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João Nunes faz o balanço aos 2 últimos anos de actividade da Secção de Mini-Veleiros do CNH e afirma: “Gostava de implementar a modalidade noutras ilhas”


José Gonçalves (de casaco preto) e João Sequeira (de casaco vermelho): os mentores dos Mini-Veleiros no Faial


Fotografia de: José Macedo

Há cerca de 12 anos que João Nunes faz parte da Secção de Mini-Veleiros do Clube Naval da Horta (CNH), durante muitos quais pertenceu a diferentes Direcções. Hoje, no fim de mais um mandato, este praticante faz o balanço à actividade desenvolvida ao longo de 2013 e 2014, recordando como tudo começou e fazendo o ponto da situação à modalidade que, com actividade regular na Região Açores, apenas existe na ilha do Faial. Por isso, este seccionista gostava de voltar a fazer diligências no sentido de implementar este desporto noutras ilhas, com a certeza do que o mais viável, devido à proximidade, seria organizar uma prova no Pico e outra no Faial para os velejadores destas duas ilhas. Isto, para que os faialenses possam ter alguma competição fora de portas, no Arquipélago.



O Nautimodelismo Rádio-Controlado começou graças ao gosto e entusiasmo de alguns praticantes, como José Gonçalves e João Sequeira, que há cerca de 15 anos decidiram fazer uma brincadeira com Mini-Veleiros rádio-controlados durante o Festival Náutico da Semana do Mar. João Nunes já conhecia José Gonçalves da Vela de Cruzeiro e aceitou o convite para ir ver a prova. Com o bichinho instalado, daí à compra de um mini-veleiro foi um passo.

“Depois desse primeiro contacto com a modalidade, comprei logo um barco e mais tarde comprei outro, melhor, e atrás do meu entusiasmo veio outro que viu e seguiu o exemplo, o que se foi repetindo”, explica João Nunes.

Estando por dentro da modalidade, durante algumas vezes este jovem foi convidado a integrar diferentes Direcções do CNH, ficando como Director desta Secção. Nos anos em que não fez parte do elenco directivo tem feito, em conjunto com outros colegas de desporto, a ponte com a Direcção, dando conta do plano de actividades, fazendo o ponto da situação, solicitando material de apoio ao Clube aquando das provas, tratando dos prémios, etc.


João Nunes: “Estou satisfeito com a forma como decorreu a actividade e com o facto de terem aparecido novos praticantes”

Número de praticantes aumentou em 2014
Tal como acontece em todas as modalidades, há aqueles que aparecem sempre, os que vêm com menos frequência e os que têm material e vontade mas, por diferentes razões, não praticam.

João Nunes refere que Néri Goulart pertence ao grupo dos mais antigos e, nessa altura, já tinha modificado totalmente o seu barco. “Embora tenha abandonado a modalidade, continua a ter o mini-veleiro. Outros, como João Sequeira, têm estado mais afastados devido a avarias nos barcos. No entanto, estão sempre activos e gostam de saber como vai a Secção”, garante.

Hedi Costa, detentor de alguns títulos neste desporto, começou por usar um dos barcos de Luís Quintino, mas desde há algum tempo que construiu o seu mini-veleiro, tendo feito com a sua mão “grandes modificações a fim de o tornar mais leve e ágil”. Eduardo Pereira, “também grande entusiasta da modalidade”, é outro dos que participa activamente há largos anos.

E porque o segredo é ver e experimentar, depois de testar o gozo da modalidade, António Pereira não quis ficar de fora, tendo mesmo não só construído o seu como ainda construiu um segundo que ofereceu a Mário Carlos. Perante esta simpática e desafiadora oferta, Mário Carlos fez-se ao mar, ou melhor, lançou o seu protótipo à água e não mais parou. Neste caso, além de praticante, também se tornou patrocinador, tendo a Turismar – Empresa de Actividades Marítimo-Turísticas, de que é proprietário – patrocinado o Troféu de Mini-Veleiros 2 anos consecutivos: 2013 e 2014. E João Nunes acredita que isso poderá voltar a ser uma realidade novamente este ano, confessando: “Estamos a falar de prémios simples, que no cômputo geral rondam os 250 euros para um ano inteiro. Os prémios foram simplificados no sentido serem pouco onerosos, mas representativos de cada um dos momentos de prova”.

Contagiados pelo núcleo duro, recentemente apareceram outros entusiastas, como é o caso de Nuno Rosa e Miguel Gonçalves, ambos com barco.

Bruno Gonçalves, também praticante, já tinha um mini-veleiro quando estudava em Lisboa, embora se trate de um modelo mais pequeno do que a maioria dos que existem no Faial.

Mesmo com estas oscilações, o número de velejadores está a aumentar e João Nunes salienta que em 2014 apareceram 2 novos praticantes, “o que é bastante significativo”.

Este velejador tem conhecimento de que “há muita gente entusiasmada que deve ser atraída para a Secção” e garante todo o tipo de apoio àqueles que manifestarem interessem em fazer parte deste grupo.

“Vamos manter-nos nesta classe acessível”
Algum investimento, gosto pela modalidade e tempo, são os requisitos a ter em conta para fazer parte da Secção.

“Embora se possa sempre modernizar o barco, neste momento atingimos aquele limite em que todos estão no mesmo patamar, em termos de qualidade”, garante João Nunes, que acrescenta, a propósito: “Já se pensou em evoluir e passar para um barco maior, que é aquele que é mais usado a nível nacional, mas isso é sinónimo de cada um ter de fazer um grande investimento. Enquanto um mini-veleiro, como aquele que usamos no Faial custa 150 euros, este maior tem um custo estimado de 1000 euros. É uma diferença grande”.

Refira-se que a nível nacional são utilizadas duas classes: uma mais pequena do que os que existem no Faial (do tamanho do mini-veleiro de Bruno Gonçalves) que, “para o meio faialense não interessa, pois são talhados para navegar em lagos, sem ondulação” e uma classe acima. “O tamanho acima era o que nós gostávamos de ter no Faial, que mede cerca de 1 metro, mas isso está fora de questão devido ao preço”, sustenta João Nunes.

Por tudo isto, este seccionista afirma: “Vamos manter-nos nesta classe que é acessível a qualquer pessoa, representa um investimento menor e permite-nos disfrutar à mesma deste prazer que constituem os Mini-Veleiros”.


“Não é possível haver competição a nível nacional e nos Açores só com o Pico, caso haja interesse em implementar a modalidade”

“Poderia haver uma prova no Faial e outra no Pico”
Uma vez que participar no campeonato nacional está fora de questão, atendendo às classes dos barcos, a solução é tentar criar condições a fim de desenvolver ou implementar a actividade noutras ilhas. Mas mesmo assim, o cenário não se afigura fácil, como explica João Nunes: “Em São Miguel há alguns barcos mas desconheço a classe. Já ouvi dizer que existem uns mais pequenos dos que os nossos e alguns iguais, mas em número reduzido. No Pico sei que há 2 ou 3 mini-veleiros e a Secção do Clube Naval da Horta já foi convidada, há anos, para ir às Lajes fazer uma demonstração a pedido do Clube Naval de lá com o intuito de incentivar a prática da modalidade, mas não houve resultados. Aconteceu o mesmo em relação à Terceira, tendo o Angra Iate Clube solicitado que dessemos apoio no sentido de mobilizar os poucos praticantes que havia. Mesmo com a nossa boa vontade e demonstração, não houve actividade. Portanto, também não é possível haver competição a nível regional”.

Neste cenário pouco animador em termos competitivos, João Nunes propõe o seguinte: “Para que o Faial tenha adversários nos Açores, já que é a única ilha que tem actividade regular no que toca aos Mini-Veleiros, defendo que deveria haver uma prova no Faial e uma no Pico, em que os praticantes de lá viessem cá, por exemplo na Semana do Mar, e os de cá fossem lá na Semana dos Baleeiros. Penso que isto seria mais fácil com o Pico tendo em conta a proximidade e os custos da logística (mais em conta). Mas para isso, é preciso que haja vontade e interesse do outro lado do Canal”.

Material vem da China
Num arquipélago onde não há praticantes de Mini-Veleiros que possam dar corpo a uma competição regional, não é de estranhar que também não haja lojas com equipamento disponível. Em são Miguel há um representante do vendedor das velas a nível nacional que faz negócio com o os velejadores faialenses, mas o grosso do equipamento vem directamente da China o que, mesmo com portes, “fica mais em conta do que os preços praticados em Lisboa”. Nova Zelândia, também é um mercado opcional no que toca a aquisição de velas.

Engenheiros por conta própria
José Gonçalves é um homem apetrechado no que diz respeito aos Mini-Veleiros e em casa tem aquilo a que João Nunes chama de “Estaleiro do Zé”. “Ele está habituado porque já faz isto há muito tempo e sempre que precisamos de fazer reparações, afinações, modificações, etc, juntamo-nos no estaleiro dele e fazemos o que é necessário. Todos ajudam consoante o que sabem, mas a verdade é que fazemos quase tudo com a nossa mão”, sublinha este praticante, que prossegue: “O João Sequeira também se dedica a estes barcos há muito tempo e é que construiu os seus protótipos. O Hedi Costa demonstra muita habilidade para os mini-veleiros e em casa tem feito várias modificações no seu barco”.

As modificações nos “Victorias” – tipo de barco comercializado nos EUA e em Portugal continental, e que representa a maioria e os melhores que existem no Faial – são sempre feitas no estaleiro de um dos pais da modalidade na ilha do Faial.


Victoria: os mini-veleiros que existem em maior número no Faial

Fotografia de: José Macedo

“Todos nos ajudamos e partilhamos o que sabemos”
A grande particularidade da Secção de Mini-Veleiros do Clube Naval da Horta assenta no facto de todos se ajudarem e partilharem os conhecimentos entre si.

“Colaboramos uns com os outros na manutenção do equipamento, fazemos encomendas de material em conjunto, participamos em convívios e somos todos amigos, independentemente de na água sermos adversários”, realça João Nunes, que dá um bom exemplo de como o fairplay vai ainda mais longe: “Inclusivamente, o Zé Gonçalves é pessoa para afinar o meu barco se este estiver a andar mal e depois o meu até pode ganhar ao dele, mas ele não se chateia com isso, porque isso até é positivo na medida em que nos obriga a uma evolução constante. Todos opinam e ajudam. Ninguém fica fechado no seu canto com o que sabe e conquistou. Há competição e cada um dá o seu melhor, mas somos todos muito amigos”, frisa João Nunes.

Embora todos levem a modalidade a sério e ninguém goste de perder, a verdade é que as provas são feitas a pensar no que vai acontecer a seguir. É que este grupo tem um ritual, que ninguém perde: todas as vezes que há uma prova, a seguir há convívio. “Tornou-se um convívio quase obrigatório e é isso que tem cativado toda a gente e mantido acesa a chama da modalidade. Há dias em que está frio e o tempo desagradável, não apetecendo ir fazer a prova. Mas vamos, porque sabemos que a seguir há convívio e vamos estar todos juntos, a conversar e a conviver. Falamos essencialmente sobre a modalidade: o que correu bem e menos bem, o material que está a faltar, o que devíamos fazer e isto ajuda-nos a evoluir enquanto velejadores, pois partilhamos informações, trocamos experiências e no fundo saímos todos a ganhar, incluindo a própria Secção. Entendo que é isto que tem alimentado esta Secção que, ao contrário de todas as outras, não tem apenas a vertente da competição, sem mais nada, em que cada um acaba e vai para casa”.

A amizade é tónica dominante entre os praticantes dos Mini-Veleiros no Faial, que contam com o apoio do público, incluindo alguns familiares, como Margarida Rego, que tira fotografias, e com a colaboração do júri que, “mesmo um pouco inexperiente, faz o seu melhor, estando sempre disponível para colaborar, porque, acima de tudo, gosta disto, como tem sido o caso de Nuno Costa e de Manuel Nunes.

“Há divulgação”
Questionado sobre a adesão do público e a relação directa com a divulgação que é feita, este praticante considera que, “desde há algum tempo, houve uma grande evolução no que toca à divulgação, com destaque para a Página do Clube”. E sublinha: “A divulgação existe e as pessoas que têm interesse, sabem. Se eu quiser estar inteirado das actividades que vão realizar-se este fim-de-semana no CNH, sei onde posso informar-me”.

João Nunes sabe que algumas pessoas saem de casa com o propósito de ir ver as provas de Mini-Veleiros, ao passo que outras no decorrer do seu percurso param e ficar ver as corridas. “Os miúdos gostam muito de ver estes barcos na água”, refere, salientando: “Naturalmente que estas provas não arrastam multidões como uma regata de Botes Baleeiros, mas há um público fiel e é na assistência que vamos captar novos praticantes”.

2014: 74 regatas e novas regras de pontuação
A Secção de Mini-Veleiros do CNH tem um calendário de provas que decorre ao longo de praticamente todo o ano, com uma pausa no Verão, “precisamente porque muitas pessoas estão envolvidas noutras modalidades”. Com um Troféu no início do ano e no último trimestre, há provas de 15 em dias que, por vezes, têm de ser adiadas devido às condições atmosféricas inadequadas.

A Regata de Nossa Senhora de Lourdes, no fim de Agosto, na Feteira, é ponto de honra, porque a Junta de Freguesia patrocina e faz questão de contar com esta actividade no programa festivo.

O mesmo se pode dizer da Regata do Varadouro, no início de Setembro, no âmbito da festa de Nossa Senhora da Saúde, também patrocinada pela Junta de Freguesia. Neste mês, é ainda realizada a Regata de Aniversário do Clube Naval da Horta.

Com um total de 74 regatas realizadas em 2014, João Nunes afirma que “o objectivo é manter este figurino”.

A Classificação geral do ano passado mostra que foram 15 os velejadores que, no total, participaram nas provas do calendário anual, embora a frequência entre os mesmos seja bastante variável. João Nunes ficaria “muito feliz” se um dia conseguisse ter estes 15 em prova, mas recorda que em 2014 houve uma prova que contou com 13 participantes. “Foi um espectáculo!”, frisa, já que a média é de 6/7 velejadores por prova.

No sentido de premiar a regularidade, em 2014 as regras de pontuação sofreram alterações. “Anteriormente, só 50% das provas é que contava para efeitos de classificação no Campeonato de Ilha”, explica este praticante. Por isso, quem fizesse metade das provas e obtivesse bons resultados, estava, por assim dizer, dispensado de fazer o restante, o que se tornava injusto para quem primava pela assiduidade. Como incentivo à participação, foi instituído no ano que agora findou, um total de 75% das provas. “E os resultados viram-se, já que se registou uma maior participação”.

Neste novo esquema, o segredo para cada uma se manter na luta é participar sempre, já que para efeitos de classificação conta não só os resultados como o número de provas realizadas.


“Decidimos premiar a assiduidade dos participantes nas provas”

Campos de regata alternativos e o indoor
Embora os campos de regata habitualmente utilizados não sejam os ideais, porque muitas vezes é preciso mudar bóias devido ao tráfego marítimo, a verdade é que a Secção de Mini-Veleiros se adapta ao que existe e fazer mudanças não tem constituído um problema.

Em termos de ambição, João Nunes confessa que “todos gostavam de um dia fazer um indoor, numa piscina”. Para isso seria necessário autorização e um apoio para instalar ventoinhas na piscina com o objectivo de haver vento. “Nunca se fez no Faial um indoor de Mini-Veleiros e é uma actividade engraçada e diferente que, certamente mobilizaria muita gente”, constata este praticante.

Possível será repetir as (duas) experiências realizadas nos tanques de água da Câmara Municipal da Horta, situados nos Flamengos, que, por constituírem “um campo de regata grande e controlado, com vento mas sem ondulação e com uma vista fantástica sobre a ilha, são motivo de boas recordações por parte dos velejadores”. Neste caso, há permissão por parte da autarquia.

Fazer uma prova numa praia, como a de Porto Pim, também não é completamente descabido, embora implique outra logística. “Vamos começar a utilizar mais a piscina artificial da Feteira, que é engraçada, diferente e sempre com muita assistência de banhistas no Verão, quando realizamos lá a Regata da Senhora de Lourdes”, assegura João Nunes.

Fotografias de: Cristina Silveira