“A Figura do Mês” - Mário Carlos: “A aposta nas freguesias do campo, como forma de reforçar e manter as Secções, seria uma saída para o CNH”

Assume-se como um homem do Desporto e da Cultura e o seu percurso comprova isso mesmo. Aos 7 começou no Folclore e volvidos 42 anos continua a bailar, sendo, também, ensaiador e mandador.

O gosto pela Natureza iniciou-o na Lavoura e deu-lhe ferramentas que facilitaram a gestão da sua empresa de Actividades Marítimo-Turísticas “Turismar”, sentindo-se realizado por poder fazer aquilo de que sempre gostou: comunicar e contactar com pessoas de outros mundos.

No Clube Naval da Horta (CNH) encontrou amigos para a vida e marcou pontos no Remo.

Nos Botes Baleeiros criou outra família e na Secção de Mini-Veleiros veste as camisolas de praticante e patrocinador, fazendo da sua “70” (quiosque de actividade turística) um ponto de encontro, onde se convive, discute, petisca e confidencia muitas histórias, só reveladas se as paredes falassem.

Falamos de Mário Luís da Terra Carlos, “A Figura do Mês” de Agosto de 2019, que, nesta entrevista, revelou ser um homem multifacetado.

“Durante 7 anos pertenci a 2 Grupos Folclóricos em simultâneo”

mario carlos 2

Mário Carlos a ser congratulado pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa 

“Sempre lidei com pessoas e fiz um pouco de tudo. Também sempre gostei de prestar serviços”, nota Mário Carlos.

Os intercâmbios com outros grupos, possibilitados pelo Folclore, trouxeram ao de cima o líder natural que sempre foi. “Acho que tenho vocação para lidar com as pessoas, para ajudá-las, encaminhá-las”.

Sendo alguém dedicado ao desporto e que privilegia o contacto com a mãe natureza, o nosso entrevistado jogou Ténis de Campo, Futsal, Basquetebol, Andebol e Futebol, este último em torneios do Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres (INATEL) sempre representando Pedro Miguel. Também praticou Atletismo durante 7 anos, fez Ciclismo federado (corta-mato) durante 3 anos, tendo ido a São Miguel e à Terceira, e, mais recentemente, realizou 3 Trail’s.

Os primeiros passos na área cultural aconteceram há 42 anos – tinha 7 – quando ingressou no Grupo Folclórico Infantil de Pedro Miguel.

mario carlos 3

Mário Carlos: “O meu pai já bailava chamarrita e também era mandador”

“Na minha freguesia conviviam 2 Grupos Folclóricos: o dos pequenos e o dos grandes. Comecei no dos pequenos e passado pouco tempo fui para o dos grandes. A minha primeira função foi ser bailador e porta-estandarte; depois iniciei no bandolim e de seguida passei a bailar. Tinha queda para isso, porque vinha de família. Normalmente é assim. O meu pai já bailava chamarrita e também era mandador. Antigamente, no campo, os homens ocupavam-se com estas coisas e desde muito novo que me dediquei à parte cultural e desportiva. No meu tempo de adolescente e jovem havia nas freguesias os Centros Culturais e quase toda a juventude estava inserida nesses Centros, praticando desporto e envolvendo-se em actividades culturais. Hoje, o que domina são as ‘playstations’ e os computadores”.

O Folclore permitiu a troca de convivências e o contacto com novas pessoas, despertando a vontade de conhecer mais e mais. Os intercâmbios proporcionaram alguns passeios à Madeira, ao Continente português e a todas as ilhas dos Açores, à excepção de Santa Maria.

“Durante 7 anos pertenci a 2 Grupos Folclóricos em simultâneo: ao de Pedro Miguel e ao dos Flamengos. Neste último bailava e também ensaiava. Isto, porque eu era muito amigo do Presidente da altura, o Paulino Tavares, que tanto andou atrás de mim que acabei por associar-me. Nos Flamengos comprovei aquele ditado que diz que o que vem de fora é sempre melhor. E a verdade é que fui muito acarinhado lá.

Eles gostavam de agradar a quem vem de fora e eu só tenho a agradecer àquela gente,  sobretudo ao Paulino Tavares, pois gostei muito da experiência. Depois, a vida mudou e tornou-se muito difícil aguentar este ritmo. Como tal, tive de abdicar dos Flamengos e optei por continuar no Folclore da minha freguesia.

mario carlos 4

“Acho que tenho vocação para lidar com as pessoas, para ajudá-las, encaminhá-las”

O futuro tem de ser assegurado por pessoas da freguesia

Recentemente, e na sequência de um pedido de colaboração, estive envolvido a ensaiar o Grupo para participarmos num festival de folclore, do Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira (COFIT), que decorreu no dia 16 deste mês. Estamos a falar de um dos maiores festivais de folclore a nível mundial, com uma exigência muito grande, em que participam grupos internacionais e nacionais.

É um Festival de renome e coube ao Grupo Folclórico de Pedro Miguel representar os Açores, o que foi sinónimo de uma grande responsabilidade.

Neste momento, o Grupo conta com muita malta nova, que veio, digamos assim, fazer o resgate da profunda crise vivida e que quase levou à sua extinção.

O grande suporte ao longo dos anos foi a integração no próprio Grupo dos filhos (que  foram nascendo) dos elementos. A partir do momento em que essas novas gerações deixaram de ter gosto em dar continuidade ao nosso Grupo, ficando só os pais, tivemos de aceitar pessoas de fora da freguesia e o futuro torna-se periclitante, pois  quem vem de fora não tem aquele “bichinho” e passado 1 ano ou 2 desiste.

É importante seguirmos a nossa vocação 

Considero que o Folclore é uma excelente forma de os miúdos estarem ocupados, o que os desvia do computador. É bom que os mais novos tomem gosto por outras actividades e que saibam fazer um pouco de tudo. A preparação para o mundo do trabalho é fundamental e a realização pessoal também. Eu falo por experiência própria, pois actualmente poderia ser funcionário público. Também concorri para a Guarda Nacional Republicana, neste caso Brigada Fiscal, mas achei que não era o lugar certo para mim.

Quando vim da tropa fiz o Curso de Inseminador mas como o quadro estava completo, fiquei a trabalhar na Associação de Agricultores durante alguns anos. Contudo, anseava fazer algo relacionado com o Turismo e lidar com o público, pois sempre gostei muito de conviver com as pessoas. E foi esse gosto que me levou a abrir a minha empresa.

Costumo dizer que quem não tem a possibilidade de viajar muito compensa com os turistas que vêm e que partilham outras vivências e conversas. Fui-me adaptando ao longo da minha vida e hoje posso dizer que faço aquilo de que gosto”.

“Comigo, o cliente quando chega ao Faial vai fazer aquilo de que gosta”

mario carlos turismar 5

A “Turismar” nasceu do gosto de Mário Carlos pela natureza e pelo mar 

A “Turismar” é uma Empresa de Actividades Marítimo-Turísticas que nasceu no Faial em 2008. Embora também comporte a vertente de mar (embarcação para passear ou pescar), está mais direccionada para a vertente terrestre, com a realização de passeios pedestres ou de carro.

Esta oferta turística faialense é uma realidade pelo facto de Mário Carlos ser um homem do campo que gosta da natureza e do mar, tendo sempre conciliado estas vertentes na sua vida. 

“O facto de eu ser um homem de lavoura também ajudou muito no sector turístico, atendendo a que nós temos aqui principalmente um turismo de natureza, o que implica conhecer o lugar onde vivemos e aquilo que temos para mostar.

Eu prefiro ter poucos e bons clientes. Gosto sempre de atender às preferências de cada grupo e de perceber se querem ir dar a volta à ilha, parar num parque e merendar; ir à praia, fazer uma caminhada, ir ver museus ou centros de interpretação. O cliente quando chega ao Faial vai fazer aquilo de que gosta. Não impinjo nada. Tenho um pacote mais ou menos definido mas vou ajustando consoante a conversa que tenho com o cliente.

mario carlos 6

“O meu gosto é fazer algo que me dá prazer e não estar no negócio só pelo dinheiro”

Como trabalho por conta própria, isso  permite-me gerir os meus horários.

O meu gosto é fazer algo que me dá prazer e não estar no negócio só pelo dinheiro. Se tiver de perder dinheiro, perco, mas vou feliz. Eu acabo sempre por ganhar, porque vêm outros clientes. Aliás, não faço publicidade para angariar clientes. Todos os que me procuram é por terem ouvido relatos de outros que gostaram e transmitiram o meu contacto. Gosto mais de trabalhar assim!

Tenho clientes que voltam uma vez, duas, três e a melhor forma de dar a conhecer o que é nosso é a divulgação que eles fazem. O que me diferencia é a compreensão e os pequenos pormenores. 

Remo, Ergómetro e Botes Baleeiros

mario carlos 7

Remo: Equipa de Seniores numa competição, no Rio Tejo, com o carismático barco ‘Yolle’

Da esquerda para a direita: António Gaspar, Mário Carlos, Emanuel Melo, Altino Goulart, Marco Dutra e Isidro Medeiros. Além do Treinador, apenas Marco Dutra não é de Pedro Miguel

Dentro deste meu espírito desportista, recordo-me de estar no Café de meu irmão e de ler no jornal um anúncio da Secção de Remo do CNH a recrutar interessados e pensei: “Vou experimentar”.

Isto foi na década de 90. Tinha 21 anos quando comecei no Remo e 22/23 quando transitei para os ‘Yolles’ (havia 2 que ainda existem) que eram umas embarcações de madeira, belas e graciosas, muito bem feitas. Tinham um sítio próprio para pormos os pés e éramos 4 a remar e 1 ao leme. Era Treinador o Altino Goulart e ainda fui a um Campeonato ao Continente português. Posteriormente, trocámos de Treinador e o meu grande impulsionador foi o arquitecto Frazão.

yolle 1

“Os ‘Yolles’ eram umas embarcações de madeira, belas e graciosas, muito bem feitas”

Tenho o prazer de dizer que consegui trazer cerca de 50 atletas para o CNH, quase todos de Pedro Miguel. O Remo era a actividade principal nesse tempo. Estava com uma força impressionante! Depois comecei a praticar no Ergómetro, um aparelho que era novidade no Faial (para onde tinham vindo 2) e mesmo a nível nacional. Eu e o António Gaspar, de Pedro Miguel, fomos ao Continente e detínhamos o Recorde Nacional mas quando voltámos, passados uns meses, tinha sido batido, porque nas universidades já havia daqueles aparelhos e toda a gente experimentava. Mas mesmo assim, alcançámos uma boa classificação e ainda fomos 3 vezes a competições nacionais.

mario carlos 8

“Comecei a praticar no Ergómetro, um aparelho que era novidade no Faial e mesmo a nível nacional”

Nesse tempo, pela Semana do Mar realizavam-se Jogos Tradicionais. Era bom que isso voltasse a ser implementado e que houvesse provas entre todas as freguesias, a fim de suscitar interesse.

Lembro-me que também foram organizados uns Jogos Sem Fronteiras. Provas dessas são muito giras e uma boa altura para enquadrá-las é a Semana do Mar.

Na minha opinião, o figurino da Semana do Mar devia ser revisto, pois está a tornar-se muito repetitivo. 

mario carlos 9

“Tenho o prazer de dizer que consegui trazer cerca de 50 atletas para o CNH, quase todos de Pedro Miguel” 

Logo a seguir entrei para os Botes Baleeiros, onde me encontro desde 1995. E também consegui mobilizar muita gente para esta Secção. Só havia cá um bote, que era o “Claudina”. Lembro-me do “Maria da Conceição”, a que a gente chamava a equipa da Polícia. Depois, essa equipa desfez-se e foi recuperado o “Claudina”. A seguir, foi recuperado o “São José”, do Capelo, e sucessivamente todos os outros.

Recordo-me de ir a muitas regatas ao Pico, na Manhenha, em que levávamos 5 horas e meia de viagem, rebocados pela “Atlântida”. Era uma festa! E outras idades.

Na altura não se assistia a muita disputa. Havia só um bote e muita gente para ir trocando mas actualmente os Botes são muito competitivos!

A ideia inicial centrou-se na recuperação deste património e na manutenção da tradição  mas desde que começou a haver competição, ninguém está ali para brincar. E isso vê-se no mar e em terra. Uma semana ou duas depois da regata se ter realizado, ainda se fala do assunto. 

É preciso cativar as camadas jovens e dar-lhes formação

Entendo que o Clube Naval poderia ir às escolas fazer divulgação das suas actividades.

Se se justificasse, penso que deveria haver uma carrinha que fosse ao campo buscar e levar crianças que quisessem praticar Canoagem, Vela, Natação, etc, como acontece com o Futebol, o Andebol e outras modalidades. Seria uma forma de contemplar as crianças do campo e só por aí o CNH ganhava outra vida!

Fiz Atletismo durante 7 anos e havia uma viatura que ia pelas freguesias recolher os atletas. Nessa altura era bem mais difícil, pois ao contrário do que acontece hoje, os nossos pais não tinham carro próprio nem trabalhavam na cidade. Compreendo que os horários laborais nem sempre se coadunem com os desportivos (treinos e competições), por isso a ideia da tal carrinha ir pelas freguesias seria algo a ponderar, porque é pelos miúdos que tem de começar a formação. É preciso cativar as camadas jovens.

mario carlos 10

“É preciso cativar as camadas jovens”

A aposta nas freguesias do campo, como forma de reforçar e manter as Secções, seria uma saída para o CNH. Se não começarmos pelos miúdos muito dificilmente conseguiremos cativar um adulto. É tal e qual como no Folclore: quem não começar de pequeno, dificilmente vai criar o gosto.

É imperioso formar novos tripulantes mas há que haver bom senso no sentido de não entrarem todos de uma só vez, pois um bote com muita gente inexperiente não é bom. O cenário ideal seria irem entrando de forma gradual, o que se torna positivo para quem sabe e quem para não sabe, porque aprende mais facilmente.

mario carlos 11

“É imperioso formar novos tripulantes mas há que haver bom senso no sentido de não entrarem todos de uma só vez, pois um bote com muita gente inexperiente não é bom”

Estar simultaneamente na Vela e no Remo, acaba por ser um bocadinho desgastante. Fazer uma Regata de Vela e a seguir fazer uma de Remo, implica espírito de sacrifício e disponibilidade. No meu caso, o problema foi sempre a disponibilidade. Eu ia muita vez ao Pico, nos anos 90, e ficava 2 ou 3 dias lá, porque tinha quem me tratava da lavoura. Tinha outra disponibilidade. Agora, para ficar lá uma noite já é um problema! As vidas mudaram. Os jovens têm mais disponibilidade nesse sentido mas não podemos ter equipas só de jovens. É preciso haver o tal equilíbrio.

Os mais velhos transmitem aos novos os seus conhecimentos e esse é um processo que se repete em todas as actividades. Os mais antigos têm experiência de vida e mesmo que o novo saiba mais, há coisas que ele não sabe, porque não viveu.

A Secção dos Botes representa uma família restrita dentro da grande família que é o Clube Naval da Horta. Quando chegamos a terra, conversamos, discutimos, tiramos dúvidas e às vezes vai-se por vias mais acaloradas mas é mesmo assim. A gente já se conhece todos uns aos outros e sabemos o que é que cada um é capaz de fazer ao outro para ganhar. Mas temos orgulho em fazer parte desta família.

Através do Clube Naval conheci muita gente e tenho quase tantos amigos no Pico como no Faial. Apanhei baleeiros velhos no Pico e quando chegávamos lá, diziam: “Lá vêm os Faiais” e outros adjectivos que tais. Mas quando íamos às Lajes com o “Claudina”– este bote tem a matrícula das Lajes – éramos muito bem recebidos. Davam-nos senhas para comermos e bebermos e ficávamos lá 3 dias. Isto sucedia no início dos anos 90, quando era só a equipa do “Claudina” a participar nas regatas do Pico.

Nós, faialenses, sempre recebemos muito bem todos os que nos visitam, incluindo o pessoal do Pico. Somos muito cosmopolitas. O facto de a Horta ter sido sempre um porto aberto à navegação e aos estrangeiros, deu-nos uma abertura para o Mundo e fez com que o Faial se tenha desenvolvido. E quem chega sente isso. O que faz com que a gente se desenvolva e tenha uma visão das coisas é o contacto com pessoas de outras paragens.

Há que voltar a começar a trabalhar as bases e a criar gosto

rgt sra angustias bb claudina 2019

“A primeira vez que fomos nos Botes Baleeiros à América, andávamos há 4 anos juntos a Remar e à Vela” 

É muito importante nos conhecermos e sabermos como funcionamos no conjunto. A equipa que tínhamos no “Claudina” andou muitos anos junta. A primeira vez que fomos nos Botes Baleeiros à América, participar na Regata Internacional, andávamos há 4 anos juntos a Remar e à Vela. Criámos grandes laços, como se fôssemos uma família. E ganhámos lá, porque já nos conhecíamos todos. Hoje em dia, o que eu vejo é muitas pessoas a virem parar aqui de pára-quedas. É preciso fazer um percurso e não ser apenas algo de circunstância, para “tapar o buraco”. Há que voltar a começar a trabalhar as bases e a criar gosto. Não quero ser um profeta da desgraça mas todos sabemos que as coisas acontecem por ciclos. Já tivemos 37 botes no Faial na altura da baleação e depois acabou. A seguir, tivemos este movimento de recuperação e contamos actualmente com uma grande actividade mas se não voltarmos à formação de base, daqui a poucos anos isto vai abrandar e não haverá gente para andar nos botes. Começa já a ser complicado pôr os botes todos a navegar e a participar em provas. Há que “puxar” gente nova para todas as Secções”.

Mini-Veleiros

mario carlos mini veleiros 1

António Pereira ofereceu a Mário Carlos um protótipo em madeira, o que o levou a aderir à Secção de Mini-Veleiros do CNH 

“A minha ligação ao Clube – instituição de que sou Sócio há perto de 20 anos – também acontece por via dos Mini-Veleiros, desde 2008. E isso começou, porque um amigo (António Pereira), que é da minha freguesia, me ofereceu um barquinho em madeira, lindo! Mas nesta Secção, enquanto uns levam isto mais a sério eu estou mais na desportiva. O que nunca falha são os habituais convívios. Sinto-me privilegiado pelo facto de terem criado o gosto de parar antes e depois dos treinos e das competições na minha barraquinha de Marítimo-Turísticas, junto ao Clube. E faz-se às vezes serões e uns petiscos lá, com convívio salutar.

Embora esta Secção não tenha a dimensão dos Botes é igualmente muito importante e conta com mais de uma dúzia de velejadores”.

mario carlos mini veleiros 2

Este é o 5º ano consecutivo que Mário Carlos patrocina o “Troféu Turismar”

Além de praticante, Mário Carlos também funciona como patrocinador dos Mini-Veleiros, sendo este o 5º ano consecutivo em que patrocina o “Troféu Turismar” desta Secção, o que faz “por gosto e para colaborar”.

“É essencial ter as pessoas certas nos lugares certos”

Para este desportista, o que mais falta faz ao Clube Naval da Horta são instalações “e também funcionar mais como uma família. Por vezes sinto que o Clube deveria estar mais perto dos atletas e vice-versa. As instalações ajudam a ter melhores condições mas não devemos baixar os braços. Temos de defender o que é nosso e batalhar, porque se não fizermos isso, outros vão fazer e o dinheiro será investido noutro lado”.

Na perspectiva deste atleta, “o que faz com que haja actividade é o facto de a pessoa estar bem na vida”. E sublinha: “Se a pessoa estiver satisfeita, sai, convive, participa, pratica e diverte-se. Os conflitos fazem com que cada um se feche muito sobre si, o que é mau sinal”.

A propósito do gigantesco volume de actividade da única instituição náutica faialense, o nosso entrevistado sustenta: “Compreendo que seja complicado aguentar este ritmo, pois o Clube Naval da Horta é o maior dos Açores e já é assim há muitos anos. Por isso, é essencial ter as pessoas certas nos lugares certos. Não se pode andar com “remendos”. Quando a pessoa não é talhada no sentido de ter vocação para aquilo que faz, não é bom para ela nem para a instituição que está a servir. Há que estar por gosto. Naturalmente que ter as pessoas certas em todos os sectores é algo nem sempre fácil de atingir.

O Clube Naval da Horta é uma referência nacional e internacional – assim como o “Norberto Diver” e o “Peter” – e seria complicado imaginar o Faial sem o CNH. Seria como nos tirarem o porto, os iatistas, o aeroporto. Por vezes não valorizamos o que temos e só quando os de fora nos alertam para isso é que acordamos para esta realidade, que nos passa ao lado”.

“O Presidente do CNH tem de ser uma figura mais ou menos pública”

E quando o assunto diz respeito ao timoneiro desta embarcação, Mário Carlos avança: “Há que tirar o chapéu a este Presidente, que foi quem tem aguentado ao leme todos estes anos. Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe que está cansado. Apesar de dizermos que ninguém é insubstituível, a verdade é que não é qualquer um que pode assumir este cargo. Tem de ser alguém com conhecimentos de gestão e uma figura mais ou menos pública, o que facilita muito. O Clube envolve muitas Secções, “obrigando” a ter contactos e a saber falar com as pessoas. É preciso ter uma certa cultura.

Todos sabemos que há gente competente e com perfil. Resta é saber se querem candidatar-se ao lugar.

Claro que inevitalvemente vai haver tendência para comparações, tendo em conta que este Presidente é o que mais vezes ocupou este cargo e será sempre uma referência.

É verdade que quem está de fora geralmente só sabe criticar e não dá valor à obra feita mas isso pouco importa, pois o trabalho realizado permanece e fica à vista para quem quiser ver”.

Fotografias cedidas por: Mário Carlos

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.