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Vela Ligeira do CNH: Torneio da Primavera reuniu atletas dos Clubes Navais da Horta e da Madalena

Márcio Sousa, Carlos Cardoso, Rui Dowling, Libério Santos e Lício Silva foram os velejadores da Classe Access que disputaram o Torneio da Primavera
- Treinador João Duarte: “A prova correu muito bem e os velejadores da Classe Access já só pensam em treinar para o Campeonato Nacional, em Cascais”
- Treinador Duarte Araújo: “O Torneio serviu para os velejadores praticarem as largadas e prepararem regatas, juntando o Pico e o Faial, o que foi muito bom”
“Foi um dia de festa para a Vela”, refere João Duarte, Treinador de Vela da Classe Access (Vela Adaptada para velejadores com mobilidade reduzida), a propósito da forma como decorreu o Torneio da Primavera, organizado pela Secção de Vela Ligeira do CNH. A prova do Campeonato de Ilha de Vela Ligeira – na qual a Classe Access está inserida – decorreu na manhã deste sábado, dia 22, e foi realizada dentro da doca, pelo facto de fora, “as condições de mar estarem um bocadinho agressivas”. Este Técnico considera que as 3 regatas realizadas – com a duração média de 45 minutos, “tempo ideal” para uma regata de Vela Ligeira – “decorreram muito bem”.
O Torneio da Primavera contou com 5 (Márcio Sousa, Carlos Cardoso, Rui Dowling, Libério Santos e Lício Silva) dos habituais 8 velejadores na competição e já serviu de pré-aquecimento para a época mais dura que se aproxima a passos largos.
O Treinador da Classe Access adianta que os atletas vão ter agora pela frente “2 meses de treino intensivo” com o objectivo de se prepararem para o Campeonato Nacional, que decorrerá de 30 de Junho a 2 de Julho próximos, em Cascais, organizado pelo Clube Naval daquele concelho. E realça: “Vamos aumentar o número de treinos e de carga de treino, para podermos honrar a nossa participação, porque já somos um Clube conhecido em termos nacionais, mormente através dos velejadores Lício Silva, Rui Dowling e Libério Santos. Alcançámos um 1º e 2º lugares no último Nacional, em 2016, e o nosso objectivo este ano é tentar igualar essa marca”.
Naturalmente que os velejadores estão motivados para alcançar o pódio, embora o terreno lhes seja desconhecido. “A baía de Cascais é um campo de regatas exigente porque pode ter vento. Temos ali a nortada que influencia a regata e o facto de ser também na foz de um rio, faz com que a maré seja igualmente um factor importante. Contudo, estamos motivados. Para além da competição, há ainda a parte do lazer e toda a aventura que representa ir com esta malta para Cascais, onde vamos passar 5 a 6 dias juntos”.
Na prova deste sábado, Márcio Sousa e Carlos Cardoso participaram na Classe 303, que são os barcos maiores. “Na Classe 303, temos 2 velejadores, com 2 velas: uma vela de proa e uma vela grande, e na Classe 2.3, que é individual – aquela em que participamos no Campeonato Nacional – há só uma vela e são barcos um pouco mais pequenos”, explica João Duarte.
RESULTADOS - Access
Classe 303:
1º - Márcio Sousa
2º - Carlos Cardoso
Classe 2.3:
1º - Rui Dowling
2º - Libério Santos
3º - Lício Silva

Os velejadores e os seus barcos emprestaram um colorido à Baía da Horta
“A prova correu muito bem. Tivemos de esperar que entrasse o vento e depois fizemos 3 regatas, como estava previsto. Há a notar a presença de 6 velejadores da Madalena do Pico, o que foi muito bom, embora também estivéssemos a contar com os de São Roque, o que não aconteceu”, acentua o Treinador Duarte Araújo.
A comitiva da Madalena era composta, na Classe Optimist, por Pedro Xavier, Flávio Pedro, Carlos Simão e César Maiato e, na Classe Laser 4.7, participaram Alexandre Madruga e Pedro Costa.
Duarte Araújo explica que “este Torneio da Primavera serviu para os velejadores praticarem as largadas e prepararem regatas”. E avisa: “Quando se larga mal, dificilmente se recupera. Aqui, isso pode acontecer, mas nas provas em Portugal continental dificilmente isso acontece”. Por isso, a preocupação deste Técnico é direccionar os treinos para aquilo que é a realidade dos nacionais.
Apesar de os atletas do Clube Naval da Horta treinarem, o facto é que, “mesmo assim, têm muito pouca preparação” quando a fasquia se põe ao nível do que se passa no todo do país. “As nossas provas locais servem, sobretudo, para eles treinarem os procedimentos tidos como necessários antes da regata, que é testar o vento, testar a linha de largada, afinar o barco, etc. É um treino importante independentemente do número de velejadores que houver na frota. Mas quando a parada sobe para 60 atletas, os nossos não têm experiência para se orientar na confusão da largada”, sublinha o Treinador de Competição da Secção de Vela Ligeira do CNH. Este Técnico propõe que imaginemos uma prova de Motocross em que se vêem 150 motos na linha de partida. E remata o seu racioncínio com esta certeza: “Chegamos ao fim sempre com os mesmos 3 na frente. Portanto, é crucial ter experiência na largada deste desporto e o mesmo acontece na Vela. São 60 velejadores todos a lutar por um cantinho na linha para largar. E sem experiência nessa vertente, por muito que se treine aqui – no Faial, no Pico, etc – não se pode replicar lá. Somos poucos e pequenos”.
Atendendo ao meio de onde é oriundo e à experiência acumulada – refira-se que este Treinador está no CNH há 3 anos – Duarte Araújo traça um cenário muito realista sobre aquilo que deve ser o futuro. “O Tomás Pó é o melhor velejador do Clube Naval da Horta e só depois de ter participado no 3º Campeonato Nacional é que começou a ficar um pouco habituado à confusão”. Assim sendo, a chave da evolução reside na participação consecutiva em provas nacionais. “Não estou a dizer que os velejadores de cá não são bons e que não treinam, pois isso não é verdade, mas o que é certo é que não detêm a experiência de começar com esses barcos todos. E só indo lá fora é que podem alcançar isso”.
É por tudo o que foi dito que o Pico se afigura como “uma boa ajuda” no que toca à competição. Embora os velejadores picoenses se encontrem “num patamar um bocadinho inferior aos do Faial”, vêm introduzir o factor novidade, desconhecido para os atletas do CNH, que estão habituados a treinar sempre com os mesmos, viciando, por assim dizer, os resultados. Como tal, “quando vêm elementos de fora, que não se conhecem, mesmo que sejam de um patamar inferior, aumentam um pouco a confusão, o que ajuda a outra motivação. Esta participação é importante para nós e também queremos que o Pico melhore, ilha onde o CNH marca sempre presença”, conclui Duarte Araújo.
Tomás Pó, Jovem Talento Regional, deixou a confortável Classe Optimist – onde foi o melhor – para esta época ascender aos Laser, onde começou agora a fazer caminho. O facto de estar lesionado impediu-o de participar no Torneio da Primavera.
O Treinador considera que Tomás Pó “é do passado e do futuro”. E avança: “Ele tem de crescer, portanto, é preciso um ano para ver resultados”.
A actualidade dos Optimist no CNH é dominada por Mariana Rosa, detentora de vários títulos. Com estas ascensões e remexidas, a Classe 420 está desfalcada e a necessitar de reforços, sendo presentemente assegurada apenas pela dupla Ricardo e Tiago.
Realista mas optimista, Duarte Araújo remata: “Os atletas portaram-se bem, manifestaram vontade e sei que estão a aprender. E, acima de tudo, foi uma prova óptima para juntar o Pico e o Faial”.
Pela importância e significado e que se reveste, o beberete-convívio é sempre um ponto alto no culminar destas provas, pelo que a sua manutenção tem sido uma aposta do CNH, graças à colaboração graciosa de muitas dirigentes, voluntárias, mães e outras.
RESULTADOS:
Optimist:
1º - Mariana Rosa (CNH)
2º - Maísa Silva (CNH)
3º - Bernardo Melo (CNH)
4º - Ana Luísa (CNH)
5º - Arthur Moimeaux (CNH)
6º - Pedro Moniz (CNH)
7º - Pedro Xavier (CNM)
8º - Pedro Costa (CNM)
9º - César Maiato (CNM)
10º - Carlos Simão (CNM)
11º - Flávio Pedro (CNM)
12º - António Ramos (CNH)
Laser:
1º - Alexandre Madruga (CNM)
2º - Pedro Costa (CNM)
3º - Mariana Luís (CNH)
4º - Jorge Pires (CNH)
5º - André Oliveira (CNH)
420:
1º - Jorge Pires/Ricardo Silveira
2º - Mariana Luís/Ricardo Silveira

Tão importante quanto a vertente desportiva, é a componente social, com convívio salutar

Os velejadores da Classe Access orgulham-se da sua prestação e envaidecem o seu Treinador
