SM2019: Passeios à Vela em Bote Baleeiro – dias 05, 06, 07 e 08 de Agosto

Os Passeios à Vela em Bote Baleeiro, que o Clube Naval da Horta (CNH) oferece, desde há anos, no âmbito do Programa do Festival Náutico que organiza, integrado na Semana do Mar, são sempre muito procurados por locais e visitantes. Esta é uma forma de passear é certo mas, simultaneamente, de aprender, dando vida a uma tradição muito enraízada na ilha do Faial e noutras parcelas açóricas.

Os Passeios à Vela em Bote Baleeiro estão programados para os dias 05, 06, 07 e 08 de Agosto (segunda, terça, quarta e quinta), sempre pelas 18h30, devendo os interessados inscreverem-se no Secretariado do Festival Náutico (a funcionar  no Centro de Desportistas Náuticos do Clube Naval, no cais de Santa Cruz) e comparecerem com antecedência junto às instalações do CNH. 

“Uma das mais emblemáticas embarcações do Mundo” 

“Concebido e criado a partir do modelo norte-americano, o Bote Baleeiro Açoriano é actualmente considerada uma das embarcações mais emblemáticas do Mundo.

O bote baleeiro americano, adaptado à baleação itinerante e de longo curso, praticada pelas grandes baleeiras – navios-fábrica – ao longo dos séculos XVIII e XIX, era mais pequeno, bojudo, pesado e de difícil manobra. Foi esta a embarcação utilizada pelos primeiros baleeiros açorianos durante quase toda a 2ª metade do século XIX. As dificuldades na sua importação estimularam a criação local de uma nova embarcação, mais comprida (aproximadamente 11,5 m de comprimento, 2 m de largura e 80 cm de pontal, a meia-nau) e melhor adaptada às condições de navegabilidade dos nossos mares e ao modelo de baleação costeira que se praticou nas ilhas dos Açores.

walkiria 2016

A “Walkiria” cedida ao CNH, ao abrigo de um Protocolo com a Câmara Municipal da Horta, é uma das lanchas que se mantém no activo, garantindo, sempre, as funções de reboque dos botes e de apoio nas provas

Resultado da capacidade inventiva dos primeiros grandes construtores navais da ilha do Pico, o Bote Baleeiro Açoriano, no entender de muitos especialistas, “a mais perfeita embarcação que alguma vez sulcou os mares”, é um misto de elegância, robustez, eficácia e singularidade.

O primeiro Bote Baleeiro Açoriano foi construído nas Lajes do Pico, pelo Mestre Francisco José Machado, o Experiente, nos finais do século XIX. Gerações de outros grandes carpinteiros navais se notabilizaram na ilha do Pico, o grande centro da carpintaria naval do Arquipélago, na construção de botes baleeiros, tais como os Mestres da Aguada, os Mestres Experientes, o Mestre António dos Santos Fonseca, o Mestre António Racha, o Mestre António Gregório, o Mestre José Brum, o Mestre João Silveira Tavares, o Mestre Manuel Hermínio, o Mestre Manuel Ramos, o Mestre Manuel Monteiro e outros mais…

Recuperação do Património Baleeiro dos Açores

Com o fim da caça à baleia, no início dos anos 80 do século XX, ficou um valioso Património Baleeiro constituído, entre muitos outros vestígios materiais e imateriais, pelas embarcações baleeiras – botes e lanchas de reboque – e sua palamenta. Tendo em conta que este Património Baleeiro corria o risco de se perder, foram, a partir de 1998, tomadas medidas políticas visando a sua recuperação e reutilização. Estas medidas, em conjugação com o esforço crescente das populações, organizadas à volta de clubes navais/náuticos, autarquias, colectividades e associações culturais, tornaram possível a implementação de um programa de reabilitação patrimonial (40 botes e 11 lanchas de reboque), verdadeiramente exemplar e de reconhecido mérito cultural.

Reanimou-se a construção naval, recuperaram-se e consolidaram-se os saberes tradicionais, estimulou-se o gosto pelas actividades ligadas ao mar e aprofundou-se a relação das comunidades com a cultura da baleação.

A recuperação de uma parte significativa do Património Baleeiro dos Açores – botes e lanchas de reboque – deve ser considerada, muito provavelmente, como um dos mais emblemáticos projectos de reabilitação patrimonial, verdadeiramente ao serviço das comunidades, realizado nos últimos anos em Portugal.

De facto, esta iniciativa, de referência no plano nacional e internacional, levada a cabo nos Açores de forma sistemática, na última década, revelou-se uma estratégia de grande lucidez política, de consumação da nossa dimensão marítima e de reconhecimento da importância dos barcos na nossa vivência insular”.

(Fonte: http://www.culturacores.azores.gov.pt/pb/Recuperacao.aspx)

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