25 Anos da APADIF: Conceição Rosa e Eugénia Porto falam desta Associação “especial”

Os rostos da sede da APADIF dão-nos as boas-vindas

No âmbito da visita guiada que o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) fez à Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) e a todas as suas valências – trabalho que tem vindo a ser publicado de forma faseada e que se destina a assinalar o 25º Aniversário desta Associação, ocorrido a 10 de Novembro último – é hoje partilhada a conversa mantida com Conceição Rosa e Eugénia Porto, funcionárias da instituição. Estes são os rostos que encontramos na sede da APADIF, situada na Travessa de São Francisco, na Horta (antigo Dispensário) e que nos contam o porquê de esta ser uma instituição “especial”.

Recorde-se que o CNH e a APADIF são entidades parceiras, tendo implementado, de forma pioneira na ilha do Faial, nos Açores e quiçá em Portugal, a Vela inclusiva, mediante o Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”. Este Projecto, instituído protocolarmente a 29 de Dezembro de 2011, visa a inclusão de todos na prática da Vela.

Conceição Rosa: “Os utentes do Centro de Dia da APADIF não estão na ante-câmara da morte” 

“Aqui na sede temos salas onde são dadas Consultas de Psicologia Infantil e Terapia da Fala, destinadas somente a utentes da APADIF referenciados pela Acção Social. São pessoas que não têm possibilidade de pagar este tipo de consultas.

Estou na APADIF há 4 anos. Pedi expressamente para fazer um estágio aqui. Embora já tivesse o Curso de Contabilidade – área em que trabalhei toda a vida – fiz um Curso Técnico de Saúde e pedi para vir estagiar na APADIF. Na altura nem havia estágio nesta “casa” mas a Dra. Alice Menezes fez o favor de fazer o requerimento e eu vim. Comecei pelo Centro de Dia da Conceição da APADIF, corri as várias valências e gostei imenso. E depois fui ficando.

Fiz uma Visita de Estudo ao Centro de Dia da Conceição e fiquei apaixonada. Achei que era mesmo uma valência excelente. Antes não conhecia a APADIF senão de nome.

A Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial é especial, porque é uma instituição que dá apoio a muita gente e então o Centro de Dia é um Centro de luxo! E digo isto, porque comparado com outros centros – embora não queiramos comparar somos obrigados a isso – realiza muitas actividades. Os utentes não estão ali na ante-câmara da morte.

E o Moviment’Arte também é muito importante, tendo em conta que apoia pessoas que antigamente estavam escondidas em casa. Os pais escondiam os filhos com deficiência! Agora eles saem para a rua e fazem actuações públicas. Dantes isso não acontecia. No meu tempo, quem tinha uma criança deficiente metia-a em casa e não aparecia fora. Era quase um segredo. A APADIF deu um impulso muito grande no que toca à Inclusão na ilha do Faial.

Não é um emprego qualquer. É preciso coração!

Na minhão opinião, a maior parte das pessoas já vai conhecendo esta instituição. Nos 4 anos que tenho estado aqui noto a evolução que isto tem tido anualmente. Estamos a apoiar 200 pessoas. Temos cerca de 40 trabalhadores. E são necessários mais alguns em certas valências.

No ATL Esperança o trabalho é desenvolvido com crianças com muitas limitações. É um público muito específico.

No Centro de Dia são 30 utentes para dar banho e fazer os apoios.  Não é um emprego qualquer. É preciso coração! Eu quando estive no Centro de Dia vi bem isso. São pessoas que necessitam muito de apoio e carinho. Muitos só precisam de alguém que fale com eles e lhes pegue na mão.

As circunstâncias da vida actual fazem com que os familiares trabalhem e não tenham possibilidade de lhes dar esse apoio como acontecia há umas décadas. E as pessoas acabam por ficar sozinhas ou vão para a Santa Casa, que não tem nada a ver com a realidade do Centro de Dia da APADIF. Os nossos colaboradores gostam do que fazem e têm coração. Embora cada um tenha o seu feitio, acho que todos se dedicam. E é isso que faz a diferença.

Às vezes as coisas não são fáceis mas como diz o Sr. Fialho, “temos de ter fé”. Não tenho dúvidas de que ele é a alma disto. É um homem que dá a cara, luta, faz barulho. Só tem um braço mas dá um soco em cima da mesa, imagina se tivesse os dois! As pessoas respeitam-no. Enquanto o Presidente desta instituição for respeitado e ouvido, a Associação vai sempre para a frente”.

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“O Sr. Fialho é a alma da APADIF” 

Eugénia Porto: “Esta instituição ajuda as pessoas especiais que realmente precisam” 

Sou Secretária na APADIF desde 2006. Gosto disto. É sem dúvida uma experiência boa. Todos os dias se aprende um pouco. O trabalho não é rotineiro. Sinto-me realizada, porque faço aquilo de que gosto. Sinto-me em casa. E se fosse para sair daqui, sinceramente ia ponderar muito. Aliás, tive oportunidade de me mudar para o Pico – a minha terra – e não quis.

É aqui na sede que se realizam, quinzenalmente, as reuniões de Direcção.

Também temos um Banco de Ajudas Técnicas, em que alugamos equipamento como camas articuladas, cadeiras de rodas, andarilhos, canadianas, colchões, almofadas anti-escaras e outros. Existe muita necessidade de aumentar o material existente, uma vez que a procura é grande. São equipamentos com muitas limitações fruto do grande uso que têm. Parte deste equipamento é-nos oferecido por pessoas que deixaram de usá-lo.

Noto que a APADIF é apoiada. A sociedade está muito sensível a esta Associação. Até mesmo a classe política. Somos conhecidos. Não há sítio algum que se fale na APADIF e que as pessoas desconheçam. É já é uma “casa” muito grande, que envolve muita gente. E a intenção é continuar a crescer.

Para mim, a APADIF é uma instituição que se rege pelos valores mais nobres: ajudar as pessoas especiais que realmente precisam”.

Quiosque dos Voluntários - “Gosto de inovar em coisas que tenham utilidade”

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Maria Fernanda Garcia colabora há 5 anos com a APADIF

O Quiosque da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial funciona na Praça da República, tendo como Responsável Noémia Pinto. No dia deste roteiro a Voluntária “de serviço” era Maria Fernanda Garcia, que, com uma paciência e simpatia extraordinárias (além da gentileza na oferta de uma chávena com trigo para o Altarinho do Menino Jesus) mostrou os diversos artigos e falou entusiasticamente da dedicação que vem colocando neste Projecto, através do qual já ganhou vários netos!

Também ficámos a saber que esta faialense muito bem disposta, com raízes maternas nas Angústias, funciona como uma verdadeira embaixadora da APADIF em Lisboa.

“Vendem-se muitas sacas de pão”

“Há 5 anos que colaboro com a APADIF.

Na altura em que a minha mãe morreu fiquei com muito tempo livre. Comecei por ajudar os miúdos a fazer trabalhos para estarem entretidos. Fui fazendo trabalhinhos que se foram vendendo e ganhei entusiasmo. Às vezes são as próprias pessoas que nos vão dando ideias para algumas das novidades que fazemos. Felizmente há muitas senhoras a fazerem trabalhos para o nosso Quiosque.

Aprendi e gosto de fazer trabalhos de costura, por isso tenho feito muitas sacas de pano para o pão, malas, abafadores, pegas, carteiras, etc. Faço tanta coisa que até me esqueço! Vendem-se muitas sacas de pão. Comecei a apostar nisso por causa da campanha contra o uso dos sacos plásticos.  

A minha prima Ana Maria borda muito bem e faz ‘crochet’. Digamos que isto é uma parceria entre mim e ela: eu costuro e ela borda. É uma maneira de colaborarmos.

Desde há anos que faço as almofadinhas para o Menino Jesus. Trago as imagens de Fátima e faço as almofadinhas. As pessoas vêem e gostam.

Este ano fiz novamente Árvores de Natal em papel.

Na quadra natalícia vamos fazer o sorteio de um relógio oferecido pela “Ourivesaria Reguladora”. Eu mesma fiz o saquinho para colocar o relógio. Para tanto, temos estado a vender rifas. Além do relógio temos ainda mais dois prémios.

Todos os dias o Quiosque está aberto. Eu venho à sexta-feira à tarde mas por vezes também venho de manhã.

Quem compra também está a ajudar!

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“O nosso mercado é pequeno. A melhor altura em termos de vendas é a Semana do Mar”

Gosto de fazer estas coisas. Já em Lisboa, onde vivi mais de 30 anos, fazia sempre as prendinhas de Natal para dar às minhas amigas e familiares. Para mim, estas prendinhas feitas com a nossa mão são mais especiais, porque as fazemos com carinho e amor. Até pode ser uma coisa pequenina mas sabemos quem gosta e aprecia.

Há pessoas que nos oferecem artigos, produtos, louças, linhas, lãs, tecidos, etc.

Quando temos alguém doente na família sentimo-nos mais sensíveis a estas causas... As pessoas gostam de ajudar e fazem doações várias. Quem compra, também está a ajudar!

Quando vou a Lisboa aproveito para comprar uns tecidos e umas coisas diferentes. Também gosto de ir às praças.

Uma prima de minha mãe, que reside no Canadá, queria que eu este Verão tivesse feito estes trabalhinhos mas não pude e que são uma carteirinha em que se mete lá um pacotinho de chá, um de açúcar e depois junta-se uma chávena e o conjunto fica engraçado. Mas entretanto já fiz e mandei-lhe pelos CTT. É uma prendinha tão gira! E depois fiz também para nós. A carterinha pode servir igualmente para os lencinhos de papel ou outra coisa.

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 “Acho que as pessoas são bastante amigas da APADIF e que no Faial toda a gente conhece esta Associação”

Todos os dias tento inovar mas gosto de inovar em coisas que tenham utilidade. As sacas de pão têm muita utilidade. As pessoas já sabem e dizem que querem a saca com o nome “Pão” bordado e escolhem a cor desejada.

Sou da época em que íamos ao pão com a sacola de pano. Vivi alguns anos em África e íamos ao pão sempre com sacola de pano. E agora nalgumas casas o plástico virou contrabando! Por isso, estas sacas dão muito jeito!

O nosso mercado é pequeno. A melhor altura em termos de vendas é a Semana do Mar, pois, além de estarmos a falar de uma semana inteira, somos visitados por emigrantes e por muitas outras pessoas que se encontram de passagem. Funcionamos sempre numa garagem que nos é oferecida para essa actividade e a grande atracção é a Quermesse giratória, que reúne a família toda a jogar!

Este Quiosque – estrutura – é da Câmara Municipal e está aqui há 5 anos. O Sr. Delfim Vargas veio cá pôr uma porta que facilitou imenso.

Acho que as pessoas são bastante amigas da APADIF e que no Faial toda a gente conhece esta Associação. Sempre que vou a Lisboa aproveito para divulgar a nossa Revista “Vozes”, que neste mês do 25º Aniversário (Novembro) está muito especial. Também levo sempre rifas para vender e compram. Já levei o livro em braile e adoraram!

Há um bom espírito em torno da APADIF. Estou a recordar-me que recentemente o Helder Castro convidou mais de 20 meninos da APADIF para jantar no seu Restaurante (“Canto da Doca”). Eles entraram tão calmos. Foi tão bonito. Gostei muito! Gostamos de dar. E recebemos sempre. Nem que seja paz de espírito.

Tenho muitos “netos do coração”. Há muitos meninos a precisarem de nós. Muitos mais do que nós imaginamos!”

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Fernanda Garcia e Virgínia, ambas grandes amigas da APADIF

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