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Entrevista CNH: Tomás Pó, Bicampeão Regional da Classe Optimist, na época 2015/2016

O nome Tomás Pó dispensa já apresentações na Vela Ligeira a nível regional. O Gabinete de Imprensa do CNH conversou com o velejador do CNH que venceu, pela segunda vez consecutiva, o Campeonato Regional da classe Optimist na temporada 2015/2016, mesmo após um arranque de época condicionado por um braço partido.
Tomás, 14 anos, fecha assim o grupo de velejadores do CNH que irão competir no EDP – XI Campeonato de Portugal de Juvenis, em Cascais, juntando-se a Jorge Pires e Mariana Rosa, também já entrevistados pelo Gabinete de Imprensa.
Gabinete de Imprensa: Voltaste a ganhar o Campeonato Regional de Optimist. Qual é o sentimento?
Tomás Pó: Sinto-me bem. Não tinha muita fé que pudesse voltar a ganhar, porque estive seis meses parado sem poder fazer vela, depois de partir o pulso por duas vezes.
Mas acabou por correr bem. Quando eu parti o braço faltava um mês e meio para a primeira PCR e logo percebi que não ia conseguir participar. Pensei logo que o campeonato estava perdido e fiquei sem esperanças. Mas devido ao mau tempo não houve regatas, por isso o campeonato continuava todo em aberto.
Depois, logo a seguir, em novembro parti o braço outra vez (risos). Mas feitas as contas, conseguia ir à segunda PCR, que se realizou no fim de Janeiro, em São Miguel. Sabia que tinha que recuperar muito bem, para depois não voltar a magoar-me. O trabalho que fiz na fisioterapia ajudou-me muito e foi um mês e meio intenso, mas que valeu a pena, porque já me sinto bem de novo.
Depois a terceira PCR, cá na Horta, correu muito bem. Eu encarei as coisas com mais calma, e por isso penso que correram melhor. Pensei, “tirei um primeiro agora, mas é como se o campeonato começasse agora”, não liguei tanto aos primeiros lugares que ia conseguindo. Só fiquei nervoso na última regata, tinha tirado sete primeiros e não queria estragar tudo. Queria bater o recorde de ganhar todas as provas de uma PCR na região, que ainda não tinha acontecido.
Houve alguma coisa que mudou em mim nestas duas últimas PCR. No Campeonato passado, apesar de ter me ter apurado como campeão regional, eu vinha muito nervoso para as PCR. Mas penso que ter partido o pulso, de certa maneira, ajudou-me, porque encarei as coisas de outra maneira. Pensei para mim que não ia conseguir fazer nada de jeito esta época e ia só dar o meu máximo. Isso tirou-me a pressão, passei a encarar as coisas com mais calma e relaxe e então tudo foi acontecendo mais naturalmente. Parece que até foi “mais fácil”, obviamente sem tirar o mérito aos meus adversários. Um dos meus adversários de Ponta Delgada, o José Maria, também está a andar muito bem. Mas penso que é mesmo assim, com vários adversários andando bem vai havendo uma evolução da frota.
Gabinete de Imprensa: Este é o teu último Nacional de Optimist a representar o Clube Naval. Como te sentes em relação a deixar esta etapa para trás?
Tomás Pó: Sinto-me bem, penso que fechei bem a época aqui nos Açores e agora vou ao meu terceiro campeonato nacional. Tudo tem um começo e um fim. Temos que aproveitar bem enquanto as coisas duram e não pensar que isto vai acabar aqui. É gozar ao máximo todos os momentos.
Gabinete de Imprensa: Traçaste algum objetivo a nível de classificação para o Nacional?
Tomás Pó: Vou dar o meu melhor e vou divertir-me. Prefiro não definir um objetivo e dar o máximo que posso e depois ver o que foi esse máximo nas situações de vento que irão estar.
Em Vilamoura também não tracei objetivos e correu bastante bem.
Gabinete de Imprensa: Devido ao braço partido, não pudeste acompanhar os teus colegas na deslocação a Viana do Castelo, em Novembro. No entanto, conseguiste estar em forma para ires ao 42º Torneio Internacional de Vela do Carnaval, em Vilamoura. Como correu essa viagem?
Tomás Pó: Foi logo uma semana após a 2ª PCR em São Miguel. Foi bom para me aperceber como é que estava ao nível nacional e deu para comparar os andamentos, porque aqui na região não temos uma frota muito exigente. Se nos mentalizamos que por ser campeões regionais nos Açores, estamos a andar o mesmo que os campeões regionais da frota continental, não vai resultar, porque eles têm uma frota muito mais exigente. A nós cabe-nos quase a obrigação de ir ao continente de vez em quando para comparar os andamentos, senão é fácil cair na rotina.
Mas correu bem Vilamoura, consegui apurar-me, tendo em conta também que era uma prova que ia ser muito exigente. Este ano o campeonato do mundo vai ser em Vilamoura, ou seja, aquela prova foi um pré-evento mundial, com a presença de atletas de 12 países. Consegui apurar-me para o Grupo de Ouro, dentro dos 57 primeiros em prova, e na frota nacional fiquei em 17º lugar.
Gabinete de Imprensa: Para o ano vais subir de escalão na Vela, já tens uma ideia da classe que vais escolher?
Tomás Pó: Gostava muito de praticar 49er, mas cá em Portugal não há campeonato e tem que se investir muito no barco. Quando se vai para essas embarcações multicasco, é para trabalhar a sério.
Aqui no Clube Naval temos as duas opções do Laser 4.7 e 420. Provavelmente vou começar no Laser e divertir-me, depois na época seguinte faço 420.
Laser é um barco exigente fisicamente, mas o Optimist também é. Acho que tudo com trabalho se consegue, por isso posso não ter um 1,80m, mas se tiver 1,60m, trabalhar fisicamente e estar concentrado, é quase como se compensasse.
Gabinete de Imprensa: Já tinhas colega de equipa se fosses para o 420?
Tomás Pó: Acho que devo juntar-me à Mariana para formar equipa, estamos a pensar nisso.
Gabinete de Imprensa: Achas que a Vela poderá vir a desempenhar um papel importante na tua vida, no futuro?
Tomás Pó: Em primeiro lugar, até posso não seguir uma área profissional relacionada com a Vela, mas acho que vai-me lembrar pelo menos das memórias e bons momentos que foram, estão a ser e que irão ser passados. Vai dar para tema de conversa daqui a 20 anos, espero eu, com os meus amigos (risos), de lembrar-me destes tempos de infância.
Em relação ao futuro, gostava de seguir algo relacionado com a Vela, mas ainda tenho que ver. Não tenho as ideias muito bem arrumadas ainda do que quero ser. No entanto, gostava muito de ser skipper, é uma vida muito “fixe”, porque sempre quis fazer da vida o que gosto, ou seja juntar o que gosto à minha profissão. Conhecer o mundo a andar à vela e ser skipper, ganhar dinheiro a fazer o que gosto. Acho interessante o trabalho dos skippers, porque eles conhecem o mundo e conhecem outras pessoas e ficam com um desenvolvimento cultural muito grande e muitas aptidões na vela, é um trabalho que eu admiro muito e gostava de segui-lo.
Na segunda PCR em São Miguel, na entrega de prémios, foi-nos apresentado um skipper que nos explicou as suas vivências. Mostrou-nos também um vídeo que me inspirou muito.

O velejador do CNH, Tomás Pó, numa das regatas da 3ª PCR que decorreu na Horta. Foto de José Macedo