Botes Baleeiros e Windsurf do CNH - Beatriz Rosa: “Ter vindo para o CNH, foi a melhor coisa da minha vida!”

Tive a sorte de encontrar pessoas que me puxaram para o CNH e que querem que eu faça parte desta grande Família”

Quando Beatriz Rosa fala nos Botes, o sorriso ilumina-lhe o rosto e o olhar brilhante faz-nos perceber que os guarda pertinho do coração.

A expressão contagiante com que discorre sobre esta Secção do Clube Naval da Horta (CNH) e encara o meio marítimo condiz perfeitamente com o significado do seu nome: Beatriz significa “a que traz felicidade”, “aquela que faz os outros felizes” ou “viajante”, “peregrina”.

Aceitou o convite para esta Entrevista sem perceber muito bem ao que vinha, mas a dica de alguém amigo e a breve explicação inicial deixaram-na à vontade, ao ponto de a comunicação ter fluído naturalmente, revelando-se fácil e interessante, parecendo que assentava numa antiga e dourada relação de amizade.

Foram as conversas que ouviu, fora do Clube Naval da Horta, que despertaram nesta jovem a vontade de experimentar esta actividade evocativa da caça à baleia, que outrora constituiu o sustento de muitas famílias faialenses, conseguido de forma árdua e muito arriscada. E esse desejo materializou-se há 4 anos, no Bote Baleeiro da Junta de Freguesia da Feteira. Beatriz começou no Remo em 2014 e na Vela no ano transacto.

“O Remo também é bom mas a Vela é emocionante! As provas são diferentes e descobri umas coisas novas na Vela”.

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Beatriz Rosa (de camisola verde): “No início foi um bocado difícil ganhar a coordenação necessária no Remo”

Os treinos acontecem duas por vezes por semana mais próximo do arranque do Campeonato. Ate lá, o material fica guardado no armazém e a vontade de voltar a navegar, a competir e a conviver vai-se acumulando, sendo combatida com o visionamento dos registos arquivados ou no avivar das façanhas concretizadas.

“No Remo ouvia falar da Vela, por isso já tinha noção do que era. Confesso que no início foi um bocado difícil ganhar a coordenação necessária no Remo, mas quando ganhei a técnica, foi muito bom! Estamos a falar de um trabalho de equipa tendo em conta que o bote revira”.

Esta vibrante baleeira dos novos tempos garante que quer continuar “sempre” nos Botes, pela ligação que permitem ao mar. “Quando treino, estou só ali. Desligo a ficha, não há telemóveis e é muito bom!”

Mas não se pense que para integrar uma Tripulação basta saltar para o bote e envergar a camisola da equipa. “O silêncio é importante. Temos de ouvir o Oficial e escutar o mar. Perceber de onde está o vento. Faço borda, o que significa que tenho de me sentar na borda da embarcação e quando está vento, estico-me para trás a fim de equilibrar o bote para que este fique ligeiramente inclinado”.

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Beatriz Rosa e Nuno Silveira na posição de borda sob o olhar atento da Oficial, Rute Matos

“No Pico há muita rivalidade”

O Remo é treinado pela Oficial Lúcia Sousa, ao passo que os treinos de Vela ficam por conta de Rute Matos (Oficial). Na Vela, as tripulações são mistas.

A participação nas provas do Campeonato do Pico representa “esforço e disponibilidade” mas, concomitantemente, “acesa disputa, havendo, também, convívio e amizade”.

“Ir ao Pico, realizar a prova e voltar pode envolver mais do que um dia. Muitas vezes temos de pernoitar lá, o que nem sempre é possível por causa do trabalho. É preciso gostar mesmo!

No Pico persiste uma grande rivalidade entre as várias equipas da “casa” mas, também, em relação ao Faial. Nós, faialenses, vemos isto como um desporto e vamos para nos divertirmos, mas eles têm de ganhar e quando isso não acontece, amuam. Além disso, têm mau perder. Apesar de tudo isto, ganhei uma grande amiga nos Botes, que é do Pico. Conheci também uma outra rapariga que, sendo de lá, agora pertence ao Bote da Feteira e mora no Faial.

Já se percebeu que o Pico é talhado para o Remo, sobressaindo a resistência, e o Faial para a Vela.

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“Quando vamos ao Pico, representamos a Feteira mas, também, o CNH”

No Verão, os fins-de-semana são só para as Regatas. Treinar depois de um dia de trabalho é cansativo e então com vento!... Mas vale a pena. Adoro aquilo! É espectacular. Damo-nos todos muito bem. Prevalece a amizade e o convívio. Gostava que pudessemos treinar mais mas com vidas preenchidas (trabalho, filhos e outros compromissos) nem sempre é possível”.

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Prémio arrecadado na Regata de Nossa Senhora das Angústias 2018

Embora os treinos sejam indispensáveis, Beatriz diz que “a sorte também conta!”

“Na Regata de Nossa Senhora das Angústias deste ano (Vela) não tínhamos treinado e ganhámos! A equipa manteve-se e quando assim é, facilita, pois já todos sabemos como funcionamos”.

“Quero muito ir à América!”

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“Já sei como funcionamos cá e agora pretendo saber como é lá”

Esta jovem amante do mar e dos desportos náuticos não esconde o seu desejo de ir aos EUA no âmbito do Campeonato Internacional de Botes Baleeiros. “Quero muito ir à América porque nunca fui e porque gostava de perceber como é que eles trabalham, onde treinam e como treinam. Já sei como funcionamos cá e agora pretendo saber como é lá.

O Faial gosta e dedica-se aos Botes Baleeiros sempre na perspectiva de manter a tradição. Temos um Presidente que é ferrenho dos Botes e isso também tem ajudado muito.

Seria muito bom que ele pudesse continuar à frente dos destinos CNH, pois é uma pessoa excelente, que conhece muito bem esta “casa”, tem imensa experiência, conhecimento e disponibilidade, sobressaindo uma enorme dedicação. Não vai ser fácil encontrar alguém que o substitua. O Clube precisa muito dele!”

“Gostava muito que este pudesse ser um desporto federado!” 

Beatriz também enveredou pelo Basquetebol, tendo, por duas épocas, defendido as cores do Fayal Sport.

No CNH poderá vir a praticar Natação não pondo de parte experimentar Vela Ligeira.

Equanto isso não acontece, o Windsurf ganhou uma nova adepta, a reboque dos Botes.

“Numa conversa com a Rute, que anda no Bote da Feteira mas também pertence à Secção de Windsurf do Clube, o tema surgiu e depois com o incentivo do Bruno Gonçalves e do João Medeiros decidi vir ver como era.

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“Temos um Presidente que é ferrenho dos Botes e isso também tem ajudado muito”

Mas primeiro falaram comigo e disseram-me que estavam a precisar de Voluntários para dar apoio na Prova do Campeonato Nacional de Windsurf (realizada de 4 a 7 deste mês) e eu concordei. Posso dizer que teve a sua emoção, mas estava um bocadinho violento. Andei no barco de apoio com o Jorge Fontes e prestei atenção às conversas dele. Notei que percebe muito daquilo. É uma pessoa calma, que explica muito bem. Foi ele que me convidou para o Jantar de Encerramento do Campeonato Nacional. Gostei muito de colaborar! Sinto-me bem no Clube e com estas pessoas. Está a ser muito bom!”

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“Gostei muito de colaborar como Voluntária na Prova do Campeonato Nacional de Windsurf, organizada pelo CNH”

“Nem sabia que ia haver baptismo” 

Beatriz seguiu inocentemente no barco para ver de perto o Treino dos Veteranos (Windsurf), que decorreu no dia 13 deste mês, depois de já ter sido adiado e adiado, ora por causa do tempo ora pela realização desta Prova do Nacional. Mas de espectadora, rapidamente passou a praticante.

“Conheci o Flávio nesse mesmo dia e é uma simpatia. Ia no barco apenas para ver mas de repente convenceram-me a experimentar e assim aconteceu o meu baptismo no Windsurf. Não estava nada à espera e a prova disso é que nem fui preparada. Até me emprestaram uma camisola. Mas a verdade é que correu muito bem e é para continuar!

Foi difícil mas mesmo assim consegui ter bastante equilíbrio. Senti-me super-bem e o ambiente é muito bom. Eles deram-me muito apoio e incentivo e posso garantir que o Windsurf é para ambos os sexos”.

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“Foi difícil mas mesmo assim consegui ter bastante equilíbrio. Senti-me super-bem e o ambiente é muito bom”

Fotografia de: Flávio Pereira

“O Windsurf é para pessoas persistentes”

Sendo Touro de signo e, consequentemente muito focada, Beatriz, mesmo recém-chegada ao Windsurf, já percebeu como funciona a modalidade.

“O Windsurf é como no Remo, quando começamos caímos muita vez, mas é tudo uma questão de dedicação e são poucas as pessoas que realmente se dedicam. Gostava de convidar uma amiga a experimentar mas da maneira que ela é, já sei que vai logo desistir e no Windsurf é preciso ter muita paciência connosco próprios. Aliás, o Windsurf é para pessoas persistentes”.

A nova windsurfista já começou a perceber como se roda a vela consoante o vento, a qual tem de estar perpendicular à prancha. Agora, o caminho é treinar e de preferência acompanhada. “Vou com o João, que me convida sempre”.

Mas para esta nova praticante, um dos encantos desta modalidade reside no facto de este ser um desporto individual. “Gosto do Windsurf porque posso ir para o mar quando quiser, depois de aprender”. Para tal, adianta que “gostava muito” de fazer um Curso de Iniciação e de possuir material próprio. “Para já, vou investir em roupa adequada e depois em material. Já estive a ver preços e estou a pensar seriamente no assunto”.

“O CNH não é apenas o Bar”

Beatriz está rendida à forma como vem sendo tratada pelo pessoal do Windsurf – “o Flávio, o Bruno, o João e o Jorge são espectaculares!” – e às descobertas maravilhosas que fez através deles. “Apesar de há anos fazer parte da Tripulação do Bote Baleeiro da Feteira, a verdade é que não tinha uma grande ligação ao CNH. Apenas conhecia a música ao vivo e o Clube Naval da Horta não é apenas o Bar. Descobri que há um mar imenso de actividades à nossa espera, com pessoas fantásticas! Antes, não tinha noção dos desportos que o Clube disponibiliza. Tive a sorte de encontrar pessoas que me puxaram para este meio e que querem que eu faça parte desta grande Família, praticando desporto e conhecendo a verdadeira essência e missão do CNH. Estou muito contente!

Há muitas pessoas que, tal como acontecia comigo, ainda não se aperceberam daquilo que é realmente o CNH. Por isso, digo que o Clube é para quem está nele, pois quem está de fora não percebe a importância desta instituição e o que ela representa e movimenta.

“A equipa de Vela é a minha segunda casa”

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“Nos Botes Baleeiros damo-nos todos muito bem!”

A equipa de Vela é a minha segunda casa e o CNH é mesmo uma segunda família. É o meu Clube! Quando vamos ao Pico, representamos a Feteira mas também o Clube.

Outra pessoa que me incentiva sempre é o sr. José Macedo. Não é qualquer um que tem a dedicação dele ao Clube, pois quando há eventos ele dá apoio durante todo o dia.

Considero que ter vindo para o CNH foi a melhor coisa da minha. No início, minha mãe ficava preocupada mas depois habituou-se e gosta que eu esteja ligada ao mar. Ela aprecia a minha participação e ficou toda babada quando ganhámos. Até pôs a minha fotografia no Facebook”. 

Uma marinheira que gosta de estar sempre em movimento

Esta faialense terminou o 12º ano de escolaridade na área das Artes. Apesar de ter jeito para o desenho, profissionalmente pretende concretizar um sonho antigo: ingressar na Polícia Marítima (PM) ou, em alternativa, ir para a Polícia de Segurança Pública (PSP), o que lhe permite “estar sempre em movimento”.

O pai trabalha no Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, sedeado na ilha do Faial, e foi através dele que ganhou o gosto pelo mar. Daí também ter pensado em ser bióloga marinha. “Meu pai ficou radiante com a minha ligação ao CNH. Quando entrei para os Botes fez uma festa enorme!”

Beatriz é uma marinheira por natureza, afirmando que se dá bem no mar. “Sou capaz de passar 10/20 dias no mar e sempre bem-disposta”.

O entusiasmo com que fala dos Botes, do Windsurf e do pessoal que conhece nesta “casa” deixa perceber a importância que o Clube Naval da Horta tem para esta jovem e a forma como mudou a sua vida e a visão dos desportos náuticos.

Beatriz: as grandes amizades começam assim!

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“Outra pessoa que me incentiva sempre é o sr. José Macedo. Não é qualquer um que tem a dedicação dele ao Clube”

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