Prova do Campeonato Nacional de Windsurf, no Faial: Inscritos mais de 20 atletas

Vasco Chaveca, enquanto Presidente da Associação Fórmula Windsurf Portugal e atleta inscrito nesta Prova, fala da sua paixão pela modalidade e das dificuldades que existem

Começa hoje, quinta-feira (4 de Outubro) e termina no próximo domingo (dia 7), na ilha do Faial, o “Azores Windsurfing Cup - Faial”Prova do Campeonato Nacional de Formula Windsurfing 2019 – 1ª Etapa/Faial, que tem como Entidade Organizadora o Clube Naval da Horta (CNH).

Ao todo, estão previstas 12 Regatas, distribuídas por estes quatro dias de Prova, na qual estão inscritos até agora mais de duas dezenas de atletas, entre eles Miguel Martinho, actual Campeão Nacional, que já renovou esse título 20 vezes e costuma estar no top ten mundial. No entanto, as inscrições só encerram ao fim da manhã desta quinta-feira.

Na tarde de quarta-feira, dia 3, realizou-se na Sala de Reuniões do CNH um encontro de trabalho, que juntou à mesma mesa José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; Jorge Fontes, Director da Secção de Windsurf do CNH; Vasco Chaveca, Presidente da Associação de Formula Windsurfing Portugal; e os elementos da Comissão de Regata: Bruno Rosa (Presidente), Duarte Araújo e Vasco Bettani.

Na Organização deste evento de âmbito nacional, o Clube Naval da Horta conta com o apoio da Federação Portuguesa de Vela (FPV) e da Associação de Formula Windsurfing Portugal (AFWP), e com a colaboração do “Peter Café Sport”.

Pelas 12h30 deste primeiro dia de Prova – dia 4 – haverá o “Skippers Meeting” e pelas 14 horas deverá acontecer a largada da primeira Regata das 3 previstas para hoje.

Nos restantes três dias (sexta, sábado e domingo) o “Skippers Meeting” acontecerá pelas 9 horas e a largada está marcada para as 10 horas.

A Prova é aberta a Pranchas à Vela da Classe de Formula Windsurfing (OPEN e SPORT).

Serão atribuídos Prémios aos 3 primeiros classificados da Formula Windsurfing OPEN, bem como aos 3 primeiros classificados de Formula Windsurfing SPORT e às sub-categorias da Classe de Formula Windsurfing OPEN (Master e Grand Master).

A Cerimónia da Entrega de Prémios está marcada para as 20 horas de domingo próximo (dia 7).

O Gabinete de Imprensa do CNH aproveitou esta oportunidade para conversar com Vasco Chaveca, um apaixonado pelo mar, pela Vela e pelo Windsurf. Vestindo a camisola de Dirigente e de Atleta – o que nem sempre é fácil – Vasco Chaveca aborda a situação da Classe e vibra com a possibilidade de poder trazer mais gente para este desporto, já que um dos objectivos passa pela promoção.

Faial recebe a 1ª de 4 etapas nacionais

- Gabinete de Imprensa do CNH: Esta é a primeira vez que o Faial recebe uma Prova do Campeonato Nacional de Windsurf?

- Vasco Chaveca: Não, já houve em 2004. Nessa altura eu era o responsável pela Associação Portuguesa de Windsurf – o que depois mudou – e fizemos o Campeonato Nacional no Faial.

Nesse tempo havia as provas de apuramento nacionais e uma prova que era o Campeonato Nacional. Agora temos o Campeonato Nacional que se realiza por várias etapas. Em vez de uma prova que vai definir o campeão nacional, temos várias etapas ao longo do ano e no final de acordo com a pontuação, ganha o melhor.

Esta é a primeira prova para 2019. E porquê? Porque a Federação à parte de todos os outros organismos funciona de 1 de Outubro a 30 de Setembro. E então o calendário é 2018/2019 um pouco à semelhança do ano lectivo escolar. Trata-se de 4 etapas oficiais pela Federação Portuguesa de Vela. À parte disto, vai haver o Ranking da Associação de Classe, que também é oficial, mas que só vai em pontuação a nível de Ranking Nacional.

Provas de apuramento reguladas pela Federação Portuguesa de Vela são 4: a 1ª decorre agora no Faial de 4 a 7 deste mês; a 2ª será na Barragem do Alqueva, no início de Março, por altura do Carnaval; a 3ª será no fim-de-semana do 25 de Abril em Lagos, e a 4ª está marcada para Cascais, no mês de Maio.

O que nós fizemos foi juntar as provas reguladas da FPV e associámos ao nosso Ranking Nacional, que se chama Portugal Windsurf Racing Series 2019.

Até 2012 havia uma única Associação de Classe para tudo o que eram Classes de Windsurf: Slalom, Ondas, Freestyle e Race. A Classe de Formula Windsurfing, que é muito específica a nível de Racing e muito associada à Vela tradicional (Optimist, Laser, etc,) com percursos e largadas iguais, é totalmente diferente das outras classes do Windsurf. O Slalom é dedicado a provas de velocidade; a Classe Ondas traduz-se por truques nas ondas; a Classe Velocidade significa um percurso plano para fazer velocidade, e perante tanta diversidade não era possível inter-ligar as várias classes.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Por isso nasceu esta Associação.

- Vasco Chaveca: Pois! Um conjunto de sócios e atletas resolveu criar uma Associação de Classe específica para a Classe de Formula Windsurf, o que aconteceu em 2013, com actividade em 2014, 2015, 2016, 2017. E agora em 2018 (para 2019) nós, com a FPV quisemos juntar as outras classes do Windsurf de Race, que é o caso do “Raceboard” (Classe do atleta olímpico madeirense, João Rodrigues) e de uma outra categoria também de Race, mas em que podem participar todas as pranchas à Vela. As largadas e o percurso são os mesmos que a Formula Windsurfing mas é uma forma de trazer mais atletas para as regatas em vez de andar cada um para o seu lado. Será também um pouco de convívio mas um convívio de competição e com várias classes de prancha à Vela incluídas.

- Gabinete de Imprensa do CNH: E esta divisão resultou bem?

- Vasco Chaveca: Sim. Tornámos as Associações de Classe mais específicas. A outra que se chama “Apywind” ficou para regatas de Windsurf mais específicas, que é o caso das Ondas, do Freestyle e do Slalom; e a nossa Classe ficou com o Race, que é mais associado à Vela tradicional, aos percursos de Vela tradicional. Nalgumas regatas, por exemplo no Campeonato Regional do Algarve, fazemos as nossas provas juntamente com os Laser, os Optimist e os 420. As larrgadas são separadas mas com percursos iguais.

“Queremos um Campeonato o mais abrangente possível”

- Gabinete de Imprensa do CNH: É difícil trazer provas nacionais para os Açores devido aos custos associados?

- Vasco Chaveca: Já há alguns anos que conhecemos vários atletas e velejadores nos Açores. Durante alguns anos houve separação, porque os representantes da Associação de Classe não queriam trazer provas para a Região, atendendo à falta de vontade dos atletas tendo em conta os custos associados. Mas para termos um Campeonato o mais abrangente possível em território nacional, com várias especificidades diferentes – porque é isso que interessa – tínhamos de descentralizar. Daí fazermos numa barragem, numa baía em Cascais e termos vontade de fazer num sítio como os Açores, que tem condições de mar totalmente diferentes daquelas a que estamos habituados, com o intuito de perceber qual o atleta mais completo.

Falámos com o Presidente do Clube Naval da Horta, que mostrou grande interesse e esta é, sem dúvida, uma forma de potenciar o Windsurf localmente.

- Gabinete de Imprensa do CNH: O que pode dizer sobre os atletas participantes?

- Vasco Chaveca: Das mais de duas dezenas, metade são do Continente português, havendo duas atletas espanholas: uma já foi campeã espanhola desta Classe e a outra já é uma contratação portuguesa. A primeira vem de uma zona perto de Madrid e a segunda, sendo também espanhola, está a trabalhar em Cascais, mas possuia licença desportiva dos EUA por ter estado lá a trabalhar, onde se federou. Como depois veio para Portugal, já tem licença desportiva portuguesa. Temos, portanto, um cunho internacional nesta Prova.

“Clubes não estão interessados em apoiar gente veterana”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Os atletas contam com apoio?

- Vasco Chaveca: A maior parte vem por sua conta. Temos um acordo com o Clube Naval da Horta que disponibilizou o contentor, mas como havia atletas que iam participar no Campeonato do Mundo em Portimão, tiveram de trazer algum material de avião.

A maior parte é Seniores e Masters, porque a nível nacional os clubes só apoiam jovens esperanças, juventude. Todos os outros ficam fora desse apoio.

Alguns clubes deram apoio custeando a inscrição e outros, como o Clube Naval de Portimão, disponibilizou uma carrinha para trazer os desportistas e o material de Portimão até Lisboa. O apoio varia conforme a disponibilidade financeira de cada clube.

Neste momento, os dois mais jovens atletas têm 20 e 23 anos. Todos os outros encontram-se em faixas etárias acima dos 35 anos.

Os clubes não estão interessados em apoiar gente veterana. E um exemplo flagrante disso é o nosso actual Campeão Nacional, Miguel Martinho, que já renovou esse título 20 vezes e costuma estar no top ten mundial (e que participa nesta Prova no Faial) ter um apoio cada vez menor por parte do Clube de Portimão. Mas com as eleições ocorridas no Clube Naval de Portimão, no passado mês de Julho, penso que essa situação vai ser alterada, o que é muito bom!

- Gabinete de Imprensa do CNH: A organização de uma Prova destas implica uma grande logística?

- Vasco Chaveca: É bastante idêntica ao que aconteceria com uma prova nacional de Vela Ligeira a nível de bóias, de percursos e até no número de barcos de apoio. É tudo muito idêntico mas com alguma especificidade, que reside nos barcos de apoio. Neste caso, convém serem um bocadinho maiores na eventualidade de alguma coisa se partir e de o atleta precisar de vir a terra. Se o barco de apoio for mais pequeno, implica desmontar o material todo e pô-lo dentro do semi-rígido, ao passo que esse trabalho fica facilitado se o barco de apoio for maior.

Para a Comissão de Regata torna-se um pouco mais específico: se houver uma diferença de vento brutal, temos velas diferentes para cada tipo de vento e os atletas têm de vir trocar de vela. Portanto, requer uma maior flexibilidade por parte da Comissão de Regata.

Embora as regras sejam muito definidas entre os 7 e os 35 nós, mas como podemos registar 3 velas de dimensões diferentes para cada tipo de vento, a Comissão de Regata tem de estar atenta a fim de perceber se o vento subiu demasiado e se os atletas já não conseguem aguentar umas velas tão grandes. Se for esse o caso, é necessário vir a terra 45 minutos para fazer a troca. Esta é a única especificidade entre barcos à Vela e Windsurf.

“A nível de exigência física, é um desporto muito superior à Vela”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Considera que esta Reunião de Trabalho correu bem?

- Vasco Chaveca: Sim, claro! Como o CNH nunca tinha organizado uma Regata desta Classe de Windsurf, este encontro serviu para acordarmos certos aspectos advenientes da experiência que temos como Associação e pelo facto de conhecermos bem a Classe. Foi explicado como se processa a nível de percursos, largadas, definição de categorias, tempos de espera, Regatas seguidas. Na nossa Classe, embora seja permitido fazer 4 Regatas diárias, não podemos realizar 4 Regatas consecutivas. No máximo, podem ser feitas 3 seguidas, havendo uma pausa a seguir. Ou, então, duas Regatas/uma pausa/duas Regatas.

Cada Regata tem a duração de aproximadamente 20 minutos para o primeiro classificado. Claro que o último classificado pode demorar mais 20 minutos, portanto estamos a falar de um total de cerca de 40 minutos, em que a maior parte do pessoal para não pôr as velas dentro da água – porque são um bocado frágeis – nem parti-las, mantém-nas no ar, tendo de esperar em pé, em balanço, para vir a terra. Torna-se cansativo. A nível de exigência física, é um desporto muito superior à Vela.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Quais as previsões para estes dias de Prova?

- Vasco Chaveca: São boas. Pretendemos neste primeiro dia fazer 3 Regatas seguidas, porque assim o Campeonato fica logo oficializado. Sexta-feira o vento já começa a subir mais e no sábado será bastante forte.

“Nos Açores, para além de haver vaga de mar, também há ondas de vento à mistura”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Que condições diferentes é que os atletas poderão encontrar neste Campo de Regatas?

- Vasco Chaveca: A maior parte das vezes o que é mais diferente de lugar para lugar é o mar propriamente dito. Nos Açores, para além de haver vaga de mar, também há ondas de vento à mistura, o que obriga a uma maior concentração e aprender a navegar. A prancha comporta-se de maneira diferente. Quando a vaga é pequena, a prancha vai a bater; quando é larga, temos de subir/descer, subir/descer e navegar com a vaga. Se tivermos vaga com mar, temos uma mistura de tudo. Vai ser um misto. E há pessoas que nunca fizeram Regatas no Faial. Certos atletas como vieram para o Triatlo do Peter, tiveram alguns dias para treinar, o que não aconteceu com a maioria deles. Portanto, vai ser uma estreia para muitos.

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“No meu entender, o desporto tem de envolver as duas componentes: uma profissional e uma amadora”

 

- Gabinete de Imprensa do CNH: Como é que consegue ser Dirigente e Atleta em simultâneo?

- Vasco Chaveca: Neste caso, represento a Associação, mas também venho como atleta. Em cima da prancha desligo-me e sou meramente competidor.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Por que razão se verifica esse divórcio entre os clubes e os atletas mais velhos, se até são os que alcançam melhores resultados?

- Vasco Chaveca: Até há 7/8 anos, o Windsurf esteve muito desligado dos clubes. As pessoas compravam uma prancha e praticavam por sua conta. Mas há 20/30 anos, essa realidade era totalmente diferente: havia uma grande ligação, pois era mais uma classe de Vela. Posteriormente, passou-se de umas pranchas que faziam os mesmos percursos da Vela – e e era prancha à Vela – para uma nova denominação que era o ‘Funboard’, encarado como uma brincadeira por parte dos clubes. E é aí que se dá uma ruptura total tanto a nível de clubes como da própria Federação. A única excepção aconteceu na Madeira, com o consagrado João Rodrigues e a Classe Olímpica. A Federação não teve outra saída senão manter o apoio ao Windsurf, porque já foram 7 Olímpiadas. É o nosso atleta com mais Olímpiadas, o que diz tudo.

E a propósito de escalões, refiro que este ano houve alterações a nível internacional. Anteriormente, dos 20 aos 35 anos os atletas eram considerados Seniores; dos 35 aos 45 Masters; dos 45 aos 55 Grand Masters, e a partir dos 55 Veteranos. Agora, os Seniores vão dos 20 aos 40, o que significa que se aumentou 5 anos, alteração que se verificou em cada um dos restantes escalões. E isto aconteceu, porque se o atleta se mantiver bem fisicamente, pode permanecer mais tempo no mesmo escalão atendendo a que estamos perante uma classe táctica não implicando um esforço físico a 100%. Naturalmente que o atleta precisa de estar bem fisicamente mas tem muito a ver com o cérebro. E a prova disso é que os melhores atletas que temos nesta Classe, mesmo a nível internacional, têm todos mais de 30 anos.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Isso quer dizer que ainda não estão maduros mentalmente?

- Vasco Chaveca: Exactamente! E fazem muitas asneiras, como por exemplo largadas antecipadas, irritam-se, etc.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Qual tem sido o seu papel no sentido de levar a Federação a mudar de atitude?

- Vasco Chaveca: Com a Classe de Formula Windsurfing – eu sempre fui muito ligado ao Clube Naval de Portimão, ao Clube de Vela de Lagos e acabei por conhecer a maior parte dos clubes do país, porque andei de Optimist, Laser, Vaurien, Snipe e no meio disto tudo fazia também Windsurf – sempre tentei puxar as pessoas para os clubes, porque os clubes têm estrutura. E tanto os atetas podem aproveitar a estrutura dos clubes como os clubes podem aproveitar os atletas. Os miúdos cada vez crescem mais rápido e são cada vez maiores! Um miúdo com 13 anos já é quase um adulto e dentro de uma caixa como o Optimist, cada vez fica mais irritado. Por isso, penso que se pudermos ter algo sem ser um barco à Vela (o Laser 4.7 para mim também não satisfaz), por que não aproveitar? E é um meio de termos mais uma alternativa.

Dou sempre o exemplo da nossa vizinha Espanha, que iniciou no programa de clubes e da Real Fedração Espanhola a Classe Big Tecno, destinada a miúdos até aos 18 anos de idade. Neste momento encontram-se a competir em cada prova daquela Classe 80 atletas! E este cenário aconteceu em 3 anos. E cada vez há mais interessados.  

Em Portugal, os clubes e a Federação dão apoio à classe estratégica que são os Optimist, não vendo esta Classe do Windsurf como estratégica. E enquanto os clubes e a Federação não olharem para aquela prancha de Windsurf como complemento do Optimist, o número de atletas vai continuar a diminuir.  

Era bom que pusessem os olhos no que acontece em Espanha mas também na Inglaterra. O último Campeonato do Mundo realizado na Letónia, contou com 400 miúdos a competir. É uma das maiores classes de Vela a seguir ao Optimist.

É preciso que a Federação queira investir e promover esta Classe junto dos clubes. Enquanto isso não acontecer, esta Classe do Windsurf não cresce. É por essa razão que todos os atletas do Windsurf que temos são Seniores, Masters e Grand Masters.

“É preciso que haja inter-ligação entre os Optimist e a prancha de Windsurf”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Em termos de preço, o equipamento está ao nível da Vela?

- Vasco Chaveca: O custo é muito inferior. Enquanto um Laser novo de competição, todo equipado, pode custar 5/6 mil euros, uma prancha destas custa 2000/2.500 euros.

É tudo uma questão de formação da FPV em relação aos clubes e ter vontade de promover uma classe que tem tudo para andar. E ainda podemos juntar outras vantagens: o equipamento é mais fácil de transportar; os miúdos divertem-se muito mais, porque estão em cima de uma prancha e quando está ventinho, fartam-se de planar, dão saltinhos e fazem tudo e mais alguma coisa; podem ir de férias e levar a prancha, pois enquanto os pais estão na praia eles estão a navegar. Mesmo assim, continua a haver um investimento em classes tradicionais e acho bem que se comece por aí, já que não se pode pôr miúdos numa prancha sem ter as bases da Vela, mas é preciso que haja inter-ligação entre os Optimist e a prancha de Windsurf.

Quem não gosta dos Optimist tem de ir para Natação ou para a Canoagem e perde-se mais um atleta federado.

Um dos problemas da Federação reside na desactualização de algumas pessoas, que vêem o Windsurf como sendo a malta da escumalha e da anarquia. Mas com a vinda do Luís Rocha para a Federação, o panorama já começou a mudar.  

Infelizmente, algumas federações só apostam nos profissionais, o que leva os desportistas a verem apenas o lado competitivo, parecendo máquinas.

No meu entender, o desporto tem de envolver as duas componentes: uma profissional e uma amadora.

Se profissionalizarmos o desporto, cada vez teremos menos adeptos. Vemos isso pelo Laser: quando era amador, tínhamos cerca de 80 atletas, mas desde que passou a ser olímpico, reduziu para 20.

vasco chaveca 3 2018

“Um dos problemas da Federação reside na desactualização de algumas pessoas, que vêem o Windsurf como sendo a malta da escumalha e da anarquia”

- Gabinete de Imprensa do CNH: O material pode fazer toda a diferença no desempenho de um atleta?

- Vasco Chaveca: Ter o material mais actualizado, o de topo de gama, faz toda a diferença. É claro que um atleta de topo mesmo com material não muito bom, vai ganhar na mesma, mas com mais dificuldade. Mas se tivermos a falar só de atletas de topo em que um tem material de topo e o outro um bocadinho inferior, claro que o atleta de topo com material de topo, não dá qualquer hipótese aos outros. Essa diferença nota-se, sobretudo, a nível de atletas de topo. Em patamares inferiores nem tanto. Por isso, cada vez mais se aposta mais na especialização dos atletas de topo, que se dedicam em pleno à sua carreira, algo que em Portugal ainda não é muito bem aceite, mas a nível internacional já é mais do que normal.

“Gosto de competição, mas não tenho mau perder”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Para si, o que representa o Windsurf?

- Vasco Chaveca: Um escape.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Mas é competitivo...

- Vasco Chaveca: Gosto de regatas técnicas e tácticas, de analisar os ventos, as nuvens, como tudo mexe, porque o objectivo é ganhar. Sempre! Gosto de competição, mas não tenho mau perder (risos).

- Gabinete de Imprensa do CNH: O seu palmarés desportivo inclui muitos títulos...

- Vasco Chaveca: Ando na Vela tradicional há 37 anos e no Windsurf há 35.

Na Vela fui 3 vezes Vice-Campeão Nacional de Juniores de Laser; conquistei várias vezes o título de Campeão do Algarve de Laser; fui Campeão Nacional de Juniores de Snipe e um dos apurados para o Campeonato da Europa de Laser, na Áustria; fui Campeão Nacional de Juniores de Windsurf, e, mais recentemente, fui Campeão Europeu de Masters no Windsurf. Normalmente fico no 2º ou 3º lugar a nível nacional.

Sempre fui atleta do Clube Naval de Portimão. Também pratiquei Natação e Pólo Aquático numa perspectiva de complemento para a Vela. Como não gosto de ir para o ginásio e detesto correr, à noite treinava Natação e Pólo Aquático como forma de fazer exercíco físico.

Adoro andar à Vela e fazer Windsurf. Acho que o Windsurf é um meio de recarregar energias a nível mental. Embora esteja concentrado nas regatas, permite estar no mar, com ar puro e em contacto com a natureza.  

Quantas mais pessoas eu conseguir trazer para o Windsurf, melhor. Gosto de vê-las felizes e uma das minhas satisfações consiste em ver as pessoas virem para o Windsurf e usufruirem deste (bom) desporto. Se eu tivesse aqui 50 pessoas a participar, para mim já quase que nem era preciso ir para dentro da água, porque via que todo o esforço que tenho na Associação valeu a pena.  

Tenho tentado casar o atleta com as famílias. Por isso, organizo sempre um ou dois jantares oficiais de Prova, em locais que as pessoas gostem. No Alqueva temos sempre 50 competidores e envolvemos 100 pessoas, incluindo as famílias. Assim, torna-se mais agradável para todos.

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