“Conhecer os Nossos Atletas” - Gonçalo Rosa: “Na Canoagem há um espírito de família”

Foram os amigos da Escola que o convidaram a experimentar a Canoagem no Clube Naval da Horta (CNH) e Gonçalo Rosa aceitou o desafio. “Queria praticar um desporto e como tinha muita gente que eu conhecia na Canoagem, decidi fazer o teste. Gostei e continuei. Nunca tinha experimentado antes e posso dizer que não achei difícil”.

Esta é a segunda época que o canoísta defende as cores do CNH e garante que é para continuar, deixando a receita do que considera fundamental: “É preciso equilíbrio para nos aguentarmos em cima do caiaque, força e mentalidade, ou seja, mentalização para não desistir. Nos dias de frio em que só apetece voltar para o quentinho e não enfrentar a água gelada, o que importa é nunca desistir”.

E quanto ao Treinador [Hugo Parra], define-o assim: “É um grande amigo meu. Gosto muito dele! Incentiva-me sempre e puxa por mim. É exigente no sentido de fazermos e darmos sempre o nosso melhor”.

Gonçalo não é adepto de concorrência no Faial porque, diz, “se calhar íamos dividir-nos”. “Assim está bem! Gostamos de competir uns contra os outros. Somos todos amigos e não nos chateamos com nada. E se for para competir mesmo, temos os clubes das outras ilhas”.

“Se tivessemos equipamento mais moderno, havia outra motivação”

goncalo rosa 2

“Fazendo uma comparação com os canoístas de outras ilhas, estamos todos no mesmo nível” 

Este atleta do CNH encara a Canoagem como um desporto para praticar e ao mesmo tempo uma oportunidade para se divertir e fazer novas amizades. Mas como ninguém gosta de perder, elenca os aspectos que, no seu entender, deveriam ser melhorados. "Temos falta de equipamento, concretamente caiaques, pois os nossos estão cheios de buracos, além de serem muito antigos e pesados. Sempre que alguém revira, tem de esperar pela ajuda do Treinador. Por isso, se tivessemos equipamento mais moderno havia outra motivação e talvez até outros resultados. Ainda assim conseguimos evoluir mas ficamos a pensar que os outros têm equipamento melhor e psicologicamente isso pesa..."

Para Gonçalo Rosa, “quem está fora do Clube tem uma ideia mas não sabe o que é a Canoagem!” “Levo isto a sério”, salienta, afirmando que “a Secção tem vindo a crescer muito”. E é precisamente por isso que se nota “a falta de equipamento e de condições” no espaço que serve de sede a esta Secção. “Aquele espaço está cheio de caiaques e já não cabemos todos lá dentro, pois já somos mais de 14!

A Directora falou em organizar jantares para angariação de fundos com vista à aquisição de  material para a Canoagem mas essa ideia não avançou.

Precisamos de instalações e de equipamento mas o equipamento é fundamental para darmos o salto!

Fazendo uma comparação com os canoístas de outras ilhas, estamos todos no mesmo nível, tirando a questão de terem caiaques muito superiores aos nossos.

Participei em 2018 num Campeonato Regional na Terceira e foi engraçado. O CNH evidenciou-se bastante ao ter alcançado a maioria dos prémios. Por isso, não tenho dúvidas de que se tivessemos equipamento melhor teríamos ganho tudo! Acho que podíamos treinar mais, embora as provas fora do Faial sejam uma grande oportunidade para crescermos. Evoluimos mais quando saímos. Puxa mais por nós! Se tivessemos competições a nível nacional seria extremamente positivo apesar de eu ver a Canoagem como um desporto para praticar e não uma modalidade em que queira apostar futuramente em termos de carreira”.

Antes da Canoagem, este atleta praticou futebol no Atlético e Andebol na Escola. “Mas agora só estou na Canoagem, pois como gostei mais deste desporto, deixei tudo o resto”.

Vela e Natação não fazem parte das suas preferências.

Quando se pergunta se a Canoagem cansa, responde: “Depende muito do dia. Se tiver muita ondulação, puxa mais por nós e acabamos cansados”.

“Para mim, o maior problema é a resistência”

Gonçalo refere que o colega que mais sobressai no grupo é Clésio Pereira, porque “tem bastante técnica”, fruto dos vários anos de prática. “Aprendemos com ele. Às vezes ele ensina umas coisas mas se quisermos aprender com ele é a ver. Grande parte da minha técnica adquiri-a a olhar para ele. Treinamos juntos e aprendemos. Para mim, o maior problema é a resistência, pois não tenho muita”.

Além de Clésio Pereira, Gonçalo destaca igualmente os colegas Miguel Pires, Jerónimo Remédios e José Gomes.

Ciências e Matemática constituem as disciplinas preferidas deste desportista que frequenta o 9º ano de escolaridade. “No próximo ano lectivo vou optar por Ciências mas futuramente não sei que rumo seguirei. Como não pretendo investir na Canoagem quando sair do Faial, se calhar nas férias da Universidade até venho ao Clube reviver estes tempos”.

Além desta actividade no CNH, Gonçalo tem, ainda, Educação Física na Escola, disciplina que engloba Atletismo, Futebol, Andebol, Basquetebol e Natação.

“O Clube Naval é muito importante para o Faial”

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“Na nossa Secção, o pessoal é muito unido“

A Canoagem aproximou Gonçalo Rosa do Clube Naval da Horta, permitindo-lhe praticar um desporto e simultaneamente estar com “muitos amigos” mas a verdade é que este jovem já conhecia a “casa”. “Os meus pais já me tinham dito que no CNH se praticava Vela, Natação e outros desportos. E quando era criança também estive inscrito nas “Férias Fixes”, no período do Verão, em que íamos à praia e fazíamos muitas outras actividades.

Vou poucas vezes ao Bar, pois para mim o Clube funciona mesmo como o local onde venho praticar desporto mas conheço bastantes atletas da Vela que são meus colegas na Escola”.

Sendo um adepto confesso da Canoagem, Gonçalo refere que já convidou alguns amigos para virem experimentar a modalidade. “Um grande amigo meu já veio duas vezes mas não ficou muito entusiasmado, porque não gosta do ambiente marinho. É preciso gostar do mar, algo que me acontece desde pequeno.

Quanto aos meus amigos que não frequentam o CNH, claro que conhecem o Clube mas não sabem verdadeiramente o que se passa aqui.

O Clube Naval é muito importante para o Faial pois sem esta instituição náutica não teríamos a oportunidade de praticar todos estes desportos”.

Questionado sobre a hipótese de o irmão (8 anos de idade) poder também vir a praticar algum desporto no CNH, Gonçalo afirma: “Ele diz que tem medo do mar e além disso já anda no Ténis. É claro que pode-se sempre mudar de desporto e isso aconteceu precisamente comigo. Se não fossem os meus amigos, eu não conhecia o CNH e depois de me terem convidado eu também já convidei várias pessoas (rapazes e raparigas)”.

Numa conversa dominada pelo optimismo, este atleta do Clube Naval da Horta explicou o que o leva a ter na Canoagem o seu desporto de eleição: “Na nossa Secção, o pessoal é muito unido e há um espírito de família. A gente gosta muito de ir remar lá para fora uns com os outros. Somos todos amigos – não há divisões – mas isso não impede que tenhamos espírito competitivo. Damos o nosso melhor e sabemos ganhar e perder. Sinto-me diferente desde que estou na Canoagem do CNH e tenho mais amigos”.

O outro lado de Gonçalo Rosa

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“Na Canoagem consigo demonstrar a minha persistência”

Este jovem de 14 anos tem ainda outras ocupações, como revelou ao Gabinete de Imprensa do CNH: “Nos tempos livres jogo no computador, ando de bicicleta e toco guitarra. Andei 4 anos no Conservatório e gostava muito do meu professor de guitarra,  de quem continuo a gostar muito. O problema era a pessoa que dava Formação Musical. Não gostava nada dela! Aliás, foi por causa dela que desisti. E a seguir ao Conservatório ainda tinha explicação e chegava a casa sempre depois das 8 da noite!”

Gonçalo admite que come com prazer – não é guloso nem tem prato preferido – e sendo ligado ao mar não é de admirar que goste “bastante” de goraz e de atum.

“Meu pai [Marco Rosa] tem um barco e às vezes vou com ele pescar e também em passeio com a família”.

Lá em casa vê-se futebol mas este atleta não sofre por isso. “Minha mãe é do Benfica e eu gosto de ver jogos de futebol mas de qualquer clube. Aliás, gosto mais de ver do que de jogar”.

Instado a enumerar uma qualidade, sustenta que é a persistência. E justifica: “Na Canoagem consigo demonstrar isso!”

Quanto ao reverso da medalha, que é como quem diz, um defeito, não tem dúvidas em afirmar que é a preguiça. “Nos dias de frio é mais forte do que eu”.

Gonçalo: para ti, a Canoagem representa muito mais do que um desporto, pois divertes-te, ganhaste um novo círculo de amizades, convives e encaras o mundo com outra perspectiva. Com o CNH cresceste e criaste raízes que te hão-de prender para sempre, porque esta “casa” ajuda a formar atletas mas, também, homens que jamais esquecem o que ali aprenderam!

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