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21º Aniversário da APADIF: Vice-Presidente fala do papel desta instituição na comunidade faialense

A APADIF nasceu há 21 anos e actualmente conta com 4 valências: Centro de Dia para Idosos, na Conceição; ATL para crianças na Escola da Volta, nos Flamengos; Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ) e Moviment’arte, apoiando cerca de 200 utentes, graças ao trabalho de 27 funcionários.
O Clube Naval da Horta (CNH) é parceiro da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), que está a comemorar 21 anos de existência e tem como Presidente José Fialho.
Atendendo ao Protocolo assinado em Novembro de 2011 e à criação do Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”, estas duas instituições puseram em marcha no Faial a Vela para pessoas com mobilidade reduzida, iniciativa pioneira e única na Região Autónoma dos Açores. Neste sentido, é de recordar o Campeonato Nacional da Classe Access realizado em Julho deste ano e que juntou, pela primeira vez, participantes de todas as regiões de Portugal, numa organização de sucesso do Clube Naval da Horta, em estreita colaboração com o seu parceiro privilegiado: a APADIF.
Perante todas referências, é com regozijo que o CNH se associa ao programa comemorativo do 21º aniversário da APADIF – assinalado no dia 10 do corrente – organizando o “Torneio APADIF - Regatas de Vela Ligeira”, que vai já na sua 3ª edição. Sábado, dia 08, todas as Classes da Escola de Vela do Clube Naval da Horta participarão nesta Prova – integrada no Campeonato de Ilha do Faial – incluindo a Classe Access.
Aproveitando a efeméride, o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta conversou com João Duarte, Vice-Presidente da APADIF e simultaneamente Treinador e Responsável pelo Projecto da Vela para pessoas com mobilidade reduzida no CNH.
O programa consagra, como se pode observar abaixo, um vasto leque de actividades, que visam, de acordo com João Duarte, “desenvolver um trabalho de promoção da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência”.
“Transmaçor preparada com acessibilidades”
Segunda-feira, dia 03, a convite da Transmaçor, utentes das diferentes valências da APADIF viajaram até ao Pico, um passeio que serviu de treino para as tripulações no manuseamento de equipamento adaptado que existe na embarcação. “A deslocação permitiu avaliar até que ponto é que existiam ou não as condições de acessibilidade necessárias para este transporte e, por outro lado, pretendeu-se sensibilizar a comunidade regional, e o Faial em particular, para a necessidade da destruição das barreiras arquitectónicas e a promoção de cada vez mais e melhores acessibilidades para todos”, salienta este Técnico em Educação Especial e Reabilitação.
“O Clube Naval da Horta é um parceiro privilegiado da APADIF, com quem desenvolve o Projecto “Vela Para Todos – Faial Sem Limites”
Além da visita às recém-inauguradas instalações da gare de passageiros da Madalena, “esta viagem foi extremamente positiva, porquanto permitiu verificar que existiu por parte da Transmaçor a preocupação de dotar a empresa de barcos devidamente equipados que possibilitam a acessibilidade muito fácil de qualquer pessoa em cadeira de rodas ou mesmo de maca”, sustenta João Duarte, congratulando-se com “a facilidade com que hoje em dia se faz o transporte de doentes entre o Faial e o Pico”.
O programa de terça, quinta e sexta-feira (4, 6 e 7) contempla visitas a várias Escolas do Faial com o intuito de “sensibilizar para a diferença”. Nesse sentido, Vanda Ângelo, colaboradora da APADIF, fala das suas vivências pessoais enquanto invisual, dando o testemunho de uma vida, onde esteve presente o lado profissional.
Quarta-feira, dia 05, desenvolveram-se actividades radicalmente diferentes, em que os utentes das valências da APADIF bem como os convidados do Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da Santa Casa da Misericórdia da Horta tiveram a oportunidade de fazer um slide, com cadeira de rodas ou sem esta conforme a sua situação, com a ajuda da equipa Grande Ângulo, dos Bombeiros Faialenses. “Os Soldados da Paz disponibilizaram-se de imediato e ficaram entusiasmadíssimos com esta parceria”, avança João Duarte.
Uma visita ao Quartel e um passeio na mais carismática viatura dos Bombeiros, culminaram as acções previstas para este dia. Estas actividades tiveram início pelas 14 horas na Praça da República e contaram, também, com o apoio da Câmara Municipal da Horta ao nível da disponibilização do espaço e de alguns equipamentos necessários.
Sexta-feira, dia 07, a APADIF debate com os Responsáveis pelo Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP) da PSP local as preocupações e dificuldades que existem ao nível das acessibilidades na ilha do Faial, e mais concretamente na cidade da Horta, para pessoas com mobilidade reduzida que são automobilistas. “São pessoas que têm veículos adaptados, circulam na via com esses veículos e muitas vezes têm dificuldades muito específicas em termos de acessibilidades aos passeios, aos locais públicos e não só”, explica o Vice-Presidente desta instituição, acrescentando que “numa primeira fase o objectivo é avaliar as preocupações específicas deste público-alvo, mas a pretensão final é estender isso a todas as pessoas e tentar identificar os pontos mais críticos da acessibilidade na cidade”.
Sendo esta uma primeira reunião preparatória, “o que se espera é que sejam pensadas algumas acções de sensibilização para a promoção de melhores acessibilidades e um maior cuidado ao nível do automobilista, do peão, do estacionamento, etc”, refere João Duarte, que já reparou que “no parque de estacionamento do Hiper, por exemplo, os lugares destinados a idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, que se encontram junto à porta, muitas vezes estão ocupados por pessoas sem qualquer tipo de problema.
Estas acções destinam-se a educar e sensibilizar o público em geral para o respeito de quem é diferente”.
De salientar que só no Projecto “Vela para Todos - Faial Sem Limites”, existem 3 condutores.
Este Técnico defende que “é possível derrubar as barreiras arquitectónicas existentes”. No entanto, o que mais o preocupa não são as que existem mas, sim, as que são construídas todos os dias. “Aquelas que existem já são contornadas pelas pessoas com mobilidade reduzida, o problema são as que surgem de novo”.
João Duarte é o Treinador da Classe Access, no Clube Naval da Horta
Embora a legislação seja abundante no que toca a regras de construção de acessibilidades, a verdade é que não passam do papel. “Portugal é um dos países mais avançados em termos de legislação e da protecção das pessoas com deficiência ao nível das acessibilidades, dispondo de decretos-lei muito específicos no acesso a edifícios públicos e privados”, sublinha João Duarte, afirmando que “a lei existe, mas pelos vistos em Portugal as coisas não acontecem por decreto”. “Entendo que devia ser feito um esforço no que diz respeito à inspecção dos serviços competentes para avaliarem se a lei é ou não cumprida, mas também no que concerne à mentalidade das pessoas, fazendo-as ver que as acessibilidades não são uma preocupação do vizinho do lado, mas algo de âmbito global. Além do mais, este assunto não tem como foco apenas pessoas com deficiência, mas quem tem crianças e anda com carrinhos de bebé, pessoas mais idosas, acidentados, etc. Quando as acessibilidades são melhores, todos nós beneficiamos”, remata.
“Horta e os seus habitantes não estão preparados para a diferença”
Este Dirigente concorda que a Horta está “muito longe” de ser uma cidade com acessibilidades. Aliás, classifica-a como “um labirinto”. “Apesar de começar a haver aqui e ali sinais de alguma preocupação neste sentido, não há medidas de fundo para essa mudança”, constata.
Passeios, edifícios, estacionamentos, utilização do mobiliário urbano como caixotes do lixo, mupies, sinais de trânsito, bancos, etc, são exemplos do que é preciso mudar. “As pessoas pensam que tudo isto não incomoda, mas são obstáculos que, caso não haja cuidado, constituem rasteiras perigosas para aqueles que são invisuais ou se deslocam em cadeiras de rodas”.
Paralelamente ao facto de a cidade (e da ilha) não estar preparada para uma população com mobilidade reduzida, os seus habitantes sofrem do mesmo mal. “Temos de trabalhar mais a esse nível, pois a questão da deficiência só é verdadeiramente percebida quando nos toca directamente, temos alguém na família ou quando trabalhamos na área. Temos de mudar este cenário, para que todos possam ter os mesmos direitos e oportunidades”, enfatiza.
Mesmo desconhecendo os meandros do projecto, João Duarte sabe que a edilidade está a fazer um levantamento daquilo que são as barreias arquitectónicas e a possibilidade de, ao nível do espaço urbano comum, se desenvolverem obras de readaptação de algumas situações para minimizar essas dificuldades.
“População deve ser participante e não espectadora”
A realização destas actividades tem como objectivo envolver a população, que já vê com “alguma naturalidade” estas acções, a qual deve passar de mera espectadora a participante activa. “Este modelo de uma maior participação das pessoas e envolvimento das entidades está a ser iniciado. O que se pretende – e constitui mesmo um objectivo da APADIF – é a visibilidade da deficiência. Temos de dar mais visibilidade à diferença para que esta seja compreendida e conhecida no sentido de vivermos numa comunidade em que a diferença deixe de ser algo que incomoda ou deixe de ser uma diferença tão visível como é por vezes hoje em dia”.
João Duarte: “O que me preocupa não são as barreiras arquitectónicas existentes, mas as que surgem de novo”
APADIF: 21 anos a trabalhar para uma sociedade mais inclusiva
Ao fim de 21 anos de lutas e labutas, o Vice-Presidente não tem dúvidas em dizer que “a APADIF está bem presente na comunidade faialense”. “Sentimos que a comunidade está mais desperta, embora eu tenha o hábito de dizer que estamos a subir uma escadaria muito grande. Apesar de ainda termos muitos degraus para subir, já conseguimos subir alguns. É um processo que está sempre a evoluir. Penso que nestes 21 anos a APADIF tem dado um contributo nessa escalada que visa uma sociedade mais inclusiva”, frisa.
O facto de as pessoas que trabalham na APADIF e de os utentes das diversas valências serem não só da cidade mas também de algumas freguesias rurais (onde já foram realizadas certas acções de divulgação e sensibilização), contribuiu para o conhecimento desta instituição.
Questionado sobre a capacidade de resposta da APADIF, João Duarte responde que “não há total cobertura” das necessidades evidenciadas. E é por isso que a APADIF está a batalhar para a criação de um segundo CAO na ilha do Faial, que possa dar resposta a pessoas adultas com deficiência. “É uma resposta mais global do que aquela que é dada actualmente pelo projecto Moviment’arte. O nosso desejo é transformar este projecto num centro de actividades ocupacionais com uma capacidade de resposta das 9 às 5 da tarde, que possa englobar mais utentes, indo de encontro às necessidades das famílias que nos procuram”, sublinha este Responsável.
Visando uma resposta cabal, esta instituição acalenta o desejo de vir a ter uma valência de residência. “Temos de preparar o futuro dos nossos utentes, uma vez que os familiares directos, os cuidadores, são pessoas ainda com mais idade do que os utentes que não conseguem acompanhá-los toda a vida”.
Refira-se que a Santa Casa já dispõe de uma residência e de um CAO no Faial, áreas em que “há necessidade de alargar o apoio que é dado por forma a dar resposta a todos os que procuram a APADIF”.
O foco de acção desta instituição está mais centrado nos adultos, porque no que diz respeito às crianças, “essa matéria é da responsabilidade do Ministério da Educação e das Escolas”. “Numa lógica de escola inclusiva, é aí que estas respostas têm de ser dadas”, realça este Técnico, acrescentando que “as crianças com deficiências devem ser apoiadas nas escolas por equipas multidisciplinares, com apoio individualizado, que lhes permita ter o seu aproveitamento e convívio escolar”.
A APADIF tem vindo a alertar as entidades responsáveis para uma maior necessidade de investimento da escola pública no atendimento das crianças que são diferentes. Neste sentido, em Setembro deste ano foi criado o Moviment’arte, que é um movimento reivindicativo de pais para que existam mais condições para as crianças que são diferentes e que necessitam de uma resposta mais adequada nas escolas.
Por tudo o que foi exposto, João Duarte acredita que “a APADIF tem tido um papel importante na sociedade faialense”, com impacto directo na vida das famílias que têm problemas de deficiência. “São pequenas respostas que ainda estão aquém daquilo que são as necessidades reais, mas acreditamos que têm tido um impacto positivo no dia-a-dia dessas famílias”.
Valências e utentes
Ao longo destas duas décadas de trabalho, a APADIF não se restringiu só a questões relacionadas com a deficiência. “É uma instituição que esteve sempre aberta a colaborar com as diferentes entidades nas áreas sociais, tentando dar resposta nessas áreas e a situações de carência na ilha”, sustenta o Vice-Presidente.
Como tal, dispõe também de um Centro de Dia para Idosos, que funciona na Conceição; de um Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ), relacionado com a prevenção do abandono e sucesso escolar e produção de hábitos de vida saudável junto da comunidade juvenil; e um ATL para crianças na Escola da Volta, nos Flamengos.
No dia de aniversário – dia 10, segunda-feira – todas as valências da APADIF irão intervir na Sessão Comemorativa, que tem como palco o Teatro Faialense. Haverá música e dança para crianças, jovens e idosos. Este evento é aberto a toda a comunidade faialense, pelo que João Duarte convida a população a comparecer.
Nesse dia, os Presidentes da APADIF, José Fialho, e da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, também intervirão, bem como representantes de outras instituições. A festa vai contar com a presença do Director Regional da Solidariedade Social, Frederico Sousa, em representação da Secretária da tutela, Andreia Cardoso.
A finalizar, será apresentado o jornal “Vozes”, editado anualmente há cerca de 20 anos e que habitualmente sai à rua em dia de aniversário. A edição deste ano constitui “uma surpresa em termos de novo visual” e conta com a colaboração especial de Renata Lima.
As eleições para os Corpos Sociais da APADIF acontecem de 2 em 2 anos, pelo que este ano há caras novas. José Fialho conduz os destinos desta instituição há mais de 16 anos.
Programa comemorativo do 21º Aniversário da APADIF
Dia 03 de Novembro:
14h00 - Acção de Sensibilização para a Inclusão e Acessibilidades
Treino das Tripulações e do Equipamento Adaptado da Transmaçor
Dias 04, 06 e 07 de Novembro:
Acções de Sensibilização “Promover a Diferença nas Escolas”
Dia 04 de Novembro: EBI/JI Flamengos e Vista Alegre
Dias 06 e 07 de Novembro: Escola Secundária Manuel de Arriaga
Dia 05 de Novembro:
14h00 - Actividades Radicalmente Diferentes, na Praça da República
Dia 07 de Novembro:
17h30 - Acessibilidades para Automobilistas com Mobilidade Reduzida. Programação de Acções Futuras com a PSP Horta
Dia 08 de Novembro:
09h00 - Torneio APADIF: Regatas de Vela Ligeira (em colaboração com o CNH)
Dia 10 de Novembro:
20h00 - Sessão Comemorativa do 21º Aniversário, aberta à comunidade, no Teatro Faialense
- Actuações das Valências da Instituição
- Intervenções das Diversas Entidades
- Lançamento e Distribuição do Jornal “Vozes”