“A Figura do Mês” - Juliana Nóbrega: “O CNH tem sido uma pedra basilar na formação dos nossos jovens”

É da Madeira (cresceu no Funchal) mas foi nos Açores que aprendeu a pescar. O gosto ganhou-o à custa do marido, Fernando Pereira Nóbrega, que esteve ligado ao Clube Naval da Horta (CNH) durante vários anos como Responsável pela Pesca de Costa. Falamos de Juliana Nóbrega, que não só herdou essa liderança do marido como colaborou activamente na Secção de Vela Ligeira, tendo trabalhado com vários Presidentes no CNH ao longo de mais de 30 anos. É esta mulher – dirigente, pescadora, activa, dinâmica, amiga e defensora do Clube Naval da Horta – a primeira “Figura do Mês” deste novo ano de 2019. 

“Consegui adaptar-me a isto e fiz grandes pescarias”

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“Eu ia para a doca esperar dentro do carro por meu marido e ele para me entusiasmar, comprou-me uma caninha”

“Cheguei ao Faial em 1973. O meu marido veio à frente preparar a abertura do Centro de Emprego – o meu trabalho na Madeira – que ainda não existia no Faial. Isto ainda no tempo do Fascismo. A abertura do Centro de Emprego foi uma exigência do meu marido ao Ministro da altura, atendendo a que, apesar de haver concurso, ninguém queria vir para as ilhas. Primeiramente fomos para São Miguel, porque também éramos ilhéus e porque pediram muito a meu marido – que era assistente da abertura das Casas do Povo – que aceitasse esta colocação. Morei 6 anos em São Miguel e gosto sempre muito desta ilha. Os Açores têm belezas que o resto do país não tem!

Os primeiros tempos no Faial foram passados num hotel até que houvesse uma casa onde pudessemos instalar-nos com os nossos móveis, o que não foi fácil, tendo em conta que era tudo edifícios velhos e com poucas condições. Mais tarde lá arranjámos uma casa na Ladeira de Santo António, pois já estávamos cansados de hotel.

Com a abertura do Centro de Emprego, o Ministro exigiu que o Dr. Mesquita cedesse um dos seus gabinetes, já que ele tinha dois: um como Delegado do Inatel e outro como Delegado de Trabalho, e então ele ficou na parte de Delegado de Trabalho e eu fiquei no gabinete dele do Inatel. Apesar de todos estes anos no Faial, continuo a preferir a minha terra, como é normal, mas os filhos e os netos suplantam a vontade de regressar ao torrão natal. Naturalmente que vou sempre à Madeira, pois preciso de ir “lavar o cérebro!” A Madeira tem muito Turismo e está vocacionada e preparada para receber. Penso que esse é um aspecto em que os Açores ainda têm de crescer. É preciso haver formação para que a mentalidade seja outra, no sentido de uma maior abertura e disponibilidade para acolher com simpatia, profissionalismo e disponibilidade, fazendo com que os visitantes se sintam em casa. Tenho espírito de negócio, pois sou filha de comerciante e aprecio muito as tabernas, as tascas, as barraquinhas, onde se encontram pessoas genuínas e os verdadeiros petiscos, dando dois dedos de conversa aos naturais da terra.

Com a mornaça que grassava por aqui, tínhamos de arranjar uma actividade para dar vida aos tempos livres. Perto dos anos 80 comecei a pescar com meu marido, tendo em conta que ele era o Director da Secção de Pesca Desportiva de Costa do Clube Naval da Horta. Por vezes ele também pescava.

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Uma mulher entre homens - Juliana Nóbrega: “Gosto sempre de ir para onde está gente, pois vejo a pesca como um convívio”

Fotografias de arquivo de: CNH

Quem incutiu este vício a meu marido foi o pai do Carlos Fontes e eu ficava doida, porque ele não gostava de ir sozinho e pedia-me sempre para o acompanhar. Verdade seja dita que eu também nunca apreciei pescar sozinha. Gosto sempre de ir para onde está gente, pois vejo a pesca como um convívio.

Eu ia para a doca esperar dentro do carro por meu marido e ele para me entusiasmar, comprou-me uma caninha para eu entreter-me em baixo enquanto ele pescava em cima, no redondo. E em baixo eu apanhava e em cima ele não. Era cada peixe que eu pescava! Besugos e sargos. E comecei a entusiasmar-me por esta actividade! Curiosamente não tenho ninguém na minha família que perceba sequer de um anzol!

Eu não sabia estorvar anzol, engodo ou iscas. O meu marido é que preparava tudo. Entretanto ele morre e eu pensei: “E agora?” E estive um ano sem pescar. Mas a malta tirou-me o juízo e eu disse: “Vou voltar a pescar!” O que é certo é que tive de aprender a estorvar anzóis, fazer engodo, preparar iscas. Nunca mais foi como dantes mas lá fui aos poucos e comecei a ganhar prémios.

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“Na altura, andava mesmo nos primeiros lugares”

Fotografia de: José Macedo

Confesso que é um bocadinho difícil preparar isto tudo, porque é preciso perceber e ter muita paciência! Consegui adaptar-me a isto e fiz grandes pescarias. Na altura, andava mesmo nos primeiros lugares. Aplicava-me, não era como agora em que ponho o carro ali perto para quando estou farta vir sentar-me. 

Eu fazia frente a eles

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Carlos Medeiros, Moisés Sousa, José Escobar, José Silva, António Silva, José Armando, José Alberto e Juliana Nóbrega 

Fotografia de: Carlos Medeiros 

Nesses tempos, os grandes pescadores eram o José Macedo, o Carlos Medeiros, o José Alberto Rosa e outros. E eu fazia frente a eles. Houve mesmo um campeonato em que a discussão do título estava entre mim e o José Macedo. Eu ainda guardo o jornal com essa notícia. Quando se deu essa situação, pensei: “Ainda vou gozar o José Macedo”. Ele era dos bons! Sabia pescar! Para fazer frente a ele não era qualquer um.

Ao contrário de agora, havia três ou quatro mulheres a participar nas provas. Uma delas era a Anália Silveira, que está na América, e uma outra trabalha no Hospital, que é a mulher do Frias. Embora não se distinguissem pelos resultados, a verdade é que esta actividade entusiasmava bastante o sector feminino! 

A malta de São Miguel era muito amiga da do Faial 

Eu cheguei a ir a Ponta Delgada como pescadora do CNH, integrada numa equipa de quatro mulheres, participar numa prova a convite do Clube de lá. E deu-se o caso de termos ido dois anos consecutivos com uma equipa feminina a São Miguel. Isto nos anos 80. Nunca mais aconteceu essa proeza. Na altura, o José Macedo também ia. Lembro-me de que estávamos a pescar na Lagoa do Fogo, em São Miguel, e de repente quando dou por mim – a gente subia aquilo tudo e descia para chegar à Lagoa do Fogo e ir às trutas – assustei-me, porque deixei de o ver. E pensei: “Será que aconteceu alguma coisa?” E a páginas tantas dei com ele lá à frente só com a cabeça fora da água! A pesca às trutas faz-se dentro da água. Eles emprestavam-nos os fatos próprios, arranjavam-nos a isca, as canas (usávamos umas caninhas pequeninas para corricar as trutas), tudo! Proporcionavam-nos todas as condições. Ficávamos hospedados numa residencial em que pagavam a comida, a estadia. A malta de São Miguel era muito amiga da do Faial. Era giro e eu gostava daquilo! Mas dava muito trabalho e era cansativo subir e descer todo aquele percurso. Era um convívio muito grande e muito bom! Gostei muito dessa altura!

No pódio entre mais de 400 pescadores

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“Quando viram uma mulher, pensaram que era alguém que tinha ido dar o passeio. Nunca deram nada por mim” 

Fotografia de: José Macedo

Também pesquei no Inatel mas organizávamos os calendários por forma a que as provas não coincidissem tendo em conta que algumas pessoas pescavam no Inatel e no CNH. E houve um ano em que fiquei nos primeiros lugares do Campeonato do Inatel tendo sido apurada para ir ao Continente português. Os pescadores eram divididos por grupos, sendo que cada grupo tinha mais de 200 pessoas. No meu grupo tinha também do Faial o Carlos Medeiros e o José Silva mas como o José Silva era melhor pescador do que a gente, íamos atrás dele e ele fugia sempre, até que eu disse: “Carlos, vamos ficar por aqui. Não vale a pena correr, porque o José Silva não quer a gente com ele”. Pois olha, ele não apanhou nada, o Carlos ficou em 2º lugar e eu em 3º num universo de mais de 400 pescadores. Lá fora, eles disseram que quando viram uma mulher pensaram que era alguém do Inatel que tinha ido dar o passeio. Nunca deram nada por mim”.

Directora da Secção de Pesca de Costa por vários mandatos

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“O facto de a doca ter fechado também ajuda a que eu vá muito menos vezes à pesca”

Fotografia de arquivo do: CNH

“Fui muitas vezes convidada para ser a Directora da Secção de Pesca Desportiva de Costa do CNH mas nunca aceitei e quem me pediu muito, muito, foi o João Garcia e lá aceitei. Depois, também trabalhei com o Hugo Pacheco e eu dizia sempre que era o último mandato em que colaborava, pois não tinha tempo para os meus netos. A seguir vem o Fernando Menezes, que também me pediu, e como somos muito amigos não pude dizer que não mas já quando foi o José Decq Mota eu disse: “Vai desculpar-me mas não continuo à frente da Pesca de Costa”. E fiquei na Assembleia-Geral. Mas estou sempre ligada ao Clube. O meu afastamento de cargos teve a ver com problemas de saúde. Há 3 anos estive internada com (quase) uma pneumonia por causa de uma constipação valente que apanhei e que nunca havia sido curada. Depois disso, fiquei com medo do frio e agora quando o tempo não está bom já não vou pescar. Vou uma vez por outra. O facto de a doca ter fechado também ajuda a que eu vá muito menos vezes à pesca.

Participei na Prova de Aniversário do CNH do ano passado e fiquei em 2º lugar à frente de tantos que sabem pescar melhor do que eu, pois são novos e têm muitas ideias.

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Fernando Menezes, Juliana Nóbrega e Fernando Nascimento: uma amizade dentro e fora do CNH 

Fotografia de: José Macedo 

Para pescar é preciso gostar

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“Quando se sente o primeiro toque, está instalado o vício e nunca mais sai”

Para pescar, a primeira coisa que é preciso é gostar. É bom ter um amigo que convide e tire o juízo e quando se sente o primeiro toque, está instalado o vício e nunca mais sai.

Para pescar tenho de ter companhia, folia! Vejo a pesca como um convívio. Nem sequer levo para casa o peixe que pesco. Normalmente é mesmo só para dar.

Os meus dois netos gostam da pesca mas o mais novo, o Miguel, quer é andar debaixo de água. Eu levava o João muita vez para pescar comigo e ainda hoje ele gosta de ir de cana com os amigos pescar o seu chicharro. Mas também aprecia muito a pesca submarina. Estão mais virados para a pesca submarina do que para a de costa.

Comecei com a Pesca Infantil na Semana do Mar 

A Prova de Pesca Infantil, que se realiza no decorrer do Festival Náutico da Semana do Mar, organizado pelo CNH, tem sempre uma grande adesão por ser no período em que muita gente está no Faial de férias. E muitos desses miúdos nunca sequer viram o mar. Essa iniciativa partiu de mim há uns 15 anos. Ao princípio eu é que preparava tudo para as crianças. Ia para o campo apanhar e preparar as caninhas para os caniços, punha o ‘nylon’, o anzol, o chumbinho, fazia isto tudo para eles. Era muito trabalho e de ano para ano cada vez apareciam mais crianças na Prova. Deixei de fazer isso por falta de tempo. Depois, a Prova de Pesca Infantil passou a coincidir com a Prova de Apneia, também na Semana do Mar, e como quero ver o meu filho [Paulo Nóbrega], o meu neto [Miguel Nóbrega] e a minha nora [Simone Martins] raramente consigo estar disponível para acompanhar a Pesca dos miúdos. Em consequência disso, há pais que me dizem: “Ah, a senhora não vai, o meu miúdo também não, pois temos medo que ele possa cair ao mar ou acontecer alguma coisa”.

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Juliana Nóbrega e o neto Miguel exibem uns belos exemplares

Fotografias de: Paulo Nóbrega

Eu era a Directora da Secção de Pesca Desportiva de Costa do CNH mas tinha muito trabalho na Direcção. Muito trabalho! Muitas vezes não havia pessoal para ir fora acompanhar as crianças da Vela Ligeira e eu ia sempre que me pediam. Fui várias vezes à Terceira e a São Miguel, porque eram muitos atletas e precisavam de apoio. Ajudei muito na Vela, pois alguém tinha de avançar. Isto no mandato do Fernando Menezes, em que era Treinador o Pedro Cipriano.

O Clube prende muito as pessoas, principalmente no Verão. Isso acontecia comigo e por causa do CNH não conseguia tirar férias na altura do bom tempo.

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Juliana Nóbrega era um elemento polivalente no CNH. A foto representa a viagem em que acompanhou os velejadores faialenses à Terceira, em 2011

Fotografia de arquivo do: CNH 

O desporto desvia os jovens de maus caminhos

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“O CNH não representa só desporto, títulos e recordes mas tudo o que está por trás” 

Fotografia de: Paulo Nóbrega

Na minha opinião, é muito importante eles começarem de pequeninos, porque o começo de tudo se não for enquanto são crianças/adolescentes, depois é muito difícil entrarem num determinado desporto.

O CNH tem muita criançada e comunica imenso com as Escolas. Antigamente nem tanto mas ultimamente isso acontece bastante. É a altura certa para chamar as crianças ao Clube e dar-lhes a oportunidade de praticar um desporto. E eles gostam!

O meu neto Miguel está todo entusiasmado com o Xadrez. Já se inscreveu para frequentar as aulas no CNH. Podemos pensar que o Xadrez e outras actividades não têm ligação ao Clube mas tudo é importante para motivar os mais novos e iniciá-los no desporto. Penso que no Clube Naval da Horta até podia funcionar uma Escola de Línguas. Acho muito giro! Na Madeira há. É muito interessante haver outras opções. O Clube é virado para o mar mas não faz mal proporcionar outras actividades, o que poderia ser uma boa aposta para captar pessoas com outros interesses e para preencher os tempos livres dos mais novos.

É verdade que os jovens já têm muitas actividades mas são todas diferentes. É possível conciliar a Escola com a Natação, a Vela ou outro desporto. Se o tempo for bem gerido chega para tudo e eles sentem-se realizados na vertente desportiva. Falo pelo meu neto mais novo, o Miguel, que está na Apneia, no Ténis e no Futebol e na Escola tem também a parte desportiva e não é por aí, pois ele só tem quatros e cincos. Aliás, ele só teve um quatro e o resto foi tudo cincos. Ele gosta de estar ocupado.

Na minha maneira de ver, o desporto é essencial para os jovens de hoje em dia, desviando-os de maus caminhos. Temos exemplos de miúdos a quem demos a mão e hoje em dia são grandes homens! Com muita cabeça, porque tiveram a mão amiga do Clube.

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“As pessoas que andam mais próximas do Clube vêem, de facto, o trabalho que isto dá”

O CNH é uma grande Escola e como tal devia ser olhado de outra forma por quem tem responsabilidades governativas.

O Clube Naval da Horta não é só para ganhar provas e títulos. Nesta instituição náutica não se aprende apenas desportos mas todo um conjunto de aspectos que podem passar despercebidos a muita gente mas ficam para sempre registados na vida de cada jovem que passa por aqui. Não estamos a falar só do desporto e dos recordes mas de tudo o que está por trás.

O CNH tem sido uma pedra basilar na formação dos nossos jovens nas mais diversas modalidades, representando uma caminhada de aprendizagem para a vida. Acho que muitos mais podiam frequentar o Clube. É verdade que a maioria sai para prosseguir estudos universitários mas garantidamente fica lá dentro a semente e o tempo que eles aproveitaram nesta “casa” mais tarde vai ser muito valorizado! Vão sentir que valeu a pena e vão orientar a sua futura família no mesmo sentido. O CNH vai ter muito futuro com estes jovens!

Os principais elementos da Direcção têm de ser compensados

Penso que cada vez mais vai ser difícil encontrar Direcções para o CNH, porque o amor à camisola é muito bonito mas já passou o tempo disso! Na minha opinião – e já o afirmei várias vezes publicamente havendo muita gente que concorda comigo – os principais elementos da Direcção têm de ser remunerados, como acontece em qualquer outra instituição. São muitas horas dadas à causa pública! Tudo à borla não pode ser. Sei de muitos que trabalharam bastante neste Clube e nunca sequer ouviram uma palavra de apreço. Todos os que passaram por esta “casa”, dando o seu melhor gratuitamente, merecem o nosso carinho, assim como os Sócios, sobretudo os que trabalham afincadamente como é o caso daqueles que integram Direcções e levam a sério os seus encargos.

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“Não se pode comparar o que acontece nos outros clubes dos Açores com o que se verifica no CNH, em que as actividades são uma constante ao longo de todo o ano!”

Fotografia de: José Macedo

As pessoas que andam mais próximas do Clube vêem, de facto, o trabalho que isto dá. No CNH, a Direcção trabalha, trabalha, trabalha e não tem direito a nada mas todos os outros sectores de apoio ganham, como é o caso dos Treinadores, dos Monitores, etc. O Governo tem de olhar para isto de outra forma e ajudar financeiramente um pouco mais o CNH. Sou defensora de que haja um administrador que possa gerir esta “casa”, ganhando para isso, e os outros elementos devem ter uma recompensa. Sempre achei isto. É que é muito trabalho. E cada vez vai ser mais!

Felizmente que agora há um grande número de Voluntários para colaborar na preparação dos lanches de mar e sua distribuição, pois no meu tempo a gente é que fazia isso tudo quase sozinhos Havia Voluntários mas eram poucos. A gente trabalhava aí muito e muito!

No CNH, a Semana do Mar é muito, muito desgastante! Muita gente pensa que isto dá pouco trabalho mas não é assim. Quem anda por fora não tem noção. Por acaso a Câmara Municipal da Horta tem, pois o actual Presidente passava aí  muita vez e via-me a trabalhar tanto que chegou à Câmara e propôs logo que eu fosse homenageada pelo trabalho levado a cabo no Clube. Quando fui contactada por eles pedi para terem cuidado, pois podia haver quem tivesse trabalhado mais do que eu e que nunca tivesse recebido um louvor mas a resposta que me deram foi de que todos tinham sido unânimes nessa decisão. Isto aconteceu há uns 4 ou 5 anos.

Pelo que ouço, há muita gente que dá valor ao que se faz no Clube Naval e que diz: “Ainda bem que o José [Decq Mota] vai aguentando isto”. Isto desgasta muito quem está à frente, porque enquanto os outros clubes têm uma Secção, o CNH tem 12! Não se pode comparar o que acontece nos outros clubes dos Açores – mesmo em ilhas grandes e com mais do que um clube – com o que se verifica no CNH, em que as actividades são uma constante ao longo de todo o ano! Estamos em Janeiro e acabou de se realizar uma Prova do Campeonato Regional (PCR) de Vela Ligeira no Faial! 

Claro que se o cargo de Presidente desse dinheiro era fácil haver mais candidatos mas atenção que não é qualquer pessoa que pode ser Presidente do CNH. Tem de ser alguém que perceba de mar, que fale um bocadinho de inglês e francês (ou tenha quem o ajude nessa área) e não seja conflituoso.

Conheci vários Presidentes, gostei de todos e trabalhei muito bem com todos eles. É fundamental que a Direcção seja uma equipa que se dê bem a trabalhar.

O CNH é um cartaz turístico do Faial

O Clube pode continuar com este ritmo e até aumentar mas tem de haver pessoas para tudo isso. Não é só com os elementos da Direcção que é possível fazer este trabalho todo. Tem de haver mais gente envolvida. Sabemos que há muitos Voluntários dispostos a colaborar, o que é extremamente positivo, mas é preciso que sejam seguros, ou seja, que dêem andamento àquilo que se propõem fazer.

Se não houver mais apoio financeiro não dá para continuar a trabalhar nos moldes actuais. As instalações então nem se fala! É uma situação que vem de longa data. Sempre conheci o CNH com problemas de instalações e acho que a solução não vai ser para breve.

Compreendo que não se pode fazer tudo ao mesmo tempo; no entanto há que olhar para o CNH com outra atenção na medida em que é uma porta aberta para quem chega, um cartaz turístico do Faial! Muita gente passa pelo CNH, principalmente de Verão! Desde os locais até aos internacionais (iatistas, turistas, barcos-escola, etc). É urgente apresentar algo mais dignificante.

As Direcções têm de reivindicar sempre e exigir do Governo uma ajuda. O que o Clube tem não chega para o dia-a-dia quanto mais para obras!

Toda esta situação também contribui para a dificuldade em encontrar quem queira encabeçar uma lista, pois uma pessoa que se candidate a Presidente do CNH pensa logo: “Que condições tenho ali para trabalhar?”

Acho que o CNH faz muito com o pouco que tem.

Tenho amor a este Clube!

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“Quem não conhece o CNH não sabe o que perde, pois é um mundo de oportunidades formativas e de crescimento a todos os níveis” 

Fotografias de: Cristina Silveira 

Eu nunca deixaria o CNH, porque tenho amor a este Clube. Sempre gostei disto e não há quem possa afastar-me da amizade que sinto pelo Clube Naval da Horta. Apesar de os meus filhos não terem inclinação pelo CNH – o meu filho ainda ganhou uns prémios na Vela mas não teve continuidade; noutros desportos sim, como é o caso da Apneia – eu e o meu marido sempre adorámos isto. Este Clube contribuiu para que a minha vida fosse diferente na envolvência que tive em actividades desportivas. Valeu a pena!

Faço um apelo às pessoas para que se façam Sócias do Clube Naval no sentido de ajudar esta instituição. A quota mensal – são apenas 3 euros – não é nada que uma pessoa não possa pagar e com esse gesto podem ter a certeza de que estão a colaborar com uma instituição muito importante para a nossa Terra, para os nossos filhos e para os nossos netos!

A ideia que tenho é que fora da cidade o Clube é pouco conhecido, porque não há transportes que permitam às crianças deslocarem-se ao fim-de-semana e em horários mais tardios. Quem não conhece o CNH não sabe o que perde, pois é um mundo de oportunidades formativas e de crescimento a todos os níveis.  

Durante o Festival Náutico da Semana do Mar nota-se uma grande afluência de pessoas. Sabemos que nem todos vêm para o Clube mas a verdade é que muitos gostam de ficar na avenida a ver as provas, as regatas e a beleza que é este Canal cheio de barcos e de actividades! Mas seria interessante haver uma maior aproximação no sentido de mais pais perceberem que os seus filhos também são capazes de fazer aquilo que os filhos dos outros estão a realizar no mar.  

Espero que o CNH vá sempre progredindo a bem dos nossos atletas, da ilha e dos Açores, pois a missão que esta instituição desempenha é crucial para o desenvolvimento desportivo, social e turístico do Faial!”

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