2020 – Ano do 73º Aniversário do Clube Naval da Horta

Intervenção do Presidente do Clube Naval da Horta na conferência de imprensa destinada a assinalar o 73º Aniversário do Clube e publicação da Revista Atlantis Cup - Regata da Autonomia.

Exmas. Entidades Oficiais

Senhoras e Senhores Jornalistas

Caros Dirigentes, Funcionários e Colaboradores do CNH

No passado dia 26 do mês corrente completaram-se 73 anos sobre o dia da criação do Clube Naval da Horta (CNH). O CNH não nasceu do nada, pois na Horta a prática de realização de desportos e actividades náuticas já tinha, na época, largas dezenas de anos de presença regular. O CNH nasceu nesse dia de setembro do ano de 1947, porque a extinção, pelo Estado Novo, da Liga Naval Portuguesa, organização oficiosa que enquadrava os desportos náuticos, criou, no caso da Secção Local da Horta da LN Portuguesa, o problema de dar destino ao património dessa Secção, património que incluía o veleiro “Ilha Azul”, construído em 37 em Stº Amaro do Pico.

Foi assim que um grupo de desportistas náuticos, nomeadamente, velejadores com pequenas embarcações de vela construídas localmente, se constituíram, com o acordo do poder estabelecido, como grupo de sócios fundadores do CNH.

O CNH ficou com o “Ilha Azul” e utilizou-o vários anos, prestava apoio a sócios com embarcações próprias, organizava eventos e foi, ao longo dos anos, adquirindo algumas embarcações de vela ligeira e embarcações de recreio e serviço a remos. Até 1965 teve a sua Sede dentro do Castelo de Sta Cruz, o que possibilitava ter uma receita própria significativa, pois concessionava o espaço interior como esplanada de cinema ao ar livre nos meses de Verão. Depois de ter sido decidido construir a Estalagem, o CNH foi obrigado a sair, ficando sem a Sede, sem o espaço e sem a referida receita, o que resultou numa prolongada crise. Não foi o antigo pequeno Posto da Guarda Fiscal do Cais Velho, cedido como “sede”, mais uma pequena barraca para o material que resolveram a questão da necessidade de uma Sede adequada! Nesses anos de crise a Direcção do tempo empenhou-se em encontrar ajudas para recuperar o casco do “Ilha Azul”, nessa altura com cerca de 30 anos, o que conseguiu e fez que voltasse a navegar em 1969. Um pouco mais tarde, já no início dos anos 70, um grupo de sócios, muitos deles regressados ao Faial depois de terem cumprido o SMO ou concluído estudos, promoveu uma AG para eleição de novos Corpos Gerentes, instalou uma sede provisória na Rua Conselheiro Medeiros e arranjou, no porto, um local mais apropriado para armazém. Já depois do 25 de Abril foi cedido ao CNH o edifício do antigo Quartel dos Remadores da Alfandega, junto ao Castelo, onde funcionou a Sede e o Salão Bar e Esplanada até 1989 e onde hoje é o Centro de Formação de Desportistas Náuticos do CNH. Em todo esse período dos anos 70 e 80 o CNH afirmou-se de forma crescente e clara como organizador de provas náuticas, como dinamizador de modalidades e actividades ligadas ao mar e como entidade com capacidade de atrair e envolver a Náutica Internacional de Recreio.

Com a passagem da formação em vela ligeira e remo, das Delegações de Desportos para os Clubes, o CNH entrou numa nova fase, coincidido com a entrega, aliás tardia, do então chamado Pavilhão Náutico, ao CNH. É esta a Sede em que nos encontramos, passados tantos anos!

Durante todos estes anos o CNH foi fazendo um percurso de crescimento na formação desportiva náutica de base num numero crescente de modalidades, na competição desportiva, na organização de eventos marcantes, que são exemplos fortes o Festival Náutico da Semana do Mar e a Atlantis Cup – Regata da Autonomia, na ligação, com participações concretas, à Náutica Internacional de Recreio, na chamada à Horta de Regatas de Alta Competição à Vela, na organização do Projecto Olímpico do atleta de alto rendimento do CNH, Rui Silveira, na participação, com atletas próprios, em provas internacionais de vela, com destaque para o Mundial de J80 e para o Europeu de Laser, na organização de provas internacionais de prestigio nas modalidades de Apneia e Fotografia Subaquática, na dinamização muito forte da prática de vela e remo em Bote Baleeiro classificado e recuperado, na participação na Regata Internacional de Botes Baleeiros em New Bedford, Pico e Faial, na clara evolução dos sectores infantis, juvenis e juniores da vela ligeira e canoagem, na consolidação e muito visível evolução desportiva da Natação, com a realização, recente, mas já consolidada da Travessia do Canal a Nado, na manutenção da Secções de Pesca Desportiva de Costa e Barco, com participações regionais e intercâmbios diversos, na actividade dos miniveleiros (modelos tele guiados) e mesmo com a actividade da nossa secção de Xadrez!

Desde 1999 o CNH dispõe de um Centro de Formação de Desportistas Náuticos, desde 1997 exerce a distribuição de combustíveis, por contrato com o concessionário, no posto de combustível da Marina da Horta. Atualmente o CNH tem um quadro de funcionários técnicos, administrativos e de apoio de 8 pessoas, tendo também a colaboração variável, mas frequente, de pessoas a fazer estágios ou que integram programas do fundo de desemprego. Acresce a estes a colaboração, em tempo parcial, de formadores, treinadores e monitores de várias áreas e modalidades náuticas.

Senhoras e Senhores

Feita, de forma muito breve e sintética, esta fotografia do CNH, nos seus 73 anos de existência e actividade, cabe-me agora falar do tempo em que estamos a viver, das caraterísticas positivas que temos, da gestão associativa que praticamos, da evolução qualitativa que temos tido, mas também das dificuldades e desafios que temos que enfrentar e resolver.

Desde logo tenho que referir que a Pandemia ainda em curso criou grandes constrangimentos que, como sabemos, afetaram toda a sociedade e, naturalmente, o CNH e a sua actividade. Sem receitas próprias a partir de meados de Março, com as actividades muito reduzidas, com a perspetiva de cancelamento, que teve que acontecer, de todos os grandes eventos, como a AC-RA, o Festival Náutico da Semana do Mar, a recepção das Regatas Internacionais, com a competição e treinos em vela ligeira, natação e canoagem suspensos e com a actividade presencial dos funcionários do Clube reduzidas ao abastecimento de combustível e segurança das embarcações, tivemos muita dificuldade em descortinar o caminho que podíamos e devíamos percorrer. Terminado o Estado de Emergência, a Direcção, que reuniu sempre em vídeo conferencia, discutiu e elaborou um Plano de Actividades Alternativo, que definiu as actividades que se poderiam fazer, no respeito pelas regras sanitárias e sempre em contacto com as Entidades responsáveis. Em junho começámos com treinos de natação em águas abertas, um pouco mais tarde começamos com treinos de vela e canoagem em pequenos grupos, em julho realizámos o Programa Férias Desportivas do CNH, com uma programação adaptada à realidade, com mais monitores para diminuir os grupos e com menos participantes e promovemos o Programa de Verão Vela Espetacular que se prolongou até 15 de agosto. Ainda em julho criámos as condições para que os Botes Baleeiros pudessem estar na rampa e treinar. Em agosto promovemos uma iniciativa de navegação, sem competição, na vela de Cruzeiro e um passeio, da Secção de canoagem em caiaques à Madalena do Pico. Em finais de agosto e até hoje realizamos actividades já integradas nas Comemorações do Aniversário do Clube na natação com a travessia longa da doca e com uma prova de 8 km, do Porto Pim a Castelo Branco, substitutiva da Travessia Pico Faial que a meteorologia não deixou fazer, na canoagem com provas de fundo e velocidade, na pesca de costa e pesca de barco, nos miniveleiros e na vela de cruzeiro, com grande brilhantismo, no passado sábado, dia do Aniversário, onde 19 veleiros nacionais, estrageiros estacionados e estrangeiros em escala, disputaram um belíssima regata na nossa baia. Ainda se farão provas de vela ligeira e botes baleeiros desde que a meteorologia o permita. Refira-se ainda que neste período o nosso Centro de Formação realizou dois cursos de Marinheiro, já com os exames feitos e está a decorrer um curso de Patrão Local. Registe-se ainda que, com a abertura da piscina da ESMA, recomeçaram, com regras adequadas, os treinos de natação do aperfeiçoamento e da competição e que, em breve recomeçarão os treinos de iniciação. Os treinos de vela ligeira e de canoagem de início da época estão também a ter lugar.

Como atrás vimos estamos a dar cumprimento efetivo ao Plano de Actividades Alternativo que concebemos e que mereceu a aprovação e contemplação com contratos programa da parte da Direcção Regional do Turismo, da Câmara Municipal da Horta e da Direcção Regional da Cultura, no que toca ao Património Baleeiro. Registo, em nome do CNH, a atitude positiva das Entidades atrás referidas, atitude essa que viabilizou as actividades desportivas náuticas que se podiam fazer e que ajudou a viabilizar a permanência, sem reduções, da estrutura profissional que enquadra a actividade do CNH. Às Entidades referidas, em especial ao Senhor Presidente da CMH aqui presente, endereço o reconhecimento do CNH pela forma adequada como os valores e conteúdos destes contratos programa foram determinados.

Hoje mesmo e daqui a poucos minutos daremos o devido cumprimento a outra medida do Plano de Actividades Alternativo: a publicação da Revista Atlantis Cup – Regata da Autonomia, que decidimos realizar e publicar, apesar da Regata não ter podido ser feita. A minha colega de Direcção, Susana Silveira da Rosa, fará daqui a pouco a apresentação da Revista, dando todas as explicações sobre esta decisão. Não posso, entretanto, deixar de referir que quando pensámos incluir no Plano de Actividades Alternativo a edição da Revista da Regata da Autonomia, que este ano não se realizou, não quisemos tomar qualquer decisão sem saber o que sobre isso pensava a Senhora Presidente da ALRAA, Entidade que concede, desde 2001, o seu Alto Patrocínio a esta Regata que procura unir os Açores. Da parte da Senhora Presidente encontrámos plena concordância e muito carinho para com esta ideia de publicar a Revista afirmando assim que a Atlantis Cup vai continuar. Por ser assim quero expressar, de viva voz, à Senhora Presidente o reconhecimento do CNH.

Senhoras e Senhores

Este Clube tem nas ultimas dezenas de anos feito um caminho ascendente, acompanhando as evoluções, participando com vivacidade no Movimento Associativo Náutico através das Associações Regionais e Federações Nacionais, procurando a evolução da qualidade desportiva náutica, mantendo as ligações internacionais essenciais à promoção do Açores e do Faial, assumido preocupações e ações de defesa ambiental do Mar, como aconteceu na manhã do passado sábado, dia do nosso Aniversário, em que foi parceiro, com muitas outras entidades, de uma eficaz  ação de limpeza do fundo do mar, promovida pela DRAM .

Do ponto de vista interno as sucessivas Direções têm mantido um tipo de gestão verdadeiramente associativa, onde todos os membros da Direcção têm responsabilidades executivas diretas, onde o apelo à participação dos Sócios é permanente e dá lugar, desde há muitos anos, a uma muito grande participação voluntária na organização de provas de mar, de festivais náuticos, de recepção de regatas, situações essas que não poderíamos enfrentar se não fosse assim.

Não posso deixar de referir, antes de terminar, duas preocupações muito grandes que marcam a realidade actual deste Clube.

A primeira diz respeito à, já antiga, degradação e enorme insuficiência destas instalações, problema há muito equacionado, que já teve várias orientações em sentidos diversos e que hoje é agravado pela muito crescente dificuldade de acesso ao mar das nossas frotas ligeiras.

A segunda diz respeito às crescentes e já muito sérias dificuldades em barcos e outros equipamentos de treino e competição na vela e canoagem, à obsolencia de uma boa parte da nossa frota de apoio e à carência generalizada de equipamentos que servem todas as modalidades.

Quero neste momento evocativo do 73º Aniversário do CNH cumprimentar todos os sócios, todos os desportistas, todos os funcionários e colaboradores, porque foi com eles, ao longo de já tantos anos, que o Clube fez o seu caminho e assim continuará a suceder.

Cumprimento com apreço todas as Entidades Oficiais, nomeadamente a ALRAA, muito departamentos do Governo Regional, a Câmara Municipal da Horta, muitas outras Câmaras Municipais onde a nossa actividade chega, as Freguesias nossas parceiras, as  Associações Regionais de que somos sócios, as muitas Federações Nacionais que integramos, os nossos Patrocinadores Privados, agradecendo a todos os apoios de todo o tipo que nos concedem e que são de grande importância para a actividade que persistimos em fazer.

Quero igualmente cumprimentar a Portos dos Açores, SA, entidade gestora deste porto, pela excelente e permanente colaboração operacional quotidiana que mantém com o CNH e a Autoridade Marítima Nacional, que no cumprimento das suas competências tem um relacionamento muito próximo com o Clube e que o desenvolve sempre de forma construtiva e cordial.

Vou terminar esta evocação do 73º Aniversário do CNH, sublinhando a esperança que temos no futuro dizendo simplesmente VIVA O CLUBE NAVAL DA HORTA!

28/9/2020

José Decq Mota

73 aniv cnh apresent revista ac2020 12 2020

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