Jorge Macedo faz o balanço à actividade da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH: Um mandato caracterizado pelo aumento do número de regatas e pela diminuição das Entregas de Prémios



Na hora de encerrar um mandato, e já a pensar no próximo, que começa em Janeiro de 2015, Jorge Macedo, Director da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH), foi convidado a fazer o balanço destes 2 anos de trabalho (2013 e 2014), que ficam marcados pelo aumento do número de regatas e a diminuição das Cerimónias de Entregas de Prémios, devido à falta de dinheiro. Atribuição de Prémios à Classe Open nas Regatas de maior importância como é a Atlantis Cup - Regata da Autonomia e inclusão de 2 novos Ralis Náuticos no calendário da próxima época, designadamente à Calheta de São Jorge e às Lajes das Flores, são alguns dos aspectos que poderão integrar o futuro Plano de Actividades desta Secção. No entanto, este Dirigente vai dizendo, em forma de alerta para quem de direito que, os frequentes discursos de reconhecimento pelo trabalho de promoção que é feito pelo CNH sobre o Faial e os Açores no Mundo, têm de vir acompanhados por um envelope financeiro correspondente, caso contrário não é possível manter este cenário até, porque, há instituições nos Açores que fazem muito menos nesta área e recebem contrapartidas financeiras muito maiores. E os exemplos estão à vista de todos.



Como é habitual no início de cada época, realiza-se uma reunião para definir as linhas orientadoras que são discutidas em fórum da Direcção e depois de apresentadas e discutidas na Secção de Vela de Cruzeiro, dão origem ao calendário que é apresentado previamente aos velejadores e nessa altura são ajustadas as datas conforme as disponibilidades que vão acontecendo.

Este é, também, o procedimento seguido pela Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH), que tem como Director Jorge Macedo, que hoje faz o balanço a este mandato, que termina no dia 08 de Janeiro próximo, dia de conclusão da Assembleia Geral Eleitoral iniciada a 11 deste mês.

“Com o intuito de atrair mais embarcações ao sistema de Rating ORC, em que a justeza desportiva está mais do que provada ao longo destes anos, e devido à enorme disparidade da nossa frota, ficou definido na reunião da Secção que a Classe Open não teria qualquer classificação”, explica este Dirigente.

Caracterizada por um espírito mais desportivo e menos competitivo, “a Classe Open existe para, alguns estrangeiros que se encontram de passagem pela Marina do Faial aquando da realização das provas, puderem participar, já que o sistema de rating obriga a um conjunto de medidas complicadas e morosas, nomeadamente os certificados, que são emitidos pela Federação Portuguesa de Vela (FPV), o que não permite a competição em Classe ORC”.


Jorge Macedo: “Os velejadores da Classe Open também merecem ser premiados”

Prémios para a Classe Open
Tendo em conta que, tanto em ORC como em OPEN os velejadores participam e empenham-se, “não é descabido que nas regatas mais importantes os participantes na Classe Open venham a ter prémio”, revela Jorge Macedo. A Atlantis Cup – Regata da Autonomia é certamente uma das provas que vai ser contemplada nesse aspecto.

Este Dirigente salienta, ainda, o facto de, tanto em 2013 como em 2014, a Classe Open ter registado quase tantos participantes como na Classe ORC no que concerne à Atlantis Cup. Como tal, frisa: “Temos de ter algum carinho para com estes participantes”. A novidade também deverá ser aplicada às Regatas Horta/Velas/Horta, Sanjoaninas e noutras em que a participação na Classe Open tem expressão.

A Atlantis Cup é, ano após ano, destacada em todos os balanços feitos, por se tratar da maior regata de vela oceânica de Portugal e que tem vindo a alargar o seu espectro de participantes. Basta referir que este ano contou com tripulações de Hong Kong, New Bedford, Portugal Continental, Madeira e Açores.

Em 2014 foram introduzidos os patrocinadores por etapa, que Jorge Macedo ambiciona serem “mais generosos em 2015”. E na opinião deste Dirigente “nem sequer foi muito difícil conseguir os patrocinadores por etapa”: BMW/Auto-Açoreana entre Santa Maria e Ponta Delgada; Quinta dos Açores entre Ponta Delgada e Angra e NOS Açores entre Angra e Horta.

Ralis Náuticos à Calheta de São Jorge e às Lajes das Flores
Recuando um pouco no tempo, até para que se possa estabelecer um paralelismo, este Director recorda que no mandato de 2011/2012 do calendário de provas da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH constavam 10 competições e neste mandato, que está prestes a terminar, subiu para 15.

Quando questionado sobre se a perspectiva é aumentar no mandato de 2015/2016, este Responsável responde: “Não podemos aumentar neste ritmo, caso contrário ficamos sem calendário possível, pois é preciso não esquecer que os velejadores têm outros afazeres”.

Foi precisamente por indisponibilidade de calendário que este ano ficou de fora a proposta vinda da Câmara Municipal da Calheta no sentido de o Clube Naval da Horta organizar um Passeio Náutico a esta vila jorgense, o que deveria ter acontecido no fim de Agosto. No entanto, este Dirigente adianta que esta prova vai ser tida em conta no Plano de Actividades da próxima época. Recorde-se que o CNH já organiza um Rali às Velas de São Jorge, que decorreu no passado mês de Julho. “O objectivo é andarmos nas ilhas do Triângulo”, sustenta Jorge Macedo.

Em 2013, o CNH recebeu um contacto por parte do Presidente do Clube Náutico das Lajes das Flores para organizar um Rali Náutico a este concelho por altura das Festas do Emigrante, no fim de Julho. Mas como coincide com a Atlantis Cup não tem sido possível. A solução passará por encontrar outra data, o que será revisto no próximo ano.


“O papel de promoção do Faial e dos Açores no Mundo, que é feito pelo CNH, tem de vir acompanhado do correspondente envelope financeiro”, alerta Jorge Macedo

Autoridades locais e regionais têm de repensar o papel do CNH
Instado a pronunciar-se sobre o que revelam estes convites/solicitações para organização de novas regatas a acrescentar a um calendário já de si muito preenchido, o Presidente da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH refere que “isso só pode significar que o Clube Naval da Horta é reconhecido pelas autoridades regionais como sendo um clube dinâmico e com uma grande capacidade organizativa”. No entanto, lamenta que “esse dinamismo tão abundantemente apregoado não seja acompanhado dos justos e necessários apoios financeiros, tendo em conta o papel preponderante que este Clube tem na projecção e divulgação do Faial e dos Açores no Mundo”. E prossegue: “Quando se sabe que foram canalizados para um Campeonato da Europa de Fórmula Windsurfing (o que representa apenas uma prova), verbas superiores às que recebemos para realizarmos toda a nossa actividade anual, incluindo duas regatas internacionais, é claro que quem anda a trabalhar no CNH se sente, pois lá diz o ditado que quem não se sente não é filho de boa gente. Penso que o CNH tem feito um excelente trabalho no que toca à promoção dos Açores, mais do que equipas de outras modalidades desportivas, nos campeonatos secundários nacionais, por exemplo, e recebe muito menos”. “Portanto – realça – não podem esperar que este grau de actividade se mantenha, quando há menos dinheiro”.

Após uma conversa mantida com o actual Presidente da Direcção, Jorge Macedo aceitou fazer mais um mandato, mesmo desmotivado, atendendo a que “não queria ser um dos responsáveis por deixar o CNH num impasse directivo”.

Funções directivas começaram em 1988
Jorge Macedo, um homem que de mar apenas sabia pescar e nadar, aceitou o desafio lançado pela primeira vez em 1988 para integrar os Corpos Sociais desta instituição, numa altura em que o líder escolhido foi Aurélio Melo.

Com manifesta paixão pelo futebol, transitou para a Vela de Cruzeiro de forma espontânea “e as coisas foram acontecendo”. Fui abraçando novas ideias e os projectos nasceram gradualmente”, recorda.

De lá até hoje, foram poucos os anos em que este Dirigente esteve afastado do Clube, com a particularidade de quase sempre ter sido Vice-Presidente e de sempre ter dirigido a Secção de Vela de Cruzeiro. Não é à toa que o actual Presidente da Direcção o classifica como “pedra basilar e estruturante”.

“Um Festival Náutico excelente!”
Em termos de participação, em 2014 a média de embarcações por regata de Vela de Cruzeiro fixou-se nas 9.

“A participação no Festival Náutico da Semana do Mar deste ano foi extremamente boa, muitíssimo melhor do que em 2013. Tivemos uma média de 20 embarcações por regata”, realça este Dirigente, enumerando: Regata dos Solitários: 17 embarcações; Regata “Troféu Horta”: 17; Regata das Sereias: 21 e Regata do Canal: 24. Embora esta última Regata seja, por tradição, muito participada, a verdade é que “há muitos anos que não atingia estes valores”. Só nestas 4 provas estamos a falar de 79 embarcações. Por isso, Jorge Macedo diz: “Esta gente precisa de abrir os olhos. Num horizonte de 30 barcos, termos 79 em 4 provas no Festival Náutico, é obra!

Relativamente ao Campeonato Local de Vela de Cruzeiro, o número regular de embarcações participantes foi de 8, “o que é muito bom”.

Na Prova do 67º Aniversário, a que se associou a competição de Vela a nível mundial em memória de Bart Simpson, o CNH contou com 11 barcos em prova tendo posteriormente os resultados sido enviados para Inglaterra.

A tendência registada no que concerne aos apoios, também se reflectiu nas Cerimónias de Entregas de Prémios, que “este ano sofreram um decréscimo muito acentuado”. A Regata da Marinha teve prémios oferecidos por esta instituição; com a Regata da Marina sucedeu o mesmo; na Regata da Volta à Ilha/MEO, o Clube ofereceu um pequeno lanche; na do Varadouro foi a Junta de Freguesia do Capelo quem assumiu esse encargo e na Regata Horta/Velas/Horta o apoio veio do Clube Naval e da Câmara Municipal das Velas.

As inscrições online vieram retirar “algum brilho aos briefings, onde tradicionalmente os participantes se inscreviam para as regatas, no decorrer de um beberete, mas como estes também começaram a não marcar presença, optou-se por fazer o briefing, muitas vezes, uns momentos antes da largada das regatas”, explica este Director, que confessa: “Só não tem havido mais Cerimónias de Entrega de Prémios porque não há dinheiro para isso”.

Apesar de todas as necessidades e omissões por quem de direito, “esta Secção cumpriu todos os objectivos a que se propôs”.

Actividade de 2014 em números:

Provas de calendário – média de participação: 9 barcos
Regata da Liberdade: 6 embarcações
Regata do Dia da Marinha: 13
Regata de Aniversário da Marina da Horta: 10
Regata Volta à Ilha do Faial/MEO: 6
Sanjoaninas: 6
Horta/Velas/Horta: 10
Varadouro: 10
Regata de Aniversário/Bart Bash: 11
Total: 72 barcos

Festival Náutico da Semana do Mar – média de participação: 20 barcos
Regata dos Solitários: 17
Troféu Horta: 17
Regata das Sereias: 21
Regata do Canal: 24
Total: 79 barcos

Atlantis Cup - Regata da Autonomia: 20 barcos

Campeonato Local de Vela de Cruzeiro: 8 barcos

Realizou-se ainda o Rali da Madalena

Calendário de 2014: 15 Regatas
Calendário de 2013: 15 Regatas
Calendário de 2012: 10 Regatas
Calendário de 2011: 10 Regatas