Projecto “School at Sea”: “Thalassa” enfrenta tempestade para chegar às Bermudas – Próxima paragem: Faial

Mariana Rosa: “O clima a bordo foi muito bom e todos nos apoiámos” 

A velejadora do Clube Naval da Horta (CNH), Mariana Rosa, e os colegas enfrentaram, a bordo do “Thalassa”, uma violenta tempestade, entre Cuba e as Bermudas.

Susana Rosa – mãe da velejadora faialense – conta que o navio-escola enfrentou “uma grande depressão, com rajadas entre os 48 e os 68 nós e ondas de 10 metros”.

O “Thalassa” saíu de Cuba no dia 22 de Fevereiro último e chegou às Bermudas este domingo, dia 4, de onde deverá partir no próximo domingo (11) rumo à ilha do Faial, última paragem deste itinerário. Prevê-se que dê entrada no Porto da Horta no dia 25 do corrente, devendo partir a 1 de Abril com destino a casa: Holanda.

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O “Thalassa” enfrentou uma violenta tempestade entre Cuba e as Bermudas

O Faial é, como habitualmente, a única paragem que este Projecto contempla no Arquipélago dos Açores. Uma vez mais, o Clube Naval da Horta – que tem acompanhado a viagem e dado conta das diferente etapas, com a colaboração da sua velejadora – está a preparar uma recepção muito especial para acolher esta comitiva de alunos, marinheiros e professores, quase todos holandeses.

Mariana Rosa e Miriam Pinto (algarvia), ambas alunas da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) da Horta, são as únicas portuguesas neste grupo de 34 estudantes, que integram o “School at Sea” (no ano lectivo de 2017/2018), Projecto educativo holandês, que reúne alunos de todo o mundo, do ensino secundário, com idades entre os 14 e os 17 anos.

Esta viagem de sonho, com a duração de 6 meses, teve início a 21 de Outubro de 2017 e termina a 21 de Abril próximo.

Recorde-se que, do Faial, já participaram neste Projecto, Júlia Vieira Branco, Bartolomeu Ribeiro, Emília Vieira Branco, Carolina Salema e Jorge Medeiros, com a particularidade de todos terem frequentado a Escola de Vela do Clube Naval da Horta.

No e-mail enviado aos pais (Susana e Fernando Rosa), Mariana Rosa relata:

“No dia 1 [de Março] já estava a ficar mau e à noite fecharam todas as portas, porque podia entrar água… só as pessoas do turno é que podiam ir lá para fora e tinham que ir com arnês e, quando estavam lá em cima de vigia, tinham de estar com o arnês preso a algum sítio.

As ondas e o vento começaram a crescer tanto que um cabo da buineKluiver (1 das 3 velas da frente) partiu-se a meio e então ficámos só com 2 velas. Mas eu ainda não expliquei bem: as ondas passavam por cima da parte de cima do barco e entravam pelas bordas do barco, mas só mesmo visto, porque não dá para imaginar.

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Durante a tempestade, o barco foi comandado pela tripulação 

De vez em quando vinham ondas que entravam pela porta de trás do barco e pela janela também, apesar de estar tudo fechado.

Fui dormir por volta das 8h, mas como estou na cama de cima e as ondas estavam muito fortes, estava com medo de cair, e então pus o saco-cama no chão, peguei nas minhas almofadas e no lençol e tentei dormir. Não dormi grande coisa, mas ao menos estava melhor.

À meia-noite e 45 foram acordar-me para o turno. Vesti-me e eles disseram que já não precisávamos de ir lá para fora. Só tínhamos de ficar no salão com a roupa de vela ao nosso lado, caso fosse preciso irmos lá fora.

A Fieke (uma das tripulantes) foi dormir para o salão e disse-nos que com as 2 velas  estávamos a dar 14 nós”.

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Depois da tempestade, vem a bonança

Fotografias cedidas por: Susana Rosa

 

O “Thalassa” atracou nas Bermudas no passado dia 4, com todos em segurança, mas ainda com rajadas de 40 nós.

Em mensagem enviada aos pais, o capitão, Sam Dubois, explicou porque tomou a decisão de atravessar a tempestade:

“1 - Não duvido da equipa do navio nem dos seus filhos.

 2 - Vimos a depressão (mau tempo) com bastante antecedência e temos crianças e um navio bem preparados.

 3 - Enfrentámos essas depressões de acordo com as previsões: rumando para Norte e deixando o vento entrar para que possamos fugir do vento e isso foi conseguido plenamente.

4 - As crianças estiveram fechadas durante 36 horas, não por causa do perigo no convés, mas pelo facto de a tripulação estar a comandar. Assim sendo, não fazia sentido as crianças estarem no convés.

5 - Houve alguns danos no navio, como uma vela para reparar e, além disso, pequenas coisas que já foram ou serão resolvidas”.

Já em terra (Bermudas), Mariana Rosa explicou aos pais que ela e os colegas nunca tiveram medo, porque têm “muita confiança na equipa do navio”. “O clima a bordo foi muito bom e todos se apoiaram uns aos outros”, sublinha a velejadora do CNH.

Quando chegaram às Bermudas, tiveram “um grande trabalho de limpeza, porque estava tudo revirado e muita coisa partida”.

Nesta paragem, Mariana e os companheiros da aventura que está a chegar ao fim, tiveram a oportunidade de conhecer a Bermuda – e a sua capital, Hamilton – que é uma região autónoma sob a dependência da Grã-Bretanha, com uma área de aproximadamente 53 quilómetros quadrados.

Itinerário da viagem:

De 21 a 26 de Outubro de 2017: Amsterdão

De 27 de Outubro a 16 de Novembro de 2017: Navegação

De 17 a 23 de Novembro de 2017: Santa Cruz, Tenerife

De 24 a 30 de Novembro de 2017: Navegação

De 1 a 3 de Dezembro de 2017: Cabo Verde

De 4 a 19 de Dezembro de 2017: Navegação

De 20 a 24 de Dezembro de 2017: Dominica

De 25 a 29 de Dezembro de 2017: Navegação

De 30 de Dezembro a 6 de Janeiro de 2018: Curaçao

De 7 a 12 de Janeiro de 2018: Navegação

De 13 a 18 de Janeiro de 2018: San Blas Eilanden (Panamá)

De 19 a 20 de Janeiro de 2018: Navegação

De 21 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2018: Costa Rica

De 2 a 12 de Fevereiro de 2018: Navegação

De 13 a 24 de Fevereiro de 2018: Cuba

De 25 de Fevereiro a 4 de Março de 2018: Navegação

De 5 a 10 de Março de 2018: Bermuda

De 11 a 24 de Março de 2018: Navegação

De 25 de Março a 1 de Abril de 2018: Açores (Ilha do Faial)

De 2 a 17 de Abril de 2018: Navegação

De 18 a 21 de Abril de 2018: Ijmuiden (Holanda)

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