Entrevista a Júlia Branco e Bartolomeu Ribeiro: Velejadores do CNH a bordo do Regina Maris, School at Sea

julia barto school sea 1 2015

A Júlia tem 14 anos e está no 10º ano, na área de Ciências e Tecnologia. É de Lisboa, mas vive nos Açores desde os 9 anos. Toca piano e pratica vela no Clube Naval da Horta.

O Bartolomeu tem 16 anos, está no 12º ano, na área de Ciências e Tecnologia. É Faialense de gema e pratica vela desde os 6 anos, no CNH. Gosta de Surf, Vela de Cruzeiro e do mar em geral.

Gabinete Imprensa: O que representa o mar para ti?

Bartolomeu Ribeiro: A minha vida é muito relacionada com o mar. Trabalho numa empresa marítimo-turística durante o verão. Além disso, estou sempre aqui no Clube Naval.

Júlia Branco: Não tenho essa relação que o Bartolomeu tem com o mar, mas gosto muito. Desde que vim para os Açores que tenho uma relação muito mais próxima do mar. Aqui vemo-lo todos os dias, e o mar não é só no verão. No verão temos a praia, mas no inverno também gosto imenso de ver as ondas.

 

Gabinete Imprensa: Como foi o vosso percurso na Vela?

Júlia Branco: Comecei um bocado na Vela porque o meu pai é da Marinha e ele sempre esteve relacionado com o mar. Sinto que me senti incentivada por causa disso. Quando vim para os Açores entrei para a Vela, no Angra Iate Clube, na Terceira. Estive nos Optimist durante 4 anos. Depois vim aqui para o Faial, onde já estou há dois anos a praticar vela. Este é o terceiro ano que estou cá, mas agora com o projeto do “Regina Maris”, não tenho tido muito tempo. Passei entretanto para a classe 420.

Bartolomeu Ribeiro: Entrei para a Vela aos 6 anos, passei pelas classes Optimist, Laser e 420. Agora estava no Laser. Também estou muito relacionado com a Vela de Cruzeiro, já fiz três Atlantis Cup.

 

Gabinete Imprensa: Como surgiu a ideia de participar neste projeto?

Júlia Branco: O barco da “School at Sea” parou cá no ano passado e eu fui visitar, com alguns alunos da Escola. Fizemos uma visita fantástica, mostraram-nos tudo, deixaram-nos subir aos mastros, explicaram-nos a viagem que tinham feito até cá e eu fiquei completamente apaixonada por aquilo tudo. Fiquei assustada com o preço da propina, mas depois comecei logo a pensar em patrocínios e contei ao Bartolomeu.

Bartolomeu Ribeiro: Eu soube do projeto através da Júlia. Conhecia o barco de vista, mas nunca lá entrei nem fiz visitas. Quando ele cá esteve, não pude ir fazer a visita porque estava a ajudar no EDP – X Campeonato de Portugal de Optimist. Entretanto, a Júlia falou-me do Projeto School at Sea e quis embarcar, literalmente, com ela nesse projeto.

 

Gabinete Imprensa: Foi um processo complicado, para angariar patrocínios e ajudas, mas que deu frutos. Qual a vossa expectativa para os próximos seis meses?

Bartolomeu Ribeiro: Espero evoluir não só como pessoa, mas também como estudante e marinheiro. Espero conseguir fazer tudo a que me propus, relacionar-me bem com toda a gente do barco, evoluir com as outras culturas e com o que formos tendo contacto na viagem.
Vamos juntos daqui, mas vamos fazer coisas diferentes. Vai haver um sítio onde ficaremos mais ou menos uma semana e onde iremos viver sozinhos. Dão-nos dinheiro e teremos que saber viver sozinhos. Podemos até ficar os dois em lugares separados, porque vão dividir a tripulação por grupos. Tanto podemos ir parar a um hotel de luxo, como ir acampar com pessoas desse sítio.

Júlia Branco: Espero e tenho quase a certeza absoluta que vai ser uma experiência única, que nunca vou esquecer. Acho que também vai ser importante conseguir conciliar a escola com o barco, porque é o “School at Sea”. Depois vamos a imensos sítios, por isso acho que vai ser ótimo. Vou contactar com imensas culturas diferentes. Por exemplo, vamos acampar uma semana com uma tribo de índios, são coisas que nunca conseguíamos fazer se tivéssemos um percurso normal.
Além disso, este projeto tem como objetivo desenvolver a responsabilidade e autonomia. Às vezes sinto que ainda sou muito dependente de muita gente, por isso espero ficar mais autónoma e fazer as coisas sozinha.

 

Gabinete Imprensa: Como vai ser o vosso dia-a-dia no barco?

Júlia Branco: Nós temos um dia de escola e um dia de trabalho de barco. Os nossos professores de cá deram uma planificação para os próximos seis meses e que teremos de cumprir. Também vamos fazer testes, que não contam oficialmente, porque quando chegarmos vamos ter que fazer um exame a todas as disciplinas e que será como uma equivalência dos seis meses que estaremos fora.
De certa maneira, o período que vamos estar no mar vai ser o estudo para esse exame. Vamos estar a estudar para isso e acho que vai valer a pena o esforço.

 

Gabinete Imprensa: O barco faz cá paragem no Faial, antes do fim da viagem, de regresso à Holanda. Seria interessante marcar um novo encontro para essa altura, entre CNH e “comitiva portuguesa” no Regina Maris?

Júlia Branco: Nós paramos cá no dia 21 de março, depois partimos rumo a Amsterdão e regressamos definitivamente no fim de Abril ao Faial.
Seria muito interessante, e já tínhamos pensado nisso, porque se eu não tivesse tido aquela visita tão boa, não teria ficado tão entusiasmada. A visita que fiz foi fundamental para criar esse entusiasmo com o projeto. Por isso também gostava imenso de conseguir cativar alguém, quando as escolas de cá forem fazer visitas, porque este é um projeto tão bom que vale a pena.

 

Gabinete Imprensa: Regressam em abril, a tempo de iniciarem o terceiro período. Caso haja alguma disciplina que não corra tão bem, há ainda tempo de recuperar as notas?

Júlia Branco: Sim, conseguimos ter ainda o terceiro período. Mas para além disso, tanto os professores como a própria escola se mostraram muito disponíveis para ajudar durante e depois da viagem.

 

Gabinete Imprensa: Há Internet a bordo? Como será a adaptação a um mundo mais fechado e sem os pais?

Bartolomeu Ribeiro: Nós só temos internet quando estamos nos portos e mesmo assim, não é sempre. Por vezes a rede é mais fraca. Durante a viagem não há Internet.

Júlia Branco: O contacto com os pais também é limitado. Temos direito a enviar uma carta em folha A4 por semana para a família.

 

Gabinete Imprensa: Quantas nacionalidades existem a bordo do Regina Maris?

Júlia Branco: Somos nós os dois de portugueses, um alemão e o resto da tripulação são holandeses. Possivelmente mais uma belga. Só no ano passado é que passaram a permitir tripulação não-holandesa, daí que a maioria dos nossos colegas ainda sejam holandeses.


Gabinete Imprensa: Para quando o embarque?

Júlia Branco: Viajamos para Amsterdão esta semana e embarcamos no dia 17 de outubro a bordo do Regina Maris. Ficaremos acostados uma semana e só depois é que a viagem “a sério” se inicia.

 

O Clube Naval da Horta deseja muita sorte e que possam aprender o máximo nesta aventura, que sabemos ser uma oportunidade única. Vamos acompanhar de perto a viagem dos nossos marítimos, através das suas páginas:

Bartolomeu at Sea – https://www.facebook.com/bartolomeuatsea?pnref=story

Blog da Júlia Branco - http://vieirabrancojulia.wix.com/bluejusas#!blog/c30s

 

Esperamos contar com uma grande receção no mês de março, aquando da passagem do Regina Maris pelo Faial.

Bons ventos, Júlia e Bartolomeu!