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Entrevista ao Campeão Regional de Optimist dos Açores - Tomás Pó, do CNH: “Ser Campeão significa ter a responsabilidade de manter os resultados na próxima época e revalidar o título”

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“Fico muito contente pelo Clube e acho, sinceramente, que já era tempo de ganharmos”

Continuar a evoluir, voltar a ser Campeão Regional e ter um bom desempenho no Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist, tanto este ano como no próximo, são, para já, as ambições deste velejador do Clube Naval da Horta (CNH).

Tomás Rodrigues Pó nasceu em Lisboa, há 13 anos, mas desde o início de 2009 que se mudou com a família para o Faial. Frequenta o 7º ano de escolaridade e começou a praticar Vela no Verão de 2009, no Clube Naval da Horta (CNH).

Diz que gosta de morar no Faial, mas se pudesse levava algumas coisas da ilha para Lisboa e trazia outras de lá para cá. “A ilha precisava de ser alargada e de ter um Centro Comercial onde eu pudesse, por exemplo, ir ao cinema ver a estreia desta quinta-feira, que só vai chegar ao Faial muito mais tarde”, exemplifica Tomás Pó, para logo acrescentar: “Digo isto, mas a verdade é que não precisamos de um Centro Comercial, não é fundamental”. Enquanto isso não acontece, a solução é aproveitar o melhor dos dois lados, sempre que isso lhe é permitido.

Fazendo jus ao que de bom existe por cá, vamos falar de Vela e de mar e… de títulos! Toda esta conversa vem a propósito de Tomás Pó se ter sagrado Campeão Regional dos Açores de Vela Ligeira na Classe Optimist, um apuramento resultante de três Provas do Campeonato Regional (PCR), realizadas no Pico e em São Miguel. A primeira decorreu em São Roque (04 e 05 de Outubro de 2014), onde ficou em 4º lugar; a segunda em Vila Franca do Campo (07 e 08 de Fevereiro de 2015), em que foi vencedor, e a terceira em Ponta Delgada (21 e 22 de Fevereiro de 2015), tendo também alcançado o 1º lugar do pódio.

Tal como de outras vezes, foi de forma muito adulta e responsável que este pequeno grande velejador, sempre bem disposto, falou, revelando a maneira como lida com o novo título, os sacrifícios que faz diariamente e as ambições que tem para a sua “carreira” como velejador do Clube Naval da Horta.

Além da simpatia que irradia e do discurso ritmado e consentâneo – até parece que se tinha preparado, quando, em abono da verdade, sabemos bem que foi apanhado de surpresa – este adolescente é um exemplo de como a vontade pode vencer, tendo sempre como objectivo melhorar e evoluir. A sua humildade e persistência são exemplos a seguir quando as palavras de ordem são: treinar, aprender, cumprir e… naturalmente ganhar! E as vitórias fazem-se de pequenas batalhas que, somadas, permitem alcançar conquistas dentro e fora da água. Sim, porque um bom velejador é, primeiro do que tudo, um cidadão consciente e responsável que, na senda da modalidade, cresce de forma pessoal e desportiva.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a sensação de ser o novo Campeão Regional dos Açores da Classe Optimist?
Tomás Pó: É uma sensação normal. O que muda é a responsabilidade de manter os resultados na próxima época e revalidar o título. Ser Campeão Regional é algo que já passou. O que interessa agora é o Nacional de Optimist, que está cada vez mais próximo, e onde pretendo dar o meu melhor.

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“Quando se é Campeão Regional, poderemos ser tentados a dizer que foi fácil, mas enquanto não se chega lá, é difícil”

 

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a importância de seres o primeiro velejador do Clube Naval da Horta a ganhar o Campeonato Regional em (quase) 10 anos?
Tomás Pó:
É um sentimento agridoce. Naturalmente que me sinto contente, mas acho que é um bocado mau ter passado tanto tempo sem o CNH ter arrecadado este título. Fico muito contente pelo Clube e acho, sinceramente, que já era tempo de ganharmos.
A última pessoa que conseguiu esta conquista foi o João Morais, mais conhecido como o “Ratinho”, que foi meu Treinador (estava em Estágio) no primeiro ano em que pratiquei Vela. Penso que ele ficou contente por saber que fui eu a conseguir esta vitória, pois é como se eu tivesse herdado o título da pessoa que me ajudou a perder os medos desta modalidade. Ele deu-me confiança. O apoio que ele me deu é algo que só consegui valorizar mais tarde. Mas sem dúvida que foi muito importante.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Foi fácil chegar até aqui?
Tomás Pó:
Quando se é Campeão Regional, poderemos ser tentados a dizer que foi fácil, mas enquanto não se chega lá, é difícil. Tive de treinar 3 e 4 vezes por semana com o Treinador Duarte Araújo, o que representou um esforço adicional, em vez de, por exemplo, ter ficado comodamente em casa a ver televisão. Mas a verdade é que depois fico contente por ver que fui recompensado pelo esforço que fiz. É bom!

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”Foi um salto grande na minha vida descobrir a Vela e ganhar título através dela”

 

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Para ti, o que representa a Vela? Que mudanças provocou na tua vida?
Tomás Pó: Quando vim para o Faial, em 2009, nem sequer tinha a noção do conceito “Vela”. Nem sabia que havia uma Classe chamada Optimist. Via os veleiros nas revistas, mas não estava por dentro de nada deste mundo. Foi um salto grande na minha vida descobrir a Vela e ganhar título através dela. Mas, como em tudo, há implicações. Por exemplo: Vou para uma PCR na sexta-feira e só regresso segunda de manhã, com a agravante de ter um teste na terça. Estou rebentado e só me apetece dormir, mas tenho de estudar e manter a média.
Neste momento não figuro no Quadro de Excelência da Escola, mas não posso culpar a Vela por isso. Há cortes que se reflectem na vida escolar, mas é super-bom ouvir os outros nos dizerem várias vezes: “Parabéns! Parabéns! Parabéns!...”. A medalha tem duas faces.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quantas vezes treinas por semana?
Tomás Pó: Normalmente, treino 3 dias, mas ultimamente isso só tem acontecido 2, porque tenho tido testes. Faltei às aulas durante algum tempo por causa da minha participação nas PCR e agora tenho estado a compensar. Tenho tentado nivelar as coisas na Escola e na Vela.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Consegues gerir o teu tempo entre Escola, Vela e vida familiar e social?
Tomás Pó: Sou organizado. Não tenho muitos problemas na gestão do meu tempo. No meu grupo de amigos, ainda há aqueles que não vêem a Vela como um desporto de dispêndio físico. Acham que isso só acontece no futebol, onde há caneladas, pontapés e alguma violência. Por vezes, à segunda-feira chego à Escola estafado e quando é tempo da aula de Educação Física, se por acaso é mais puxada, não consigo fazer tudo. E é aí que alguns não percebem como é que eu estou cansado se o meu desporto é a Vela. Mentalidades que revelam desconhecimento.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Além da Vela, houve outros desportos na tua vida? A Vela é prioritária?
Tomás Pó: Pratiquei Andebol no 5º ano. A época passada, como fui Vice-Campeão no Regional, tinha muita pressão em relação ao que ia acontecer esta temporada, mas correu bem e deu para ser Campeão.
Também pratiquei Natação, mas teve de ser posta de lado, pelo facto de os treinos coincidirem com os da Vela.
Ando a aprender Guitarra no Conservatório. Vou tentando conciliar tudo isto, mas sei que daqui a algum tempo vou ter de fazer opções, pois quando queremos dedicar-nos a 100% a uma área, não é possível fazê-lo com tanto esforço extra, repartido por várias outras.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais os teus objectivos enquanto velejador?
Tomás Pó: Bom, de imediato tenho o Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist, que é já de 24 a 28 deste mês. O Estágio que fiz por altura do Natal, na Base Naval do Alfeite, deu para ver o nível de alguns atletas nacionais, mas não de todos. Vou para esta competição com a ambição de dar o meu melhor e de ficar nos 60 primeiros. Mas a minha ideia é: treinar sempre e de cabeça erguida, com os pés bem assentes na terra e objectivos definidos.
Ser Campeão Regional nos Açores não é o mesmo que ser na Região Norte ou Centro do país. Estamos num patamar inferior, logo à partida pela redução numérica e nível competitivo. Gostaria de, na próxima época, revalidar o título, passando a ser bi-Campeão Regional. Mas sei que para isso ser uma realidade vou ter de trabalhar afincadamente. Há muita coisa a melhorar. Resumindo: o que pretendo é continuar a evoluir, voltar a ser Campeão Regional e ter um bom desempenho no Nacional, tanto este ano, como no próximo.

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“É preciso ter consciência de que vão estar no Faial os 120 melhores de Portugal. Como tal, vai haver muita competitividade”

 

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como encaras o Nacional de Optimist?
Tomás Pó: Acho que evoluí em relação ao último Nacional e sinto-me melhor preparado, mas tal como melhorei, o mesmo há-de ter acontecido aos outros, que poderão estar num nível superior e ter uma boa prestação. É preciso ter consciência de que vão estar no Faial os 120 melhores de Portugal. Como tal, vai haver muita competitividade. No ano passado fiquei na 89ª posição. Ficar entre os 60 primeiros é um pequeno objectivo. É preciso ir de cabeça fria e dar o máximo. A meta é evoluir e progredir na minha “carreira” como velejador.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Achas importante este evento de âmbito nacional ter como palco a ilha do Faial? Porquê?
Tomás Pó: Sim, acho muito importante, pois é uma oportunidade de dar a conhecer a outros atletas o nosso mar e as condições adversas do Inverno rigoroso que temos. Ao mesmo tempo, terão também a possibilidade de conhecer uma parcela dos Açores e de ter o Pico como principal vista. Vai ser muito bom para o Clube Naval da Horta a organização deste evento, o que possibilita o conhecimento e a divulgação não só do Clube, mas também da ilha, sobretudo aos que não nos conhecem muito bem. Este Campeonato Nacional de Optimist tal como o Campeonato Nacional de Access, realizado em 2014, no Faial, e também organizado pelo CNH, são sempre positivos para a promoção local. É importante os de fora ouvirem o nosso nome e saberem onde fica o Clube Naval da Horta, a Cidade da Horta e a Ilha do Faial.


 - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a principal dificuldade dos velejadores açorianos na frota nacional?
Tomás Pó: As largadas. Nesse aspecto, o nosso nível é bastante inferior. E porquê? Porque temos poucos velejadores. Esta situação já melhora bastante quando estamos a falar de um Campeonato Regional. Este agora teve cerca de 55 barcos, o que é muito bom quando comparado com o que temos habitualmente no Faial. Precisamos é de pessoas e de lutas para nos prepararmos. Os atletas nacionais desenrascam-se muito bem nas largadas, porque estão habituados a muita gente. Falta-nos isso. O Duarte Araújo aconselha-me sempre a ter cuidado nas largadas, o que é fundamental numa regata.

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“Acho que evoluí em relação ao último Nacional e sinto-me melhor preparado”