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José Decq Mota faz o balanço a dois anos de trabalho: Intensificação da actividade desportiva náutica do Clube Naval da Horta e esforço reorganizativo marcaram o mandato que está prestes a terminar

Embora o mandato do actual elenco directivo do Clube Naval da Horta (CNH) só termine no dia 08 de Janeiro de 2015, uma vez que não surgiram listas na Assembleia Geral Eleitoral realizada no dia 11 deste mês, o Presidente da Direcção desta instituição, José Decq Mota (que continuará a ser Presidente no próximo mandato, com vigência em 2015 e 2016), fez o balanço a estes dois anos de trabalho: 2013 e 2014. Na base da sua aceitação da indigitação para novo mandato, pela Assembleia Geral de 11 do corrente, está o facto de achar fundamental consolidar processos em curso e concretizar outros de grande importância para um melhor funcionamento do Clube e um cabal aproveitamento do potencial existente.

Revisão dos Estatutos, revisão da grelha salarial dos funcionários, reorganização interna do Clube e mais elementos femininos nos Corpos Sociais, são alguns dos focos da próxima Direcção do CNH, que espera que a nova sede seja uma realidade no decorrer deste mandato, que começa em Janeiro de 2015.



- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais os marcos deste mandato que agora termina?
- José Decq Mota: Este mandato é marcado por duas situações fundamentais: intensificação da actividade desportiva náutica do Clube Naval da Horta (CNH) e um esforço reorganizativo de muitos aspectos da actividade concreta. Dentro desta perspectiva, no que respeita à actividade desportiva, penso que muito foi feito e com certeza que muito haverá a fazer, porque a intensificação da actividade em si gera situações novas. Se temos actividade mais intensa em todas as modalidades, é evidente que mais depressa os meios precisam de ser reparados ou substituídos e maior despesa há com os barcos de apoio, etc. A intensificação da actividade coloca patamares de exigência maiores. Mas não é por isso que vamos deixar de ter esse objectivo.

Ao mesmo tempo, foi feita uma reorganização de serviços, formas de actuar, etc, com vista a se poder ir acompanhado as exigências em todos os aspectos, nomeadamente nas questões económico-financeiras. Penso que o balanço deste mandato é muito positivo. A equipa, que terminará as suas funções no dia 08 de Janeiro de 2015, cumpriu bem as suas tarefas. Evidentemente que há, especialmente dentro desta perspectiva de reorganização, processos que se encontram em curso – e que estão a decorrer bem – mas que não estão ainda consolidados, de que são exemplos a transformação que estamos a introduzir, com sucesso, na Escola de Vela, na Natação e todas as beneficiações que se procurou iniciar na Canoagem. Como problema maior, surge a questão que se prende com a renovação das frotas especializadas do Clube, isto porque há já vários anos que se encontram suspensos todos os programas oficiais ou associativos de apoio à renovação das frotas de Vela Ligeira e de Canoagem, especialmente estas duas. Por outro lado, os apoios para a frota de apoio, como semi-rígidos, botes de borracha, etc, também não existem neste momento, o que coloca o Clube numa posição que, por enquanto é sustentável, mas que se vai tornar delicada se não encontrarmos algumas vias de alteração desta situação.


“O Clube Naval da Horta está a ter uma maior procura nas modalidades náuticas”

O que vai acontecer é, termos procura e não termos capacidade de resposta. Já notamos que estamos a ter maior procura nas modalidades náuticas e penso que este não é um trabalho exclusivo da Direcção que agora termina funções. Há indícios disso e dou como exemplo os programas, nomeadamente o programa de parceria que tivemos em 2013 com a Escola Secundária que trouxe uma série de jovens entre os 15 e os 17 anos para praticar Vela no Clube e que suscitou interesse em alguns e o uso dos Botes Baleeiros para a prática da Vela numa perspectiva de usufruto popular daquele património histórico e este interesse motivou que um grupo de pessoas solicitasse o Curso de Iniciação de Vela para Adultos. Já se fez um e está perspectivado outro. Está a ser pensado, num curto prazo, a realização de um Curso Avançado depois do Curso de Iniciação, numa perspectiva de continuidade.

No que respeita à Vela Ligeira, há um aumento de interesse. Na Canoagem, é nítido o aumento, o alargamento e a consolidação do número de praticantes, embora o material não seja muito. Vamos ter de encontrar algum mecanismo que nos permita resolver os problemas mais urgentes, que se situam ao nível de uma embarcação 420, velas de competição para Optimist, algum reforço da Secção da Canoagem e ao nível de dar alguma resposta à Secção de Windsurf, em reactivação. Os praticantes têm o seu próprio material e é assim que deve ser, o que quer dizer que o Clube não vai adquirir pranchas de competição nem outro, mas será natural que para a Secção funcionar estruturadamente, tenha de existir no futuro, quando for possível, algum material de iniciação, que não é um material que o atleta adquira, mas que as Escolas devem possuir, e se nós vamos fazer Iniciação ao Windsurf, teremos de ter algum material para isso. O que quero dizer com isto, é que nada está acabado. O mandato correu bem, o essencial decorreu muito bem, o nível de eventos, a intensificação da actividade, a melhoria da qualidade do treino em geral, deram-se passos importante nesse sentido, mas nada está acabado, porque maior intensificação traz maior desgaste, maior desgaste agudiza as necessidades e isto obriga a que haja soluções. Espero que os próximos dois anos possam ser de consolidação de alguns processos em curso, de lançamento de outros e de criação de condições para enfrentar os desafios que a maior actividade implica.

Era racional que a mesma equipa continuasse

- Gabinete de Imprensa: Foi a necessidade de consolidação que o levou a disponibilizar-se para um segundo mandato consecutivo?
- José Decq Mota: Eu não tinha propriamente vontade de fazer mais um mandato. A minha posição neste mandato foi sempre clara. Estando vários processos em curso e sendo urgente lançar outros, sempre pensei que era racional que a mesma equipa continuasse.

Independentemente da minha própria vontade. Isto é muito absorvente e cansativo. E muitas vezes sentir-me-ia muito mais confortável, se nos próximos tempos não tivesse esta responsabilidade. A clareza que eu punha era a seguinte: eu não vim para aqui em 2012 por iniciativa pessoal. Não tomei a iniciativa de procurar pessoas. Pelo contrário. Um conjunto de sócios bem mais novos do que eu, é que me procurou para coordenar uma nova equipa e eu aceitei. Agora, quando chegou ao fim do mandato e praticamente a totalidade desse grupo me disse que estava indisponível para continuar, uns por razões de ordem profissional, outros por razões de ordem pessoal ou por outras responsabilidades que tiveram de assumir nas suas vidas, entre outros aspectos, não fazia sentido que essa equipa ficasse reduzida a uma pessoa. Por outro lado, tive o cuidado, assim como a restante Direcção, de anunciar com o dobro da antecedência que prevêem os Estatutos, a data da Assembleia Eleitoral, precisamente para possibilitar que sócios ou grupos de sócios se pudessem organizar para concorrer às eleições. Obviamente que não tinha nenhuma intenção de criar um impasse. Nos últimos 30 anos já existiram algumas vezes impasses na vida do CNH e têm tido sempre solução de forma mais demorada ou rápida.

O que interiorizei foi o seguinte: se desta minha equipa que trabalhou na Direcção, houvesse um conjunto mínimo de pessoas, contando comigo, que estivesse disponível, no caso de não aparecer alternativa e de a Assembleia Geral concordar com isso, avançaríamos. A partir de agora, quando eu, o Jorge Oliveira e a Olga Marques estivermos a trabalhar na formação de uma equipa, já o fazemos escolhidos pela Assembleia Geral e com a confiança da instituição. Não estamos a trabalhar para concorrer com outros. Eu não teria aceitado ser indigitado sozinho. O Vice-Presidente Jorge Macedo foi uma pedra estruturante e basilar da equipa da Direcção e a Vogal Olga Marques conseguiu sempre, ao longo deste mandato, conciliar uma perspectiva plena do exercício do cargo directivo trabalhando muito bem os difíceis problemas do sector dela, que é o da Natação mas, ao mesmo tempo, contribuindo para as tarefas gerais da Direcção de forma cada vez mais intensa e persistente. A par de outros, que não têm possibilidades de se recandidatar, eram duas pedras fundamentais da equipa anterior. Penso que agora temos condições, com a indigitação dos três pela Assembleia Geral, para encontrar uma equipa que possa estar ao nível da que agora termina funções mas, por outro lado, dar também resposta aos novos desafios, que vou referir.

“Vamos ser muito cuidadosos na selecção das pessoas para a nova Direcção”

- Gabinete de Imprensa: Acha que vai ser fácil encontrar pessoas disponíveis com vontade de trabalhar?
- José Decq Mota: Sim, e adequadas a que, com o seu saber e experiência, possam contribuir para o produto final, que é uma boa gestão no plano económico, administrativo, financeiro e desportivo desta instituição já complexa, com dimensão e com um orçamento extenso. Temos de procurar pessoas que possam fazer ligação e enquadrar as Secções desportivas, tendo dentro das suas tarefas essa responsabilidade por um lado e, por outro, procurando dinamizar mais as Comissões de Secção, mas tem de haver sempre a ligação à estrutura directiva – que tem o poder deliberativo, fruto da conjugação de todas as coisas – mas não é só isso. Temos de ter na Direcção pessoas que possam dar contributos importantes, por exemplo, pessoas que possam exercer a função de Tesoureiro que é complexa; pessoas que possam dar contributos para uma das prioridades, que é a reorganização da vida interna do Clube; pessoas com conhecimento e capacidade de estruturação de serviços, de interligação entre os diversos níveis e componentes de serviço. Queria que na nova equipa houvesse pelo menos uma pessoa especializada nisso. Teríamos de encontrar uma estrutura – além das pessoas da Direcção – próxima da Direcção onde os Monitores, os Treinadores, os Técnicos ao serviço do Clube possam expressar com fluidez as suas opiniões, sugestões, propostas, etc. Sem nenhuma perspectiva centralizada na pessoa do Presidente, mas com a eficaz coordenação destes níveis.

Vamos ser muito cuidadosos na selecção das pessoas para completar a futura Direcção. Dentro da nova equipa, no grau possível e dentro das competências estatutárias, os outros órgãos directivos devem ter uma maior predisposição para uma acção mais visível. Estou a referir-me essencialmente ao Conselho Geral que não pretende ser um lugar de arrumação de nomes. Deve ser uma estrutura muito mais cooperante neste processo de permanente evolução e transformação que o Clube Naval necessita. Estão lá vários antigos presidentes e membros de antigos corpos gerentes, gente com muita experiência em várias áreas e vamos procurar na nova composição que essa realidade seja reflectida. Estou confiante na possibilidade de encontrar uma boa equipa.


“Para além de uma que já está indigitada, que é a Olga Marques, estou a pensar em mais duas senhoras para a Direcção, cujos nomes não vou revelar”

Mais mulheres na Direcção

- Gabinete de Imprensa: Por que razão as mulheres figuram sempre em número tão reduzido nas Direcções do CNH?
- José Decq Mota: Logo pelo facto de o número de mulheres sócias do CNH ser baixo, porque normalmente os maridos é que são sócios. Há excepções, mas a tradição não é esta. Há 2 anos quando estávamos a terminar a lista deparámos com essa questão. Basta andar por aqui durante a Semana do Mar ou este ano durante o Campeonato Nacional de Access para ver que algumas senhoras, que fazem parte de grupos de voluntariado e apoio, têm todo o cabimento numa Direcção. Para além de uma que já está indigitada, que é a Olga Marques, estou a pensar em mais duas, que não vou revelar, mas será feito o apelo nesse sentido.

“As pessoas que integram Direcções têm sempre alguma ligação ao Clube”

- Gabinete de Imprensa: O que é preciso para integrar uma Direcção, além de ser sócio, ter gosto, conhecer o Clube?...
- José Decq Mota: Normalmente, quem acaba por chegar a uma Direcção são pessoas que, de uma forma ou de outra, têm ligação ao Clube como praticantes ou por estarem envolvidas em eventos (participam em equipas de terra, barcos de apoio, fotografia, etc). Têm uma ligação e conhecimento genérico da vida do Clube. Mas todos têm uma ligação afectiva. Muitas vezes, temos de procurar pessoas com alguma preparação específica, como é o caso do Tesoureiro que, além de conhecer minimamente o Clube e perceber como é que isto gira, tem de saber de contabilidade.

No futuro, é importante ter na Direcção uma pessoa especialmente preparada para ir dando passos nas modificações internas do funcionamento. Há muitos dirigentes de empresas ou da Função Pública que têm essa preparação. Mas se encontrarmos alguém que, ao mesmo tempo já conheça a vida do CNH e tenha intuído que o nível em que estamos exige uma organização profissional melhor estruturada, então vamos ter um elemento da Direcção, masculino ou feminino, muito válido por aí.

- Gabinete de Imprensa: Também é preciso haver gente jovem nas Direcções…
- José Decq Mota: Uma outra preocupação que eu penso que tem de haver, é a de procurar ir incluindo nos Órgãos Directivos gente na faixa etária dos 40 ou dos 45, o que não é muito fácil. Pessoas que estão na casa dos 30 devem ser convidadas para que possam ir tendo uma aproximação e não subsista esta situação demasiado frequente de não aparecerem listas.

É evidente que hoje em dia é difícil o associativismo. Fala-se muito de voluntariado, mas muitas vezes a vida das pessoas também não se compadece com isso, porque muita gente para poder ter um padrão de vida, legítimo, para além da sua profissão, obrigam-se a fazer outras actividades complementares remuneradas e, portanto, essas pessoas dificilmente poderão ter mais tempo para dedicar a associações como esta. A situação geral do país mudou a vida das pessoas. Não se trata de uma situação de egoísmo, mas de uma época muito difícil para muita gente. E actualmente as pessoas, muito legitimamente, aspiram viver num determinado nível de conforto e de satisfação de necessidades, que a sociedade de hoje consegue satisfazer e que há 50 anos não existia. A exploração da força do trabalho tudo tem feito para desvalorizar o rendimento dos vários escalões que agora recebem muito menos do que há pouco tempo. Isto tudo dificulta o trabalho. Por outro lado, uma instituição deste tipo não pode entrar na aventura de procurar ter dirigentes remunerados por pouco que fosse. Isso até podia funcionar temporariamente, mas depois ia morrer porque não tem rendimento próprio para sustentar uma situação dessas. Imaginemos que em vez de ser uma Direcção de 11 elementos, seria apenas de 5 em que todos têm o seu emprego, mas que o trabalho do Clube era encarado como um part-time, com um complemento remuneratório. Talvez fosse mais fácil encontrar algumas pessoas, mas não seria nada sustentável e matava o segredo do crescimento deste Clube, que é o trabalho voluntário.

O Clube recorre e tem de recorrer a professores de Natação, de Canoagem, etc, mas essas pessoas quando prestam um serviço ao Clube, estão a exercer a sua actividade profissional, estão noutra situação.

O Clube Naval da Horta sempre esteve atento às regatas internacionais

- Gabinete de Imprensa: Este ano deu-se um passo importante em termos de regatas internacionais com a Regata “Lorient – Horta Solo”…
- José Decq Mota: O Clube Naval da Horta sempre esteve atento às regatas internacionais, mas esta Direcção teve o cuidado de fazer um envolvimento permanente dentro desta questão, no âmbito da Comissão Náutica Municipal, um organismo criado pela Câmara Municipal da Horta que envolve a própria Câmara, o Clube Naval da Horta, a Portos dos Açores S.A. e a Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA). Dentro desta Comissão, tratam-se fundamentalmente das questões da atracção de regatas internacionais à Horta. Neste ano de 2014 deu-se um passo muito grande atraindo mais uma regata de competição, da Classe Fígaro, que esteve cá em Setembro (“Lorient – Horta Solo”) e que resultou num sucesso para nós e para os franceses, com garantia de continuidade. O nosso envolvimento foi muito positivo; já tinha havido este ano a Regata de 6,5 metros e em 2013 houve a dos 40 pés.

Permaneceu neste mandato de dois anos, o apoio dado ao Rally Atlântico ARC Europe, uma área que está a dar frutos.


José Decq Mota: “Estamos e queremos estar envolvidos nesse esforço de captação de regatas internacionais para a Horta”

“A Horta está na rota da alta competição da Vela Oceânica”

- Gabinete de Imprensa: Estamos a falar de um excelente veículo de divulgação da Horta e do Faial.
- José Decq Mota: A Horta é hoje mais conhecida do que há meia dúzia de anos como escala da náutica internacional de recreio de alta competição. Não é por acaso que mesmo fora de época, passaram bem recentemente pela Horta dois catamarans de alta competição. O Porto da Horta vai sendo mais conhecido, as suas instituições estão harmonizadas com as congéneres francesas de Lorient e de Sables d’Olonnes e isso faz com que a nossa responsabilidade vá aumentando. Este Porto está já na rota da actual Alta Competição da Vela Oceânica. E este é um grande objectivo que temos de continuar a aprofundar. O Clube Naval da Horta é uma parte importante desse esforço pela sua natureza técnica. Nós damos apoio a embarcações mesmo fora das regatas. Por exemplo, estes catamarans que vieram cá recentemente, solicitaram ajuda e, através da Portos dos Açores S. A., houve a utilização dos nossos semi-rígidos que, juntamente com um da Marina da Horta, estiveram envolvidos nas manobras de apoio, entrada, atracagem, etc. Estamos e queremos estar envolvidos nesse esforço de captação.

“Do ponto de vista desportivo, o projecto olímpico do Rui Silveira é da maior importância”

- Gabinete de Imprensa: Em termos de divulgação da Horta, do Faial e dos Açores, temos grandes embaixadores como é o caso do faialense Rui Silveira e dos outros dois velejadores do Clube Naval: David Abecasis e Miguel Guimarães.
- José Decq Mota: O Projecto Olímpico do atleta do CNH, Rui Silveira, e a tripulação do CNH da Classe Snipe David Abecasis/Miguel Guimarães, mereceram uma perspectiva séria de continuidade neste mandato que agora termina.


Rui Silveira: o maior embaixador desportivo faialense fora de portas

Do ponto de vista desportivo, o projecto do Rui Silveira é da maior importância. É um velejador que detém o estatuto de Alta Competição, aspira ir aos Jogos Olímpicos e que em 2014 contribuiu de forma decisiva para o apuramento de Portugal na Classe Laser Standard com uma vaga que não está ainda certo se será ele que a ocupará, mas está no ranking nacional numa posição bastante sólida com uma margem muito grande em relação àqueles que se encontram atrás dele. Tudo isto faz com que o projecto do Rui seja um projecto com futuro e cheio de potencialidades. Ele é jovem e oxalá consiga acelerar aquilo que conseguiu alcançar na primeira metade de 2014. Tirando o praticante com mais idade, experiência e participação em Jogos Olímpicos, que é o Gustavo Lima, logo a seguir em Laser Standard está claramente o Rui Silveira no panorama nacional. Para além disso, na regata em que Portugal foi apurado em Laser Standard, o Rui não só ficou na Frota de Ouro, como foi o primeiro português, o que é extremamente animador e importante.

Este projecto tem também grande valor de divulgação, porque é o nome do Faial e de Portugal que é mostrado em todos esses estágios, competições da Federação Internacional de Vela (em inglês: ISAF), etc, desde o continente americano ao africano, à Europa e não só.

O facto de haver atletas oriundos daqui e formados aqui como é o caso do Rui Silveira ou atletas que não sendo daqui, se formaram aqui como é o caso do David Abecasis e do Miguel Guimarães, que chegaram a elevados patamares de competição e que continuam ligados ao Clube que os formou ou que lhes possibilitou a prática, é positivo desde logo porque estão a fazer a divulgação do Clube e da terra onde está inserido o Clube. Mas é mais do que isso, é a demonstração de que o nosso isolamento geográfico não corresponde ao determinismo segundo o qual seria impossível formar atletas de Alta Competição a partir dos Açores. É a prova de que a nossa Escola de base é igual às outras, sendo certo que tem de haver determinação por parte dos atletas.

O Rui Silveira tem direito a apoios nacionais porque é um atleta de Alta Competição, mas tem também apoios regionais que são muito importantes, sendo canalizados para o CNH. Todos os contratos-programa, quer para a formação – treinador – quer para o próprio Projecto Olímpico em si (para tudo o que implica essa preparação por parte do atleta), correm pelo CNH.

O Clube Naval da Horta no Protocolo que assina anualmente com o Turismo, também inclui uma verba para a divulgação do projecto do Rui. Temos muito gosto em ter esse papel, que é um papel activo. Temos a prerrogativa legal de poder concorrer a contratos-programa de apoio a treinadores. E é isso que estamos a fazer. Se recebermos no contrato a quantia de 100, empregamos no projecto a quantia de 100.

Quando entrei no CNH em Novembro de 1996 como Presidente da Direcção, o Rui Silveira ainda não pertencia à Escola de Vela, mas era um miúdo muito engraçado que passava o dia no Clube e pedia constantemente para ir nas embarcações de apoio quando estava a haver treinos ou regatas, que na altura eram os botes de fibra de vidro e não os semi-rígidos como hoje. Como o Rui era muito pequenino, tínhamos o cuidado de ele levar o colete vestido. Era sempre o primeiro a chegar e o último a ir embora. Lembro-me do avô dele, o meu grande amigo, já falecido, José Medeiros, conhecido mestre das lanchas do Pico, que chegou a vir ter comigo, muito orgulhoso de o neto ter esta queda para o mar, e dizer-me: “Vocês tenham cuidado com o rapazinho, não vá ele cair ao mar”. O Rui Silveira foi sempre um miúdo muito estimado por toda a malta do Clube. Depois entrou na Escola de Vela e demonstrou uma característica muito importante que é necessário um atleta ter para chegar a este patamar: determinação e vontade de trabalhar. Não se pense que a vida de um atleta de Alta Competição é fácil porque não é. É duríssima e de uma exigência enorme! Afecta psicologicamente os atletas, que têm de ter energia para resistir a isso. Os meus votos são para que o Rui possa continuar a progressão que tem tido e que é muito grande. De há 3 anos para cá tem tido uma progressão enorme!

Desejamos ao Rui os maiores sucessos neste enorme esforço e trabalho que ele vem fazendo.

David e Miguel: dois velejadores que podem ser tidos como exemplo


David Abecasis e Miguel Guimarães: uma dupla de velejadores que se orgulha de representar o Clube Naval da Horta

Fotografia cedida por: David Abecasis

Em relação ao David Abecasis e ao Miguel Guimarães, é uma situação diferente. Sendo uma Classe que hoje não se pratica nos Açores, embora eles tenham praticado na Horta outras classes, o Snipe é uma classe clássica e por outro lado é um veículo de divulgação muito grande, pois estiveram no Campeonato Mundial do Rio de Janeiro e noutras provas e estão num patamar muito elevado, o que é muito importante. Fala-se constantemente do Clube Naval da Horta em razão destes projectos e isto cria a possibilidade real de poder haver linhas de continuidade no futuro, envolvendo jovens que hoje ainda estão longe desses patamares mas que também aspiram chegar lá. Foi com muita atenção que esta Direcção olhou para estes projectos, fazendo tudo, na medida dos seus meios (que não são muitos) para que pudessem singrar e desenvolverem-se como aconteceu ao longo destes últimos dois anos.

“Pretendemos actualizar os Estatutos à nova realidade do Clube”

- Gabinete de Imprensa: O que considera importante e que não pôde ser concretizado?
- José Decq Mota: Uma situação negativa neste mandato foi o facto de não se ter alterado os Estatutos. Isso esteve equacionado desde 2013, deram-se alguns passos no fim desse ano com a nomeação de um Grupo de Trabalho, mas por manifesta falta de capacidade da própria Direcção, o projecto não foi suficientemente dinamizado. É uma situação de debate que implica alguma disponibilidade de reflexão. O que pretendemos é actualizar os Estatutos à nova realidade do Clube, uma vez que estão fortemente desadequados da realidade que é hoje o CNH. A base dos Estatutos é de 1986 e embora tenham tido pequenas modificações, posteriormente o Clube Naval transformou-se muito quantitativamente e qualitativamente. Por isso, há uma série de situações que têm de ser revistas e repensadas. Esse Grupo de Trabalho seria de especialistas, mas para lançar um debate que implica tempo. A nova Direcção vai integrar no seu futuro Plano de Actividades, já no início de 2015, o lançamento desse debate interno (porque até as formalidades legais têm alguma demora), para que num mandato esse processo possa ser concluído. Quando, em meados de 2014, percebemos que talvez pudéssemos começar a dinamizar isso, não tínhamos nenhuma possibilidade prática de acabar o processo neste mandato. E embora se possa dizer que poderia transitar para o mandato seguinte, a verdade é que pode transitar ou pode cair.

- Gabinete de Imprensa: Quando fala em alterar os Estatutos, está pensar na questão que se ouve de que os mandatos deveriam ser de 3 e não de 2 anos?
- José Decq Mota: Quanto aos problemas concretos que os Estatutos levantam, eu podia enunciar variadíssimos, mas não me vou deter nisso. Apenas vou referir esta situação a título de exemplo: os mandatos são de 2 anos, 2 mandatos são 4 anos. Qual seria a solução mais adequada? Talvez fosse serem mandatos de 3 anos. Porquê? Porque possibilita que uma Direcção nova chegue, vá gerindo e se inteirando; que no segundo ano lance as questões em que quer mexer mais profundamente e no terceiro ano as possa consolidar. A tendência que tem sido relativamente frequente de uma Direcção não fazer 2 mas 4 anos quando as pessoas estão disponíveis para isso, resulta do facto de 2 anos ser claramente insuficiente e, portanto, esta é uma das questões, mas há muitas outras para discutir nos Estatutos.

“A organização interna da vida do Clube tem de ser revista rapidamente”

- Gabinete de Imprensa: O que mais ficou por fazer?
- José Decq Mota: Outra questão que esta Direcção não teve possibilidade de mexer de forma sistemática, apenas o fez de forma parcelar, tem a ver com a organização interna da vida do Clube, nomeadamente no que respeita ao quadro de funcionários, às grelhas salariais, aos conteúdos funcionais (aqui mexemos um pouco). Este Clube tem um quadro profissional pequeno, que é acrescentado com um conjunto de prestadores de serviços que, não sendo funcionários, prestam serviços regulares ao Clube: Monitores de Canoagem, Vela, Natação, Coordenador Técnico de Natação, etc. É toda uma área que tem de ser regulada. Penso que é nossa obrigação que o pequeno quadro profissional existente no Clube, mais os colaboradores profissionais, esteja organizado de maneira a que, os seus conhecimentos e a sua prestação de trabalho potencie a capacidade do Clube. Há uma perspectiva que vem de origem, que é muito amadorística. Por exemplo, o Monitor de Canoagem, Natação, Formadores do Centro de Formação, têm todo regimes diferenciados uns dos outros o que não tem grande justificação, porque as exigências em termos de habilitação têm de ser universais e isto é uma matéria que tem de ser mexida e que naturalmente não pode ser solucionada apenas numa reunião ou num momento. Há situações que existem e que só com o tempo é que podem ser resolvidas, como a articulação de todos estes serviços. Reconheço e lamento que assim seja, mas a verdade é que o trabalho que é prestado pelos funcionários do Clube Naval a tempo permanente está desvalorizado.

Também se coloca esta questão: Qual é o objectivo do CNH no futuro em termos de comunicação com o exterior? A experiência actual é altamente gratificante e positiva. A existência de uma jornalista a trabalhar no Gabinete de Imprensa projectando diariamente a actividade do Clube, com reflexos notórios na Comunicação Social das várias áreas, para além das redes sociais e tudo o mais, é muito bom. Esta é uma questão que a nova Direcção tem de estudar correlacionando com os meios disponíveis para que ao longo do mandato se possam dar passos. Não se pode fazer tudo, mas é importante que esses passos sejam dados de forma coerente para que o processo possa ter continuidade ao longo dos próximos anos.

“Em 1996 percebemos que o CNH tinha de trabalhar para aumentar as suas receitas próprias”

- Gabinete de Imprensa: Sente que, de mandato para mandato, as exigências são maiores?
- José Decq Mota: Sim. No meu primeiro mandato, de 1996 a 1998, foi feito um trabalho muito importante, com uma equipa muito coesa e muito boa. Lembro que tive como Vice-Presidentes o Jorge Macedo e o engenheiro Mário Lourenço. Apanhámos o Clube numa época de transição. Vínhamos de dois mandatos do Dr. Manuel Fernando, que tinham sido muito bons, muito activos, com a afirmação do Clube em várias áreas e com a aquisição de alguns equipamentos importantes como a lancha Atlântida, que tinha sido comprada entre 1993/1994. O Clube estava bem quando entrámos, mas estava a viver uma época nova. O poder político regional tinha mudado nesse ano e começaram a aparecer outras regras de funcionamento. A atribuição de subsídios passou a ter outro tipo de critério, outras metodologias. Foram criados os contratos-programa que eram uma realidade muito ténue anteriormente. Os contratos-programa são uma realidade positiva, porque representam uma compensação financeira para a realização de determinados objectivos pré-definidos.

Posto de combustível:
Percebemos que o Clube Naval tinha de trabalhar para aumentar as suas receitas próprias, ou seja, tinha de procurar que as despesas obrigatórias regulares estivessem mais ou menos cobertas pelas receitas próprias do Clube, para que não dependesse de contratos-programa nem de subsídios. E tivemos alguma sorte no meio disso. Tinha aberto um posto de combustível na Marina Norte. A Junta Autónoma do Porto da Horta, que era quem geria o Porto, tinha concessionado esse posto a um gasolineiro, na altura era a firma J. Monjardino, da Terceira, e fazia a exigência de o posto de combustível funcionar todo o ano. Nesse tempo tinha só gasóleo e funcionava todo o ano, num horário idêntico ao da Marina, ou seja, de Inverno das 09h00 às 17h00 e de Verão das 08h00 às 20h00. Mas só a vender gasóleo, a verdade é que de Inverno não havia movimento. Como tal, a firma J. Monjardino deparou-se com um problema: tinha de ter o posto aberto, mas não podia vender a viaturas só a barcos, e de Inverno não havia barcos para abastecer. Nessa altura, os responsáveis por esta empresa tinham interesse em manter aquele posto mas não com este tipo de situação. Na qualidade de Presidente da Direcção do Clube Naval da Horta, fui procurado pelo presidente da administração dessa firma que me fez a proposta de o CNH ficar na situação de distribuidor uma vez que tinha funcionários permanentes e ficando a uma distância de 50 metros, poderia ter um posto aberto. Depois de estudada, a proposta foi aceite e começámos a explorar o posto de gasóleo em fins de 1997, o que veio trazer ao Clube uma situação económica completamente diferente. O movimento maior regista-se a partir de Abril, quando começam a chegar barcos. De Inverno, actualmente já há mais movimento, porque há sempre barcos a gasolina que actuam aí e que se abastecem ali. O nosso pessoal de armazém dá perfeita resposta. De Abril a Setembro reforçamos a bomba e cumprimos escrupulosamente o horário da Marina e se por qualquer situação for necessário abastecer fora de horas, também se faz.

Foi o primeiro passo para esta cobertura com receitas próprias das despesas obrigatórias permanentes.


O Centro de Formação de Desportistas Náuticos do CNH constitui uma fonte de receita desta instituição

Centro de Formação:
O segundo passo dado pela segunda Direcção em que estive, de 1999 a Abril de 2001 (era até Dezembro de 2000) foi a criação do Centro de Formação de Desportistas Náuticos que, embora não tenha grandes receitas, é um contributo. Os custos dos Cursos são elevados devido às exigências da Direcção-Geral dos Recursos Marítimos (DGRM), ou seja, o montante que pagamos para a credenciação da Escola e do que está estabelecido para os formadores, do que pagamos por exame é muito elevado, mas apesar de tudo há uma margem para o Clube, o que constitui uma fonte de receita.

À concessão do Salão/Bar, que já vinha de atrás, acrescentámos estas duas fontes de receita.

Bazar/Loja:
Durante um período existiu na sala que actualmente é da Direcção, um Bazar. Em 1999 e 2000 ainda chegou a ser uma loja com alguns equipamentos náuticos juntamente com os artigos de bazar, mas a Direcção que veio a seguir à minha, acabou com isso. A loja vendia recordações, como t-shirts, bonés, pins, etc, o que constituía uma fonte de rendimento, que agora está mais adormecida por uma razão que tem a ver com a degradação e exiguidade das instalações. Se desocupássemos esta sala para voltar a funcionar o Bazar e fôssemos para a sala onde está a Directora Técnica, não sei bem como é que isto funcionaria, porque o Clube tem crescido, contando actualmente com 1 Directora Técnica, 2 funcionárias administrativas para as funções de Secretaria (uma mais virada para as funções de Secretariado e a outra para questões de Contabilidade); 1 fiel de Armazém; agora temos mais 1 trabalhador que fez o estágio cá e ficou apto para fazer reparações em fibra de vidro em embarcações (uma unidade que temos de ter); 1 treinador de Vela Ligeira de Grau II a tempo inteiro e 1 jornalista no Gabinete de Imprensa. Portanto, é uma situação muito diferente de quando fui presidente pela primeira vez, em que o Clube dispunha de apenas 1 funcionária de Secretaria e de 1 encarregado de Armazém.

Na Natação, o CNH tem um quadro técnico com 5 pessoas (Treinadores e Monitores), na Canoagem temos 1 Monitor, na Vela temos mais 1, além de 1 responsável pedagógico e formador para Patrão de Costa e 1 formador para Marinheiro e Patrão Local no Centro de Formação. Tudo isto envolve muita gente e muitas situações.

Sede desadequada limita actividade

- Gabinete de Imprensa: A falta de uma sede condigna limita a actividade do Clube?
- José Decq Mota: Posso dizer que sim. Em termos desportivos, aponto uma limitação enorme. Hoje em dia não é aceitável ter atletas de competição, mesmo que seja só a nível local ou regional, sem ter um pequeno ginásio adaptado com os equipamentos necessários à preparação física que o velejador, o canoísta, ou o praticante de Windsurf tem de ter. Para atenuar essa situação, temos recorrido a ginásios locais.

Temos uma limitação muito séria em termos de espaço. Na prática, temos a responsabilidade operacional de 8 botes baleeiros e não temos onde guardá-los. Neste momento até temos, porque a Cofaco cedeu-nos temporariamente a antiga fábrica do peixe, um edifício com muitas centenas de metros quadrados, mas é uma situação precária. O Clube Naval está muito reconhecido à administração da Cofaco por esta generosidade, mas temos de perceber que isto é provisório.

Recordo que até Dezembro de 2012 o Clube tinha equipamentos dispersos por alguns armazéns da Portos dos Açores S. A., nalguns recantos mais incríveis dos anexos que aqui temos e até nos Serviços Agrícolas do Faial. Também chegámos a ter nos Serviços Florestais. Num armazém que a Portos dos Açores S. A. nos cede, é onde funciona a nossa oficina, preciosa para realizarmos os trabalhos de fibra de vidro e de pintura.

Tanto quanto sei, as novas instalações contemplam um aumento da área de armazém na ordem dos 43% e há a previsão da construção de um hangar em frente à rampa Norte para embarcações do CNH.

O projecto, que está acabado em termos de arquitectura e de especialidades para a remodelação desta casa, prevê que no rés-do-chão funcionem armazéns maiores, fique uma área de apoio desportivo nomeadamente um pequeno ginásio, salas para os treinadores e no andar de cima, onde está a funcionar o Salão/Bar, passe a ser um andar que cobre todo o edifício, em que metade fica destinado às instalações do Bar e parte social e na outra parte os serviços administrativos, sala de reuniões, espaço para loja devidamente adequado, etc.


Sede do CNH: Este edifício foi construído no fim da década de 80

“Quando as obras começarem, o CNH tem de procurar um espaço para sede durante 18 meses”

- Gabinete de Imprensa: Acha que a nova sede vai ser uma realidade no próximo mandato?
- José Decq Mota: Não tenho a certeza.

- Gabinete de Imprensa: O projecto é da responsabilidade de quem?
- José Decq Mota: Este edifício é propriedade da Portos dos Açores S. A. Foi construído no fim dos anos 80 a seguir à construção da bacia Norte da Marina. Sendo propriedade do Governo Regional, foi entregue à Portos dos Açores S. A.

Houve uma hesitação inicial sobre o uso desta estrutura, porque até 1988 a formação em Vela e Canoagem era da responsabilidade da Delegação de Desportos. À partida, estava intuído que o armazém Norte seria para a Delegação de Desportos, destinado à Vela. Só que o Governo Regional deliberou, e bem, em 1988/1989, passar a competência da formação para os clubes. No entanto, o Bar só foi entregue ao CNH bem mais tarde.

Estas instalações foram cedidas ao CNH, as quais sofreram danos por altura do sismo de 1998. É um edifício que tem sido pouco mantido pelo proprietário, porque há vários anos existe a perspectiva de ser remodelado.

A informação de que disponho, não oficial mas oficiosa, é de que o Clube Naval da Horta tem de encontrar uma sede provisória por 18 meses, ou seja, enquanto decorrerem as obras de construção da nova sede.

Apoio de patrocinadores para compensar os cortes nos apoios

- Gabinete de Imprensa: Como tem sido contornada a questão do corte dos apoios?
- José Decq Mota: Neste mandato conseguimos contornar essa diminuição. Houve uma redução nos contratos-programa, no quadro competitivo por redução da Vela e da Canoagem. A Associação Regional de Canoagem dos Açores (ARCA) realizava 3 provas anuais regionais que agora estão reduzidas a apenas 1, ao passo que a Associação Regional de Vela Ligeira (ARVA), promovia 5 e agora são 3, porque houve uma redução muito drástica. Embora este corte tenha a ver com os contratos-programa das Associações e não do CNH, a verdade é que também nos afecta.

Há uma certa tendência de redução de outros subsídios, nomeadamente municipais. No caso do Turismo, o valor em termos absolutos aumentou de 2013 para 2014. Mas em termos de taxa de cobertura pelo trabalho feito, diminuiu percentualmente.

Para contrariar isto, temos procurado um aumento de patrocínios privados, que muitas vezes não se expressa tanto em dinheiro mas em espécie. Por exemplo: se temos um patrocinador que nos fornece a matéria-prima para os lanches de mar durante o Festival Náutico da Semana do Mar, estamos a falar de milhares de euros de apoio. Se precisámos, como foi o caso, para o Campeonato Nacional de Access, que decorreu em Julho deste ano, e em que estiveram presentes 22 barcos, de uma quantidade enorme de defensas para que as embarcações pudessem estar encostadas aos pontões, uma vez que, ao contrário dos outros atletas de Vela Ligeira, os de mobilidade reduzida não embarcam na rampa mas numa grua, e os barcos têm de estar já na água, representava uma despesa de muitas centenas de euros. Felizmente houve um empresário que patrocinou o número de bóias de que precisávamos.

A parte social da Atlantis Cup – Regata da Autonomia este ano foi melhor resolvida, porque tivemos patrocinadores, prémios e refeições por etapa, o que veio enriquecer a parte social deste evento.

Enquanto trabalharmos assim, estamos a reduzir despesas e a resolver problemas. As contas do ano ainda não estão fechadas, mas vou ter o cuidado de fazer um apuramento rigoroso do valor dos patrocínios. Não diminuímos em nada a actividade prevista, sendo que o valor dos apoios numas áreas diminuiu e noutras não.

- Gabinete de Imprensa: O que reserva o futuro nesse âmbito?
- José Decq Mota: A tendência que se está a desenhar em relação a apoios oficiais não é muito auspiciosa, mas penso que as entidades próprias não deixarão de valorizar o papel que o CNH tem nos seus objectivos, muitos deles até definidos pelas próprias entidades.

Hoje em dia sabemos que todas as actividades relacionadas com o mar estão nas prioridades governativas do poder regional e, portanto, não podem desvalorizar a acção das entidades associativas que colaboram nessa promoção. Por outro lado, não podem pretender que com os mesmos ou com menos meios se faça mais.

Uma das principais preocupações do CNH para não perder esta saudável situação económica e financeira, é continuar a ter receitas próprias. De realçar que a quotização (temos mais de 800 sócios) é na ordem das dezenas de milhares de euros.


“O CNH tem todo o interesse em manter o Protocolo com a Escola Profissional da Horta”

Protocolo com a Escola Profissional deu bons frutos

- Gabinete de Imprensa: Em que moldes funciona o Protocolo estabelecido com a Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia da Horta?
- José Decq Mota: Funciona em termos da colaboração que o CNH dá aos alunos do Curso de Técnico de Construção e Reparação Naval. A componente prática no que respeita aos trabalhos envolvendo fibra de vidro, madeira e motores, tem sido sempre dada no CNH. No caso da fibra, as aulas corresponderam a pequenas reparações necessárias em barcos nossos. Relativamente a motores, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do CNH substituiu o motor do barco dele e cedeu esse mesmo motor para servir de modelo de trabalho para as aulas.

Após o Curso, houve a realização de Estágios Profissionais no CNH. E devo dizer que esses estagiários deram uma ajuda enormíssima! Tivemos, depois, dois alunos no Estagiar T, e um deles continua a trabalhar no Clube.

Contámos com um outro processo protocolar, em que no ano de 2013 organizámos um Curso de Patrão Local destinado apenas a esses alunos do Curso da Escola Profissional, uma vez que no currículo tinham praticamente toda a matéria exigida em termos de aulas. Este Protocolo está em vigor e se nalgum próximo ano lectivo este Curso voltar a ser uma realidade, o CNH tem todo o interesse em ser parceiro.

“Festival Internacional de Vela Ligeira deve ser uma prova de referência”

- Gabinete de Imprensa: Acha que o Festival Internacional de Vela Ligeira está a perder fôlego?
- José Decq Mota: Este ano de 2014 sentiu-se, pela primeira vez, por parte de alguns Clubes convidados – sempre muito entusiasmados com as 7 edições anteriores – a falta de condições para participar. Mas o CNH também não pode fazer mais, pois cede as refeições, o alojamento, as viagens marítimas dos barcos e parte das viagens aéreas.

O Encontro Internacional de Vela Ligeira é uma prova não oficial de Vela Ligeira, como há centenas de provas que são altamente prestigiadas e nós pretendemos que esta venha a ser uma prova altamente prestigiada, de referência, que mesmo não fazendo parte de calendário algum, passe a ser aliciante para treinadores das classes Optimist Juvenis e Juniores de Laser e 420 e Seniores de Access (mobilidade reduzida). Temos contactos com todos os clubes regionais e condições para ter aqui toda a frota regional; contactos com clubes da Madeira, Continente português, de vários pontos Espanha (da Galiza, Federação Madrilena, Ceuta, Canárias), de França e ainda com New Bedford (EUA). Precisamos é de ter os meios para isso. Acho que isso é muito importante para o Faial e para os Açores, uma vez que tem retorno turístico imediato. Estamos a falar de miúdos que na sua maioria se fazem acompanhar pelos pais e estes vêm por sua conta.

“Colaboração dos sócios é fundamental”

- Gabinete de Imprensa: Acha que o Clube Naval da Horta ainda pode fazer mais?
- José Decq Mota: Penso que sim. Este ano demonstrámos isso. Estávamos habituados a ter em cada época e no que toca à regata de Vela de Cruzeiro: um Rally turístico internacional e uma Regata internacional e a nossa Atlantis Cup, e este ano organizámos 4 e correu lindamente.

Sou de opinião de que a nossa capacidade instalada ainda não está esgotada. Quando se procura introduzir eficiência no trabalho directivo, no dos funcionários, colaboradores e voluntários, por vezes com o mesmo dinheiro consegue-se fazer o mesmo. Muitas vezes é possível, mas graças aos nossos sócios. Recordo que no primeiro dia do Festival Náutico da Semana do Mar deste ano tivemos 22 embarcações de apoio no mar em simultâneo, entre as 14 e as 18 horas. Nós só temos 7, mas com a mobilização dos sócios (uns com embarcação própria, outros com embarcações cedidas) conseguimos dar apoio a 4 eventos a decorrer ao mesmo tempo, ao longo de várias horas.

Mais modalidades e manutenção de parcerias

- Gabinete de Imprensa: Estão previstas novas modalidades?
- José Decq Mota: Na parte desportiva temos as várias Secções e o Windsurf, que está agora a ser reactivado e que terá de ter uma certa integração na Vela Ligeira. Além da Apneia, dentro das actividades subaquáticas, aspiramos ter mais, e há sócios interessados no Mergulho Desportivo.

É uma gama muito grande de actividades, muitas delas ligadas a contactos permanentes que o Clube tem com outras instituições. Na Vela Ligeira, por exemplo, está integrada a Vela para pessoas com mobilidade reduzida (Access) e nesse quadro temos uma relação muito estreita com a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF). No caso dos Botes Baleeiros fazemos a gestão de toda a frota, mas 6 botes são das Junta de Freguesia, o que implica uma estreitíssima coordenação com as Juntas. Também estamos ligados ao Serviço de Desporto da Ilha do Faial com a propositura de contratos-programa. São muitas ligações e parcerias que tornam possível este vastíssimo leque de actividades.