – que no essencial é reconhecido – para que o Porto da Horta e a Ilha do Faial estejam cada vez mais envolvidos na Náutica Internacional de Recreio, mas também na Vela de Altíssima Competição Internacional. E, portanto, o CNH tem orgulho em evidenciar esta realidade.

Mas esta dinâmica não se verifica apenas no plano internacional. Este Clube co-organiza igualmente Provas Nacionais. E um exemplo concreto é precisamente o facto de o CNH ser o organizador de uma Prova do Campeonato Nacional de Windsurf, que se realiza de 4 a 7 de Outubro, no Faial. Mas olhado para o passado, isso já aconteceu por diversas vezes em diferentes modalidades, sobressaindo sempre a boa organização a cargo do Clube Naval da Horta.

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“O CNH tem um orgulho enorme no Projecto Olímpico do Velejador Rui Silveira, único nos Açores e que merece grande atenção”

E já que estamos a falar de divulgação, quero destacar o Projecto do nosso Velejador de Alta Competição, Rui Silveira, que se encontra em curso. O Rui passou por um período de recuperação devido a uma lesão, mas já se encontra em trabalho de preparação visando os Jogos Olímpicos de 2020, no Japão. É com grande satisfação que o Clube Naval da Horta apoia o seu Velejador na manutenção empenhada deste Projecto, o qual, pela sua natureza, faz com que o Rui vá a diferentes lugares do mundo realizar provas. Esta presença constante é sinónimo de uma importante e elevadíssima divulgação do CNH, da Ilha do Faial e da Região Açores. O CNH tem um orgulho enorme neste Projecto, único nos Açores e que merece grande atenção.

Vertente associativa/prestação de serviços aos Sócios

A terceira é a vertente associativa, que inclui também uma vertente de prestação de serviços aos Sócios do Clube, nomeadamente com a exploração do posto de combustível, prestação de serviços na formação dos desportistas náuticos, através do Centro de Formação de Desportistas Náuticos, onde são realizados Cursos importantes ligados à habilitação legal exigida aos desportistas náuticos, mas igualmente cursos informais de Vela para Adultos, e ainda noutras áreas, como é o caso do Património Baleeiro. Além disso, dentro da vertente associativa o Clube segue uma política de apoio aos Sócios que têm barco, englobando ainda o serviço de Bar-Restaurante, que se encontra concessionado.

A soma destas três vertentes resulta num Clube Naval que tem hoje uma dimensão apreciável, eu diria mesmo sem nenhuma fanfarronice, que se trata de uma dimensão grande para o sítio onde está implantado. Estamos a falar de cerca de 1.000 Sócios pagantes, numa terra com 15 mil pessoas. Como tal, penso que esta conclusão é legítima. Mas esta questão não pode ser vista só por este prisma. A integração hoje do CNH na comunidade portuária, na vida do Município, participando na Comissão Náutica Municipal e na Comissão Municipal dos Assuntos do Mar demonstra a importância que o CNH tem na promoção das actividades náuticas, na promoção da Ilha do Faial e na resolução de problemas de quem quer unir esta terra ao mar. Um bom exemplo disso é o Festival Náutico da Semana do Mar, durante o qual são realizados, todos os anos, dezenas e dezenas de eventos náuticos.

Festival Náutico dá trabalho, mas permite projecção

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“Se é verdade que estes dez dias do Festival Náutico dias dão um trabalho imenso, não é menos verdade que a actividade do Clube se desenrola ao longo de todo o ano”

Gostava de salientar que quando hoje me dizem que a Semana do Mar representa muito trabalho, é verdade, pois, além disso é um evento complexo de organizar por envolver dezenas de provas e acontecimentos náuticos num período de dez dias. E alguns desses acontecimentos são de grande destaque, como é a Travessia do Canal a Nado, a chegada da “Atlantis Cup”, o Encontro Internacional de Vela Ligeira (EIVL) ou o Campeonato Regional de Canoagem que se tem realizado todos os anos por altura do Festival Náutico.

Se é verdade que estes dez dias dão um trabalho imenso, não é menos verdade que a atividade do Clube se desenrola ao longo de todo o ano, havendo naturalmente meses de muitos eventos, com imensos momentos de extrema actividade (Junho, Julho e Setembro).

Quem esteve atento percebeu que no passado fim-de-semana (22 e 23 de Setembro) houve muita actividade, desde Vela Ligeira e de Cruzeiro, Botes Baleeiros, Prova de Canoagem e Pesca Desportiva de Costa.

É possível constatar abertamente que este Clube tem uma actividade cada vez maior e mais dispersa ao longo do ano, sem desvalorizar os pontos altos, que naturalmente se vão manter.

Faltam instalações adequadas

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“Se o Governo tem investido, e bem, na recuperação do Património Baleeiro, não pode agora, por falta de condições, deixá-lo degradar-se”

O CNH é uma estrutura que está bem em termos da acção da actividade dos seus Sócios, Desportistas, Técnicos e Profissionais, mas é um Clube que tem também dificuldades e nesta altura quero evidenciar três.

A primeira diz respeito às instalações. O CNH não poderá continuar a ter o papel que tem tido nos últimos 15/20 anos, se não for levado a sério o problema da dimensão desadequada e acentuada degradação das suas instalações, que são património público regional e estão integradas na estrutura do Porto da Horta. Sabemos que a entidade responsável encomendou em 2007, tendo ficado concluído em 2013, o projecto para ampliação e remodelação da sede do CNH. Caso este problema não seja encarado como deve ser, não vejo que seja possível o Clube aperfeiçoar a sua actividade nas várias áreas. E uma delas – que é sempre referida – é precisamente a do Património Baleeiro. Estamos a falar de embarcações com grandes exigências em termos de armazém, com perto de 12 metros de comprimento e que todos os invernos têm de ser guardadas e pintadas. Mas para isso é preciso espaço. Se o Governo tem investido, e bem, na recuperação do Património Baleeiro, não pode agora, por falta de condições, deixá-lo degradar-se.

Recorde-se, a propósito, que a necessidade de um armazém de rectaguarda, fora da sede, se encontra temporariamente colmatada com a cedência gratuita de um espaço de 1.300 metros quadrados na antiga fábrica do peixe.

Mas este problema afecta muito a vida do Clube e eu realço que nestes últimos anos isso tem vindo a agravar-se na medida em que as instalações, que sofreram danos por altura do sismo de 1998 – o que não foi reconhecido na altura, já lá vão 20 anos – cada vez se degradam mais e hoje não têm condições mínimas aceitáveis para desempenhar o papel que estão a desempenhar.

Apoios governamentais muito atrasados

Uma segunda dificuldade que o CNH está a sentir – e neste ano de 2018 de forma bastante viva – tem a ver com os apoios à sua actividade, na vertente do reconhecimento pleno dessa actividade. A incerteza quanto à data de pagamento desses apoios estabelecidos, dificulta imensamente a gestão do Clube.  Essa questão faz com que neste momento o CNH, embora com uma situação económica e financeira equilibrada, tenha um valor importante de dívida a fornecedores pelo facto de estar a receber tardiamente os apoios oportunamente estabelecidos pelo Governo.

É preciso um quadro de pessoal devidamente adequado 

A terceira dificuldade com que o CNH se debate tem a ver com a crescente necessidade de um quadro técnico de pessoal devidamente adequado.

A actividade do CNH cresceu muito e quando isso acontece por várias razões, evidentemente que um Treinador de Vela deixa de ser suficiente, um Treinador de Canoagem é insuficiente, assim como três Treinadores de Natação.

O aumento da actividade gera mais informação e a divulgação da actividade do CNH actualmente motiva a necessidade de uma situação que há 6 anos o Clube não tinha e que era um técnico nessa área. Hoje, a comunicação que o Clube faz e com grande sucesso, implica outros recursos. Basta ver o número de referências na Comunicação Social local, regional e nacional; as notícias nas televisões das grandes iniciativas do Clube; e o número de acessos à Página do Clube e às redes sociais. Obviamente que tudo isso obriga a que o Clube disponha de um departamento que durante anos não teve que é o Gabinete de Imprensa e que esteja minimamente apetrechado em termos humanos e materiais.

Embora esses recursos sejam uma realidade catualmente, a verdade é que são tudo situações que têm sido e continuam a ser tratadas com grande precariedade, porque ainda não foi possível ao CNH vislumbrar uma situação de consolidação deste seu crescimento.

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“Mais actividade implica mais pessoal e meios, havendo situações de precariedade que têm de ser solucionadas a muito breve trecho”

Confiança no futuro 

Deixo uma palavra de grande apreço aos parceiros institucionais, nomeadamente à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, aos departamentos governativos das áreas do Desporto, Turismo e Cultura, à Câmara Municipal da Horta, à Portos dos Açores, SA, às Federações e Associações das várias modalidades, à APADIF, bem como a todos os nossos Patrocinadores, Fornecedores e Técnicos especializados que nos apoiam

Quero afirmar a minha profundíssima confiança no futuro do CNH, porque tenho a noção de que os Faialenses em geral e os Sócios do CNH em particular, muito especialmente aqueles que são Sócios antigos – e os outros que são Sócios de agora mas que se encontram profundamente ligados ao Clube pela prática de desportos náuticos – têm consciência da actual situação sendo, por isso, a razão desta profunda confiança de um futuro bom na vida do Clube.

Eu acho que o CNH tem para o Porto da Horta e para a Ilha do Faial uma importância estratégica e julgo imprescindível que os Sócios, os Faialenses e as Autoridades Locais e Regionais também absorvam esta ideia. O nosso papel é muito importante e tem de ser devidamente apoiado.

Ninguém quer ter períodos de vacas gordas nem pede algo que não seja possível de realizar. O que se deseja, no quadro das capacidades da Região, é que seja reconhecido este papel e muitas vezes passam-se aqui situações que, de facto, não têm o reconhecimento pleno e objectivo, traduzido num apoio compatível. Tenho confiança de que isto vai ser uma realidade.

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“O papel do Clube Naval da Horta é muito importante e tem de ser devidamente apoiado”

Quem quiser apoiar o CNH, que se faça Sócio!

Aproveito esta oportunidade para lembrar que se encontra em marcha até ao fim deste ano, uma Campanha de Angariação de Sócios, que se reverte de uma importância extrema e que estando directamente ligada à receita daí adveniente, tem um alcance muito maior, na medida em que possibilita uma relação muito forte com a implantação do Clube Naval da Horta na sociedade faialense e com o reforço desta instituição na capacidade de responder aos desafios que se lhe colocam. Mais gente e gente com conhecimentos específicos, certamemente será de grande utilidade para o desenvolvimento da actividade do CNH.

Esta Campanha caracteriza-se pela particularidade de isentar do pagamento de jóia todos aqueles que se propuserem como Sócios até ao fim do mês de Dezembro. Estamos a falar de Sócios antigos que, por qualquer motivo perderam esse estatuto, ou de pessoas que nunca foram associadas. Em ambos os casos não há lugar ao pagamento de joia, o que significa que a pessoa não paga 36 euros, o que corresponde a um ano de quota. Esta Campanha está a ter sucesso e apelo à adesão da mesma, já que é uma forma de apoiar o CNH.

Hoje em dia, os Sócios do CNH usufruem das práticas desportivas e dos serviços e situações gerados pelo Clube, beneficiando de um vasto pacote de vantagens.

É necessário encontrar um corpo directivo com vontade de enfrentar os desafios

Com a idade que tenho, já passei por variados aniversários do Clube. Sou Sócio há muitos anos, suponho que desde 1965-1966, altura em que o CNH estava num período muito complicado, que foi quando ficou sem o Castelo de Santa Cruz como sede.

Apesar de, como se sabe, eu ter estado fora do Faial durante 10 anos, minha mãe manteve a minha quota em dia, assim como a de meu irmão Luís Carlos, pelo que actualmente somos dos Sócios mais antigos, ou seja, desde os anos 60.

Estimo muito o Clube Naval da Horta, sendo Presidente da Direcção há praticamente 6 anos consecutivos, repartidos por três mandatos. Recordo que anteriormente – de 1996 a 2001 – desempenhei as mesmas funções durante cerca de 5 anos e nos fins dos anos 70 integrei uma Direcção do CNH como Vogal, além de ter feito parte do Conselho Geral ao longo de muito anos. 

Atendendo a que a actual Direcção termina este mandato em Dezembro próximo, apelo a todos os Sócios para a necessidade de se mobilizarem no sentido de ser encontrado um corpo directivo devidamente actualizado e com vontade de enfrentar os desafios, pois é imperioso, para todos, que o trabalho do CNH tenha continuidade. 

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