Rui Silveira, velejador do Clube Naval da Horta, já treina em Miami

“Vai ser uma época importante e a doer”, salienta Rui Silveira

A actual época do velejador da Classe Laser Standard do Clube Naval da Horta (CNH), Rui Silveira, será longa e muito intensa.

O velejador faialense embarcou este sábado, dia 10, rumo a Miami, nos EUA, e hoje, dia 11, começa a trabalhar lá, onde permanecerá até ao próximo dia 02 de Fevereiro. Durante esse tempo, Rui Silveira participará em 2 competições: Fort Lauderdel e World Cup Miami. A primeira constitui uma boa oportunidade de preparação para a segunda, a World Cup Miami, uma prova onde estará a nata da Classe Laser Standard.

“É o Campeonato do princípio da época. É a primeira regata, depois do Mundial das Classes Olímpicas de Santander, em que todos os atletas estão novamente reunidos para competir”, explica Rui Silveira.

Calendário muito preenchido
De 10 a 20 de Fevereiro realizar-se-á um Estágio em Portugal continental, com a participação de velejadores vindos de vários países.

Até ao final de Março estão fechados vários períodos de treinos, em Portugal continental, sempre com atletas estrangeiros. No início do mês de Março terá lugar o Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca, e no fim deste mês, realizar-se-á a World Cup em Hyeres, no Sul de França.

Este ano, Rui Silveira deverá treinar no lago de Garda, em Itália, e fará seguramente a Delta Loyd Regata, na Holanda, tal como aconteceu em 2013.

Depois temos o Campeonato em Scandia e a World Cup em Wembley, no Sul de Inglaterra.

Seguem-se o Campeonato da Europa, que este ano será na Dinamarca, e o Campeonato do Mundo, que se realizará no Canadá em Junho ou Julho.

Há uma pré-olímpica no Rio de Janeiro, no Brasil, no mês de Agosto. Trata-se de uma prova que a organização utiliza para testar a forma como serão os Jogos Olímpicos e que os atletas usam para treinar nos campos de regatas dos Jogos.

Novo sistema de apuramento das World Cup
“De Janeiro a Julho, o calendário é super-preenchido, não havendo interregnos. São provas e estágios constantemente. Vai ser uma época importante e a doer”, sublinha o atleta de Alta Competição do Clube Naval da Horta, que explica: “Este ano, o sistema de apuramento das World Cup será diferente. Para entrarmos nas World Cup temos de ficar classificados nos 25 lugares do ranking, logo a seguir aos 30 primeiros que já estão apurados e não contam para a contagem dos 25 seguintes. Ou seja, a contagem começa a partir do 30º classificado (mais 25 posições). Naturalmente, que o meu objectivo passará sempre por ficar nestes 25. E a pré-qualificação para as World Cup dá-se na prova anterior. Por exemplo, o Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca, servirá de apuramento para a World Cup de Hyeres.

O apuramento para a participação na competição de Scandia será feito na Delta Loyd Regata, em que terei de ficar nos 25 primeiros classificados (logo a seguir aos 30 anteriores já apurados)”, salienta Rui Silveira.

Esta inovação pretende tornar a Vela mais qualitativa, separando os atletas por escalões consoante a sua prestação: primeiro vêm as regatas de topo, como as World Cup, os Campeonatos do Mundo da ISAF (International Sailing Federation, em português: Federação Internacional de Vela) e os Campeonatos do Mundo da Classe e assim sucessivamente em escala descendente. “O objectivo – realça o atleta do Clube Naval da Horta – é limitar as vagas tornando as provas, sobretudo as mais importantes, cada vez mais qualitativas e competitivas. Cada vez mais serão apenas os melhores dos melhores a participarem no top dos tops, deixando as provas menos importantes para os restantes atletas, tendo em conta a sua prestação (apuramento”.

“Cabe-me estar preparado para os Jogos Olímpicos”
Quando questionado sobre se acha justo ocupar a vaga destinada a Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, tendo em conta que apurou o país na sua Classe, Rui Silveira responde assim: “Relativamente a isso, o que sei é que os Jogos Olímpicos decorrerão em Agosto de 2016, que Portugal está apurado e que o atleta que irá representar o país ainda não se encontra apurado.

A mim, cabe-me treinar e estar preparado. Pelo que percebi, a Federação Portuguesa de Vela (FPV) ainda não definiu os critérios ou o sistema de qualificação que irá usar para isso. Mas se seguir o modelo adoptado nos Jogos de 2012, posso dizer que é o mais duro. Nesse caso, conta o número de regatas indicadas pela Federação ao longo da época e o atleta que tiver melhores classificações no total dessas regatas, irá representar Portugal nos Jogos. A próxima época, que começou agora, vai ajudar a determinar isso”.

Quanto à preparação que esse desafio implica, o velejador faialense diz que, fisicamente, não está na perfeição, tratando-se de “um processo em construção”. E frisa: “Mas até lá, nas regatas importantes e decisivas vou estar como estive em Santander: em alta. Não tenho a menor dúvida. Estou realista quanto à minha eventual ida aos Jogos: será uma consequência da qualidade do meu trabalho como foi o resultado alcançado em Santander. Estou empenhado em trabalhar e os resultados desse trabalho hão-de levar-me até onde for possível.

Se eu trabalhar com pessoas que são extremamente profissionais e se o meu Treinador, que é profundamente conhecedor da Vela Olímpica e da Classe Laser, me disser que estou a trabalhar bem, acredito porque confio na pessoa com quem trabalho. Estou constantemente a trabalhar e os resultados estão a aparecer. Um desses casos aconteceu no Campeonato do Mundo das Classes Olímpicas, em Santander, em que em 2 dias de prova, ao longo de 4 regatas, consegui classificar-me nos primeiros 5 em 2 regatas. O trabalho feito ao longo da época que agora finda foi muito bom e bem planeado”.

Fotografia de: Cristina Silveira