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À conversa com as velejadoras do CNH: Aurora Nunes, Mariana Luís e Rita Branco

O Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta esteve à conversa com três velejadoras da Secção de Vela Ligeira: a Aurora Nunes, a Mariana Luís e a Rita Branco.
Numa descontraída conversa, as atletas falaram-nos de si, dos seus objectivos desportivos para o futuro e sobre como se conjuga todos os aspectos de uma vida escolar, social e de competição desportiva.

 

Aurora Nunes resize 2015
Aurora Nunes – Tem 15 anos, nasceu no Porto, mas foi registada no Corvo. Adora os Açores. Vê-se um dia a trabalhar como gestora ou diplomata. Depois de alguns anos a fazer malabarismo na agenda com quase todos os desportos do Faial, decidiu abdicar de alguns hobbies para se dedicar mais intensamente ao piano e à vela. Entrou para o Clube Naval da Horta (CNH) há menos de um ano, mas já considera uma decisão muito positiva na sua vida.

 

Mariana Luis resize 2015
Mariana Luís – 14 anos, nasceu no Faial, mas tem raízes moçambicanas, por parte da mãe. Gosta da área das Ciências, mas também pondera uma carreira na Marinha. Já está na Vela há vários anos, tendo-se sagrado campeã regional feminina, no entanto não recebeu nenhum prémio, na região não se diferencia os masculinos dos femininos.

 

Rita Branco resize 2015
Rita Branco – 14 anos, nasceu no Porto. Os pais decidiram mudar-se para São Miguel, e posteriormente, para o Faial, devido à qualidade de vida das ilhas. Gostava de tirar um curso na área da saúde: pediatria ou técnica de aparelhos de saúde. Já pratica Vela no CNH há uns anos.

A Rita e a Mariana fizeram já um estágio de Vela dos Fuzileiros, onde participaram os melhores atletas do país.

 

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Porquê a vela?
A.N. – Sempre gostei de desportos náuticos. Já tinha feito canoagem e natação de competição. E adoro a praia. Tinha amigas que andavam há anos na Vela e no ano passado fui assistir a umas provas delas. Cresceu o bichinho e decidi participar.
M.L. – A minha família, o meu pai principalmente, é muito chegada ao mar. Entrei na Vela aos 6 anos, por influência dele, mas só comecei a sério com 10 anos, quando comecei a participar em regatas.
R.B. – Entrei por causa de uma amiga, aos 7 anos, e por cá ando ainda, sempre com muita vontade.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como conseguem conciliar os estudos com a Vela?
A.N. – Durante a semana é sempre complicado vir ao treino, não consigo vir porque tenho conservatório. Ao fim-de-semana tenho que conciliar muito bem o tempo de estudo e as tardes de treino.
M.L. – Consigo estudar durante a semana e deixar os fins-de-semana livres para a Vela.
R.B. – Há alturas difíceis, quando temos mais testes, preciso de alguns fins-de-semana para estudar. Costumamos levar os livros para os Regionais, se tivermos testes nos dias imediatamente a seguir a regressarmos ao Faial. Mas os treinos são importantes, tento sempre não faltar.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como foram as notas?
A.N. – Sou aluna de excelência todos os anos.
M.L. – Tudo 4’s e 5’s. E um 3 a Inglês…
R.B. – Dois 4’s e o resto 5’s.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como correu a 2ª Prova de Campeonato Regional?
A.N. – Foi a minha primeira PCR, mas correu bem. Estava muito vento e chuva. Já tinha havido muitas desistências, mas insisti e consegui chegar ao fim.
M.L. – Foi o meu melhor Regional, fiquei em 2º lugar geral (primeiro de femininos!). Foi bom subir ao pódio e mostrar aos rapazes que as raparigas também conseguem ser boas no mar e que têm força.
R.B. – Comparando com o primeiro desta época, correu bem. Consegui o 14º lugar e estou em 16º lugar geral.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que levam da Vela para a vossa vida pessoal?
A.N. – Resistência, vocabulário, sentido de orientação e perceber as direções do vento. A Vela ensinou-me sobretudo a não desistir. Agora estou a fazer alguma coisa que considero difícil, duvidando se chegarei ou não ao fim, mas depois lembro-me que no mar é pior e persisto.
M.L. – A Vela é um desporto completo, pois é coletivo quando estamos em terra, mas é individual quando estamos no mar, cada um no seu barco. Ensina-nos a trabalhar em equipa e, muitas vezes, o apoio dos nossos colegas é importante para chegarmos ao fim.
R.B. – O vocabulário, quando estou a ver os Olímpicos já percebo a linguagem técnica e o que estão a fazer. Por outro lado, a Vela ensina-nos que só dependemos de nós próprios para chegar à meta. É um desporto que junta o esforço físico ao psicológico, com muito xadrez-tático. Por isso é muito cansativo, mas nem por isso deixa de ser interessante. Por fim, dá-nos objetivos a cumprir, ao puxar por nós sempre cada vez mais um bocadinho de cada vez, para sermos o melhor na nossa classe.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que deixaram para trás para praticarem a Vela?
A.N. – Deixei os escuteiros e comecei a organizar melhor o meu tempo de estudo. Além disso, chamavam-me a “menina dos sete ofícios”, porque praticava hip-hop, karaté, teatro, natação, ginástica, piano. Optei por ter menos atividades e dedicar-me a uma para ter mais qualidade nos rendimentos.
M.L. - Sempre pratiquei outros desportos, como o basquete e o karaté. Mas também tive de abdicar de tempo com os meus amigos, para ao fim-de-semana ter tardes inteiras de treino intenso.
R.B. – Praticava basquete, hip hop e natação, para me manter ativa. Mas quando comecei a competir a sério na Vela, a tentar os apuramentos, por volta dos 10 anos, tive de deixar algumas coisas para trás.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como é que os pais veem a Vela?
A.N. – Eu fazia muita coisa. Toco piano desde os 3 anos e não podia magoar as mãos. Além de que tinha que praticar todos os dias. Agora que estou na Vela, os meus pais acham bem, desde que tenha sempre cuidado para não magoar as mãos e dedique tempo ao piano também.
M.L. – Foi o meu pai que me influenciou a entrar para a Vela. Já tinha trabalhado no CNH e deixou-me aquele bichinho do mar. Os meus pais veem a Vela como um ensinamento para a vida, mas para eles qualquer desporto é saudável e transmite sentimentos de confiança e autonomia. Como temos um barco, vai ser útil saber usá-lo um dia mais tarde.
R.B. – Os meus pais sempre me disseram que os desportos nos dão independência e sempre me incentivaram nesse sentido. Como estão ligados ao mar e a este tipo de hobbies náuticos, gostam que eu esteja envolvida desde pequena num estilo de vida mais saudável.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Objetivos para este ano?
A.N. – Quero continuar a evoluir para o nível das minhas amigas que já praticam há mais anos. Ainda sou principiante, e pelo Nacional ser cá, vou participar, mas quero mostrar uma boa prestação.
M.L. – Quero continuar a fazer sempre melhor. Gostava de ficar no Grupo de Ouro no Nacional.
R.B. – Gostava de me ficar no Grupo de Prata no Nacional. E no Regional, gostava de subir no ranking geral e ficar nos 8 primeiros.

 

Fotografias de: Duarte Araújo